Os melhores bares históricos em Lisboa

Foram sala de conspiração antes do 25 de Abril ou uma espécie de escritório de jornalistas há décadas. Servem bons cocktails e os empregados têm muitas histórias para contar.
pavilhão chinês
Fotografia: Ana Luzia
Por Clara Silva e Miguel Branco |
Publicidade

Luís Pinto Coelho morreu em 2012, mas deixou para a história da cidade quatro dos mais emblemáticos bares da noite alfacinha. Foi ele o fundador do Procópio, d'A Paródia, do Fox Trot e do Pavilhão Chinês, que decorou com peças de uma colecção de velharias e objectos que foi acumulando desde a adolescência. Os quatro bares históricos em Lisboa ainda estão a funcionar.

Ao mesmo estilo, apareceu também perto da Avenida de Roma o Old Vic, com mobília vinda de Inglaterra e inspirado num bar londrino, com clientes seleccionados. O actual proprietário aprendeu a fazer cocktails em cruzeiros.

Já o exótico Bora-Bora serve cocktails em copos com caras que deitam fumo desde 1982, ano em que nasceu na Alameda.

No Bairro Alto, o Snob, também à porta fechada, era o escritório de políticos e jornalistas. Sobra ainda o Outro Tempo Bar e o Café de São Bento

Em baixo, fique a saber mais sobre estes nove bares, os melhores bares históricos em Lisboa.

 

 Recomendado: Roteiro vintage em Lisboa

Os melhores bares históricos em Lisboa

1
Procópio
©Procópio
Bares

Procópio

icon-location-pin Avenida da Liberdade/Príncipe Real

No Jardim das Amoreiras, foi este o primeiro bar do coleccionador e gestor hoteleiro Luís Pinto Coelho, a funcionar desde 1972. Mário Soares, Sá Carneiro e Raul Solnado eram habitués do bar que agora tem esplanada e que conserva muitas memórias pré-revolução lá dentro. Algumas estão num livro lançado em 2007, a propósito dos 35 anos do Procópio — agora já são 45: “Jornalistas infiltrados faziam fila à espera de chegarem ao telefone para informarem o director de tudo o que ali se cochichava", lê-se. Pouco depois de inaugurar o bar, e já a pensar na sua loja de antiguidades que iria dar origem ao bar A Paródia, Luís Pinto Coelho deixou o Procópio nas mãos da ex-mulher, Alice Pinto Coelho, de quem se separou pouco depois. O irish coffee tem fama de ser um dos melhores da cidade, mas a lista de bebidas é extensa e tem boa fama. Tal como um dos empregados da casa, o simpático Luís.

2
a paródia
©Paulo Lima
Noite

A Paródia

icon-location-pin Estrela/Lapa/Santos

Filipa Carlos, a dona d’A Paródia, contar-lhe-á a história do bar melhor que ninguém assim que se sentar numa das mesas do pequeno e confortável espaço em Campo de Ourique, com duas salas para fumadores. Na década de 70, o fundador, Luís Pinto Coelho, tinha ali uma loja de antiguidades onde aconteciam tertúlias a favor da revolução. Só dois dias depois do 25 de Abril, A Paródia abriu portas como bar. O nome é uma homenagem à revista de sátira de Rafael Bordalo Pinheiro e muitos dos seus desenhos estão nas paredes. Entre os clientes famosos está, por exemplo, José Cardoso Pires que costumava monopolizar o enorme cinzeiro do balcão do bar e enchê-lo de beatas. Hoje em dia tem uma boa lista de cocktails, de onde se destacam as muito populares margaritas de gengibre, feitas pelo outro dono do bar, Pedro Baptista. Curiosamente, os actuais proprietários, Pedro e Filipa, conheceram-se numa das mesas da'Paródia.

Publicidade
3
Pavilhao Chines
© Lydia Evans / Time Out
Noite

Pavilhão Chinês

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

O último dos bares de Luís Pinto Coelho, foi o único que nunca vendeu — antes de morrer cedeu parte do negócio a três funcionários antigos. É uma espécie de museu e é o sítio ideal para levar amigos de visita à cidade. A parafernália acumulada ao longo dos anos é impressionante, de uma colecção de Action Men a capacetes da Primeira Guerra Mundial, passando por espadas, Betty Boops ou soldadinhos de chumbo. A colecção mais valiosa é a de peças Bordalo Pinheiro. Os objectos — 4 mil, dizem — faziam parte da sua colecção privada, que começou a ganhar forma na adolescência. Ao todo são cinco salas, uma mesa de snooker e empregados vestidos a rigor, como já não se vê. Aparentemente, quando visita Lisboa, Tony Blair é um dos habitués. 

4
snob
©DR
Coisas para fazer

Snob

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Nenhuma licenciatura em Jornalismo está completa sem estas cadeiras, as do bar Snob. Na Rua do Século, foi fundado por um antigo desenhador do jornal O Século, Paulo Guilherme d’Eça Leal. Tem 53 anos e é um dos mais antigos bares do género e uma espécie de escritório para jornalistas que desde os anos 60 ali se juntam depois do fecho. O ex-libris da casa é o bife à Snob, com um molho especial que não é de café. Há muitas histórias para contar, como a de um cliente que tinha acumulado uma conta de 100 euros e que pagou com uma pintura de Bogart, que ainda está na parede. A mesa 10, na sala da entrada, é a que tem mais misticismo.

Publicidade
5
Bora Bora
©DR
Bares

Bora-Bora

icon-location-pin Areeiro/Alameda

“Venha daí ter uma ‘noite Polinésia’”, diz o Facebook do Bora-Bora, até porque a Polinésia é onde nós quisermos. Na Alameda, porque não? Dos dois bares Bora-Bora que os proprietários abriram nos anos 80 do século passado — na Alameda e na Rua da Madalena —, só o primeiro ainda está a funcionar (o da Baixa fechou em 2011). O bar de inspiração exótica era uma coisa moderna na altura, com cocktails a deitar fumo (milagres do gelo seco). Agora, vale mais pelo ambiente kitsch. Espere uma noite divertida, com flores ao pescoço, palhinhas gigantes para bebidas colectivas (coisa que também já não se usa) e copos de loiça, com caras ou ananases.

6
Fox Trot
©DR
Noite, Cafés/bares

Fox Trot

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

No Príncipe Real já se sabe que é difícil estacionar mas este ainda é um dos poucos sítios da cidade onde pode deixar as chaves do carro ao porteiro e não se preocupar mais com isso — só convém deixar gorjeta. Luxos antigos. O bar, também fundado por Luís Pinto Coelho e com mobília antiga, ao estilo art deco, abriu em 1978. Tem um bife à Fox Trot na carta que também põe o bar na lista dos melhores sítios para petiscar em Lisboa fora de horas (é servido até às três da manhã). O bar atrai uma clientela mais jovem e tem várias vantagens em relação aos outros bares do mesmo fundador: é maior, no Verão há um pequeno jardim interior para apanhar ar fresco e no Inverno tem uma sala com lareira a funcionar. Também tem uma mesa de snooker.

Publicidade
7
old vic
Fotografia: ML
Bares

Old Vic

icon-location-pin Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Uma espécie de sala de estar para quem mora para os lados da Avenida de Roma, o Old Vic é outro dos clássicos bares lisboetas com pipocas, cocktails e sofás de veludo. O bar foi criado por Frederico Azinhais, herdado pelo filho, Artur Azinhais, e desde 1994 que está nas mãos de Paulo Magalhães (e outro sócio), antigo empregado do Fox Trot e do Pavilhão Chinês. Paulo trabalhou em cruzeiros durante 10 anos e foi aí que aprendeu a fazer cocktails. Já a mobília do bar veio quase toda de Inglaterra. “É uma cópia de um bar em Londres” onde o fundador do bar costumava ir, conta Paulo. Até aos 90, tinha um ambiente tão seleccionado que os clientes abriam a porta com um cartão (agora é preciso tocar à campainha).

8
Cafe de Sao Bento
Restaurantes

Café de São Bento

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

"Nunca foste ao Café de São Bento?". Eis a frase recriminador que se ouve de qualquer pessoa, mais ou menos amiga, quando se apercebe que alguém nunca lá foi. Está aberto desde 1982, em tons avermelhados que nem um café com interiores victorianos deve ter, e tem, quer para esta revista, quer para grande parte dos lisboetas o melhor bife da cidade. A inspiração vem de António Marrare, que no final do século XVIII trouxe para Lisboa este género de café que tanto sucesso tinha em Itália. Marrare trouxe ainda aquilo que ficou conhecido como "Bife à Marrare", que é esse bife mergulhado em molho, que era servido nesses cafés italianos. E este é outro exemplo de sítio que serve até tarde: 01.45. Maravilha. 

A Time Out diz
Publicidade
9
Restaurantes

Outro Tempo Bar

icon-location-pin Lisboa

Entre a Lapa e a Estrela está o Outro Tempo Bar, que há muito se estabeleceu como um lugar seguro, daqueles em quem podemos confiar. A decoração é clássica, com toalhas de mesa vermelha e sofás acolchoados em azul. Tem aquela legião de clientes habituais que são garantia de casa sempre composta. Sobretudo pela noite, já que no Outro Tempo Bar a cozinha funciona até às 02.00. Nesse aspecto, é conhecido pelos bifes, menus do dia, tornedós com diferentes molhos (do queijo da Serra à pimenta) e petiscos mais leves só para enganar o estômago. Se está cheio, sem problema, não falta o que beber. É mesmo de Outro Tempo. 

Noite em Lisboa, bairro a bairro

Damas
Fotografia: Inês Calado Rosa
Noite

Os melhores bares na Graça

Lá de cima, vê-se a cidade como de nenhum outro lugar. Mas nem só de miradouros vive a Graça. Há muita coisa nova a dar nas vistas, mesmo depois do sol se pôr. Descubra os melhores bares na Graça, um bairro cheio de turistas mas que não abdica de ter vida própria.  

Bacchanal
Manuel Manso
Noite

Os melhores bares no Cais do Sodré

O difícil no Cais do Sodré é decidir em que modo lhe queremos fazer uma visita. Ainda por cima, com novidades sempre a aparecer. Queremos ver-lhe o rosto pelo almoço, despido de universitários barulhentos? Queremos confrontá-lo já com a luz da lua, entre restaurantes mexicanos e italianos? Não. Atenção, não é que não gostemos dessa hipótese, mas a proposta que aqui lhe fazemos é outra: vá com tudo, vá mais tarde, mas vá procurar o copo para colar à sua mão. 

Publicidade
Alfaiataria
Fotografia: Ana Luzia
Bares

Os melhores bares em Santos

“E se o não-sei-quantos quer ser cá da malta, tem de beber este copo até ao fim…” A música repete-se nos bares das redondezas, a menos que queira fugir dos shots a 50 cêntimos e da ressaca monstruosa do dia seguinte. Nestes bares estará a salvo. A verdade é que Santos tem bem mais do que isso. Tem um bar que era um antigo alfaiate, outro que é uma casa e até um bar de teatro. Ou seja, tem tudo e estes são os melhores bares em Santos. 

Publicidade
Esta página foi migrada de forma automatizada para o nosso novo visual. Informe-nos caso algo aparente estar errado através do endereço feedback@timeout.com