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Há visitas guiadas ao Bar Paródia à boleia do Museu Bordalo Pinheiro

A Paródia
©Manuel Manso

O Museu Bordalo Pinheiro começa este sábado a primeira de várias visitas guiadas ao bar A Paródia, em Campo de Ourique, com muitas histórias e uma bebida grátis à mistura.

Histórias para contar há muitas no pequeno bar A Paródia, a começar pela das caixas de fósforos nas paredes, onde os antigos clientes guardavam tostões para pagar as bebidas, e a acabar nas relíquias expostas no bar, imagens de A Paródia que lhe dá nome, o último jornal fundado por Rafael Bordalo Pinheiro, em 1900.

Foi isso que levou o Museu Bordalo Pinheiro a lançar uma série de visitas guiadas ao bar na Rua do Patrocínio, em Campo de Ourique, onde para entrar é preciso tocar à campainha. Na década de 1970, o fundador, o já falecido coleccionador Luís Pinto Coelho, tinha ali uma loja de antiguidades onde aconteciam tertúlias a favor da revolução. Só dois dias depois do 25 de Abril, A Paródia abria oficialmente portas como bar.

Hoje em dia, funciona como museu improvisado/bar de cocktails, a encantar turistas que por acaso o descobrem, e locais que fazem da casa uma extensão da sua sala de estar. Os actuais donos, Filipa Carlos e Pedro Baptista, optaram por não alterar quase nem um milímetro desta decoração histórica.

Entre os objectos mais marcantes e dignos de visita, estão “os trabalhos gráficos de Bordalo”, diz o historiador e investigador do Museu Bordalo Pinheiro, Pedro Bebiano Braga. “O objectivo destas conversas ao final da tarde é apresentar este artista e abordar alguns dos pontos mais interessantes e divertidos de cada uma daquelas caricaturas que estão ali”.

As visitas Bordalo à Noite, com lotação para 20 de pessoas, além de darem a conhecer a obra bordaliana, ainda abordam a Lisboa boémia do século XIX. Bordalo era um boémio? “Era”, confirma o investigador. “Temos vários testemunhos fotográficos, a sua própria autorrepresentação, e testemunhos contemporâneos que contam algumas histórias e que dão conta dessa boémia”, continua.

Sabemos, por exemplo, que Bordalo Pinheiro, quando saía de sua casa no Chiado – no actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro – para ir à ópera no São Carlos, cumprimentava e falava com tanta gente pelo caminho que quando chegava ao teatro “já as pessoas estavam a sair”, continua Bebiano Braga. Também gostava de comer um “chapéu de palha”, como chamava ao prato, no Tavares. “Pedia uma garrafa, pedia outra, pedia outra e acaba com não sei quantas garrafas diferentes.” Também se sabe que era fã de brandy e que gostava muito de Macieira.

A primeira visita ao bar e à Lisboa do século XIX, completamente gratuita e com uma bebida grátis (o evento conta com o apoio da Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas), acontece no sábado e repete-se a 28 de Março, 18 de Abril e 23 de Maio.

A Paródia. Rua do Patrocínio, 26B (Campo de Ourique). Sáb 19.00- 21.00. Inscrições: baraparodia@gmail.com

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