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RITA CHANTRE | Pop Closet Chiado
RITA CHANTRE

As melhores lojas vintage e de segunda mão em Lisboa

Da roupa à decoração, sem esquecer os artigos de luxo, este é o guia para desbravar as modas de outros tempos.

Mauro Gonçalves
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Há muito que o cheiro a naftalina deixou de estar entranhado nas lojas vintage e de segunda mão. Por toda a cidade, há espaços cheios de personalidade. Na moda, multiplicam-se as abordagens a tendências passadas, com um apetite especial pelo arranque deste século, mas também por artigos de luxo, criações de designer e curadorias de nicho. Além da roupa e dos acessórios, este roteiro de compras (bem mais sustentável do que comprar novinho em folha) também inclui mobiliário de outros tempos e objectos que o vão transportar para décadas passadas.

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Moda em segunda mão – vintage, mas nem tanto

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Foi aqui que tudo começou. A primeira loja de Julie Nobrega e Anthony Bogas abriu em Maio de 2022. Dedicada à streetwear e à estética celebrizada nos início dos anos 2000, o y2k, a Arquívos continua a ser uma paragem obrigatória naquela que é uma das zonas da cidade mais profícua em achados vintage e de segunda mão. Além do vestuário masculino e feminino, a curadoria abrange uma selecção de acessórios, dos óculos de sol aos cintos. A família, entretanto, cresceu e a dupla já abriu mais duas lojas nas redondezas – a Aq2, com uma selecção generosa de peças de marcas de luxo, e a Third Thrift Store.

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  • Areeiro/Alameda

Entrar na Boudoir Vintage Boutique é como afastar a cortina que separa esta antiga sala, reservada à intimidade feminina, do resto da casa. Entre corpetes cor-de-rosa, luvas de renda, camisas de noite, combinações de toque sedoso e robes acetinados, o espaço veio aumentar o nível de especificidade entre as lojas de segunda mão em Lisboa. Aqui, brilha a roupa interior, categoria que abrange verdadeiros achados, peças que contam histórias do trajar feminino do século passado (e não só).

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  • Chiado

O espaço é pequeno e não se parece com as tradicionais lojas de roupa em segunda mão. Ampla e em tons de branco, a Carmo Vintage deixa que sejam os expositores a brilhar. São eles e as peças penduradas que espelham o exercício de curadoria de Liliana Dias, que está longe de ser uma estreante nestas andanças. No final de 2023, abriu a primeira loja em Lisboa – a Amor Fati, que entretanto também se mudou para o Chiado –, com uma selecção ecléctica de essenciais do guarda-roupa, das calças de ganga aos blusões de cabedal. No Chiado, a oferta resulta de um processo mais refinado, com maior presença de marcas de luxo e designers, além de uma piscadela de olho a tendências como o Y2K.

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  • Chiado/Cais do Sodré

Maria Francisca é engenheira de formação, mas o gosto por caçar tesouros (de moda) levou-a a abrir a própria loja. Para trás, tinha já cinco anos de compra e venda de peças vintage e em segunda mão – uma selecção curada, feita sobretudo em plataformas como a Vinted, a Depop e o próprio Instagram (onde vendia), focada na estética y2k, tão característica do início deste século, mas também com algumas peças fetiche, como é o caso dos casacos de peles ou das malas Guess, Gucci e Cavalli. O projecto deixou de ser apenas online e materializou-se em São Bento.

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  • São Vicente 

Na Malala Vintage predomina o espírito – e as estética – dos anos 70. O upcycling de peças faz parte da missão da casa, mas é, muitas vezes, em peças carismáticas de marcas bem conhecidas do público que assenta a oferta, como botas de cowboy, coletes de pele, malas baguete, lenços de seda, padrões florais e cachemiras. Volta e meia, há também colaborações com pequenas marcas locais.

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  • Princípe Real

Esta não é uma moda em segunda mão qualquer. São peças de streetwear criteriosamente escolhidas para ocupar estes expositores, que também já reservam espaço para peças resgatadas directamente dos anos 2000. Há t-shirts, blusões de pele e até fatos de banho, entre muitos outros tesourinhos de outras décadas. Depois de algumas pop-ups aqui e ali, a Mess Vntg assentou ali para os lados do Príncipe Real, onde também organiza eventos especiais – as Mess Sessions – que, além de roupa, juntam música, bebidas e tatuagens.

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  • Chiado/Cais do Sodré

A Moss Vintage não é um depósito de modas, épocas e tendências, mas segue uma linha curatorial e estilos próprios. Numa ronda pela loja, encontramos estes dois mundos a conviver em harmonia. De um lado, uma investida cirúrgica no workwear americano, onde não faltam as gangas, as calças cargo ou as camisas de flanela. Do lado da moda feminina, o registo é outro – um virar de esquina dos anos 90 para a primeira década do milénio, com todas as peças saudosas com que essa era nos brindou. Cinturas descidas, cintos largos e uma selecção composta de blusões de pele curtos, capaz de reavivar memórias até aos millennials mais desatentos.

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  • Chiado

Em 2017, António Branco abriu uma loja de roupa em segunda mão em pleno Chiado. A Pop Closet distinguiu-se logo das demais, em boa parte por causa do faro apurado do seu mentor. Com um extenso currículo como buyer, stylist e editor de moda, percurso que traçou sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil, António fez do espaço uma referência. Oito anos depois, fez as malas e mudou-se. A Pop Closet continua no Chiado, mas foi para o Pátio Siza Vieira, refinando a selecção de peças. Pode encontrar Loewe, Dior, Saint Laurent, mas também Acne Studios e Off-White. Acabamentos industriais, arcadas e pedras centenárias e móveis em madeira que já tiveram outras vidas emolduram não apenas a roupa e acessórios (com preços que podem ir dos 30€ aos 1500€), mas também peças de arte. 

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  • Lisboa

Saiu a Moss Vintage, uma loja de roupa e acessórios em segunda mão que tinha inaugurado neste mesmo espaço em 2025, e entrou a The Wardrobe. Por detrás do projecto estão Lazzinnaro Valerio e Vladyslav Bryk, dois jovens apaixonados pela moda de outros tempos que uniram os seus projectos e criaram um espaço onde convivem diferentes décadas, estilos e designers. Valerio mantém o foco na moda masculina e em marcas e designers italianos, como a Stone Island. São sobretudo peças dos anos 90, muitas vezes com materiais inovadores para a época. Bryk também é ucraniano, mas as peças que colecciona são diferentes. Pela loja encontramos achados de designers bem conhecidos – Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen, Ann Demeulemeester, Vivienne Westwood e ainda uma generosa selecção de criadores japoneses, entre eles Yohji Yamamoto, Issey Miyake e Junya Watanabe.

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  • Chiado/Cais do Sodré

A loja pode parecer pequena, mas tem mais salas para descobrir. O que encontramos na Trading Post é, sobretudo, um guarda-roupa de inspiração americana, com t-shirts cheias de logotipos nostálgicos, blusões ao estilo universitário, calças de ganga de corte clássico e muitas camisas Ralph Lauren. Os acessórios entram em cena para apimentar o styling. O chamado mix and match faz-se com recurso a marcas de luxo europeias e sobretudo com malas e carteiras.

Clássicos obrigatórios – estas lojas nunca passam de moda

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  • Baixa Pombalina

A Outra Face da Lua mostrou à cidade que do fundo do baú podem sair relíquias com muito estilo: dos brincos gigantes e dourados às calças de ganga com os mais diversos feitos, vestidos de corte direito, lenços com franjinhas, uma secção só de quimonos e ainda a roupa desportiva que que esteve tão em voga nos anos 80. Isto em 2005, quando encontrar uma loja de roupa vintage era uma raridade por cá. O espaço, embelezado por arcadas pombalinas, mantém-se aberto até hoje. A curadoria vai dos anos 60 aos 90.

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Tiago Andrade e Bruno Lopes começaram o seu império de lojas vintage há mais de uma década e o pontapé de saída foi dado com a Ás de Espadas, a loja que dedica o seu recheio ao universo feminino, dos anos 20 aos 80. Viaje no tempo entre saias plissadas, blusas de seda e um sortido de malas e acessórios capaz de o entreter durante umas boas horas. Além da loja na Calçada do Carmo, pode também caçar achados na Rua da Conceição. Isto sem contar com o restante império de moda vintage e em segunda mão que têm espalhado pelo centro da cidade. Ora tome nota: a Heartcore para estilos mais rebeldes, a Sons of the Silent Age com peças de luxo e personalizadas, a NewJester só com moda masculina e a Zip Gum Boogie dedicada aos acessórios.

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  • Baixa Pombalina

Dizem que de Espanha nem bom vento bem bom casamento, mas e achados vintage? Com loja em Badajoz e na Baixa Lisboeta, a Paraphernalia está cheia daquelas peças cheias de memória – camisolas e vestidos coloridos, casacos com cortes clássicos e uma grande selecção de gangas. A ideia é que consiga criar um guarda-roupa sem sair da loja a inspirar-se nas silhuetas de outras décadas.

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  • Intendente

Se um roupeiro com umas quantas peças kitsch for o ideal para quebrar o monopólio da fast-fashion, a Retro City Lisboa é, muito provavelmente, o sítio perfeito para o conseguir. Por lá, Esther Martinez apresenta uma selecção que vai dos casacos aos cintos, das calças às camisas, t-shirts e calçado, num buffet interminável de cores, materiais e décadas sem necessidade de perder o amor à carteira.

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  • Castelo de São Jorge

No coração da Mouraria, a Tropical Bairro é uma arca do tesouro para quem quer renovar o armário com peças de outras décadas. Na selecção de roupa destaque para algumas marcas italianas e para o arsenal de camisas estampadas. Tudo a preços de amigo, o que garante que os achados não pesam na carteira.

Nem todo o vintage é roupa

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  • Grande Lisboa

Nem toda a gente gosta de ter uma casa igual ao catálogo do Ikea e não há arquitectura moderna onde não encaixe que nem uma luva uma ou outra peça vintage. No Cantinho do Vintage, local de romaria de muitos lisboetas, as peças de mobiliário e os acessórios de decoração de outros tempos são a perder de vista, sobretudo desde que este projecto português ocupa um armazém com 9000 metros quadrados. Assim, é fácil perdermo-nos lá dentro.

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  • Chiado/Cais do Sodré

Este espaço de design mid centuryvocacionado essencialmente para o design escandinavo, apresenta peças originais de época, mas também de autores desconhecidos. Apesar do trabalho de restauro, é possível encontrar mobiliário e iluminação com sinais de uso ou eventual desgaste condizente com a idade do objecto, mas que fazem jus às tendências dos anos 50 e 60. Entre sofás, poltronas e mesas de apoio, pode muito bem encontrar a peça que vai brilhar no meio da sala.

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  • Lisboa

Manuel e Delfina Domingos começaram como coleccionadores e acabaram como vendedores, até porque o espaço não era assim muito. A The World of Vintage é um lugar conhecido pelos neons e candeeiros que deixam qualquer um de boca aberta, mas há outras peças valem a visita.

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  • Baixa Pombalina

A paixão, primeiro pelo vídeo, depois pela fotografia, foi um acaso, e dura há quase 40 anos. Um mês depois de inaugurar uma loja-museu no Porto, onde tem expostas cerca de 700 câmaras analógicas, Rui Teixeira trouxe a Vintage Cameras para Lisboa. Na Baixa, o espaço tem feito sucesso e inundado as redes sociais. A atracção principal é uma cabine fotográfica, onde podemos entrar e recuar aos anos 20 para eternizar momentos através de retratos a preto e branco. Mas o verdadeiro tesouro é a montra de máquinas fotográficas, umas à venda, outras tão raras que só pode mesmo admirá-las.

Às compras em Lisboa

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Lisboa não pára de somar novos balcões e montras que merecem uma visita. Entre marcas nacionais empenhadas em promover um consumo sustentável, uma nova vaga de lojas de segunda mão, roupa para ir a banhos, cosmética coreana – e até um gigante da fotografia –, o roteiro de compras está em permanente renovação.

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