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©Inês Félix

Lojas históricas em Lisboa: velhas, mas boas

Fomos bater à porta de algumas das casas mais antigas da cidade. São as lojas históricas em Lisboa.

Escrito por
Editores da Time Out Lisboa
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Lisboa sabe o que é o charme da terceira idade. São espaços centenários, com histórias para contar e muitos tesouros para descobrir. Conhecer a cidade é também conhecer as lojas históricas em Lisboa. Cada uma é como uma gaveta de memórias da cidade que somos. Mas são históricas também porque resistem. Corremos a cidade e atravessámos séculos de porta em porta para lhe trazer um roteiro por 50 grandes lojas que continuam a servir bem e à antiga, hoje, numa rua perto de si. Uma viagem que aqui começa em 1741 com a Fábrica Sant’Anna (1741) e termina no acolhedor bar A Paródia, aberto por Luís Pinto Coelho dois dias depois do 25 de Abril de 1974.

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Lojas históricas em Lisboa: velhas, mas boas

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  • Arte, artesanato e passatempos
  • Alcântara

Tem montra na Rua do Alecrim desde 1916, mas o centro nevrálgico deste maduro negócio mora na Ajuda. Aí, a cada passo que damos, numa das mais antigas fábricas de Lisboa, encontramos quadrados de história nas paredes. Inaugurada em 1741 na Rua de Sant’Anna à Lapa, mudou-se para a Junqueira quando a Avenida Infante Santo rasgou a fábrica ao meio. Nos anos 30 instalou-se na Ajuda, onde ainda funciona hoje, também como loja (além da segunda loja na Rua do Alecrim). Aqui tudo se cria através do uso de técnicas ancestrais e processos artesanais, da modelação à cozedura. Tanto pode encomendar um azulejo com padrões do século XVI, painéis de azulejos e faiança, encomendar um restauro ou mesmo frequentar um workshop de azulejos. Estará a aprender com os melhores.

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  • Santa Maria Maior

A mesa onde Fernando Pessoa escreveu muitos dos seus poemas continua reservada para o poeta, mas todas as outras estão disponíveis para se provarem pratos típicos portugueses. Neste café-restaurante servem-se pastéis de bacalhau, peixinhos da horta, amêijoas à Bulhão Pato, arroz de pato, bacalhau à lagareiro ou o bife à Martinho.

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  • 5/5 estrelas
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  • Decoração
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Esta oficina é tão velhinha, tão velhinha que o nome sobreviveu a quase todos os acordos ortográficos. Anterior à chegada da electricidade a Lisboa, vai na sexta geração de família Sá Pereira. O alvará para a sua abertura exigia que a loja tivesse duas tochas acesas à noite para iluminar a rua, numa altura em que a cidade era bem mais escura quando o sol se punha. Nesses tempos, as velas eram de sebo, o que emanava um cheiro pouco simpático. De França, o fundador Domingos Sá Pereira trouxe a técnica de fabricar velas com cera de abelha, ainda hoje o ex-líbris da casa, perdão, caza. Há velas para todos os gostos e orçamentos, mas nem só de cera vive o negócio. Aqui ainda se fazem pavios para lamparinas de azeite.

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  • Cais do Sodré

Sabe o que se faz numa latoaria? Entre nesta e saia com a lição toda estudada. História não lhe falta. Em 2015 fechavam-se as portas da famosa Casa Maciel na Rua da Misericórdia. Margarida Gamito, da sétima geração de proprietários, tinha dois caminhos: conformar-se com o fim de mais de dois séculos de história ou dar novo fôlego à casa que o pai lhe tinha confiado. Prevaleceu a segunda opção, claro. Até porque não havia como resistir a ser a primeira mulher à frente do negócio. Um ano e meio depois e com um empurrãozinho de Catarina Portas, a Maciel reabriu portas no Cais do Sodré e recuperou o nome original. O espaço é camarário e incomparavelmente mais pequeno (o anterior ocupava o piso térreo de dois prédios), por isso, muita coisa ficou de fora. Registos de antigas encomendas e doações (entre elas, taças de comida para os animais do Jardim Zoológico), lanternas quase tão antigas como a própria loja e moldes que nunca mais acabam. A Maciel também anda a ensinar o ofício no renovado Mercado do Bairro Alto, hoje Mercado dos Ofícios.

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  • Restaurantes
  • Cafés
  • Baixa Pombalina

Foi a confeitaria que trouxe o bolo-rei para Portugal, uma receita que se mantém inalterada desde 1875 e continua a ser motivo de romaria por altura do Natal. Nesse ano, já a casa fundada por Balthazar Roiz Castanheiro funcionava há 46 anos e seis gerações passadas continua a cargo da mesma família. Na casa-mãe, localizada na Praça da Figueira, pode bebericar um chá e decidir-se entre algumas das especialidades, como pastéis de nata, duchesses ou enfarinhados (massa de amêndoa envolvida numa boa camada de açúcar em pó).

  • Museus
  • Infância
  • Santa Maria Maior

Admite bonecas para internamento, faz diagnósticos, operações, endireita pernas e braços e até transplanta olhos. Quando é declarado o óbito, vão directas para a morgue e tornam-se dadoras de órgãos. Aqui também se confeccionam e reparam as roupas das bonecas e, noutra oficina, fazem-se lavagens profundas de peluches.

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É a segunda livraria mais velhinha de Lisboa (a seguir à Bertrand, a mais antiga do mundo em funcionamento), mas está como nova. Em 2017 renasceu porque José Pinho, dono da livraria da Ler Devagar, investiu nesta nova Ferin, que tem agora um bar, uma secção infantil e quer apostar na venda de autores portugueses traduzidos em línguas estrangeiras.

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  • Grande Lisboa

Foi neste estabelecimento que se vendeu pela primeira vez ginjinha em Lisboa (e no mundo) graças à visão do galego Espinheira, que em 1840 experimentou fermentar ginjas dentro de aguardente, juntando açúcar, água e canela. Obrigada Sr. Espinheira.

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  • Intendente

Não tem como se enganar: é o edifício com a fachada integralmente decorada por azulejos figurativos. São a prova do pioneirismo desta antiga olaria no uso da publicidade. Lá dentro encontra os azulejos e os objectos de cerâmica que a casa produz desde 1849 e que estão por toda a cidade (no metro do Intendente, por exemplo, com assinatura de Maria Keil).

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  • Santa Maria Maior

Começou por ser uma casa de pasto fundada por Agapito Serra Fernandes (que também criou o Bairro Estrela d’Ouro), tio-avô da co-proprietária Dolores Fernandes. Supostamente Agapito teria um remoinho no cabelo em forma de estrela. É uma teoria, mas a realidade é que neste restaurante com seis divisões em madeira comem-se bons e baratos pratos tradicionais. Um dos clientes frequentes é o maestro António Victorino d’Almeida.

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  • Joalharia
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Seis gerações, duas remodelações, uma delas projectada por Cassiano Branco, e muitos diamantes pelo caminho. Esta ourivesaria tem história que não acaba, a par de peças e serviços que já são raros nos dias que correm. Há sempre um avaliador na loja e uma notável colecção de móveis-faqueiro.

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  • Santa Maria Maior

Foi baptizada em honra do príncipe que a visitou e é um raro exemplar de uma tabacaria de finais do século XIX. Fundada em 1875, vende tabaco, jornais e revistas e apresenta uma decoração naturalista única, que inclui pinturas e azulejos de Rafael Bordalo Pinheiro. Mesmo que não fume, vale a pena ver com os próprios olhos. Já agora, aproveite e compre a revista Time Out.

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  • Chiado

Da mesma maneira que, quando queremos loiça a sério, vamos à Vista Alegre, quando queremos ir à Vista Alegre, escolhemos, de preferência, a loja do Chiado, onde a marca se encontra desde o século XIX. Tudo o que faz desta uma das mais históricas e carismáticas marcas portuguesas está aqui: as peças assinadas por artistas portugueses, as colaborações com a Lacroix, as edições comemorativas, os cristais da Atlantis e o serviço de personalização de peças. Deseja mais alguma coisa?

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  • Baixa Pombalina

Se é para encomendar uma bandeira como deve ser – por exemplo, uma bandeira nacional com castelos em vez de pagodes – este é o sítio. Foi da Primeira Casa das Bandeiras que saíram as primeiras duas bandeiras da República Portuguesa, para gáudio do republicano fundador da casa, António de Almeida Cardoso.

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  • Acessórios
  • Santa Maria Maior

Durante décadas, foi esta a chapelaria que ditou a moda em Lisboa. Do rei D. Carlos a Fernando Pessoa, todos saíam de lá bem embarretados. No final do século XX, a Azevedo Rua aumentou a oferta para as mulheres. Pena que hoje em dia os chapéus já não sejam assim tão usados como no tempo da Canção de Lisboa. Mas se quiser compor o cenário aqui também há luvas e bengalas.

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Em 2016, a barbearia mais emblemática de Lisboa reabriu portas no Chiado e toda recauchutada. Obras que, primeiro, espreitaram em tom de ameaça. Os novos senhorios queriam transformar a Barbearia Campos num lobby para os apartamentos turísticos novinhos em folha. Felizmente, a Câmara meteu-se ao barulho e tudo acabou da melhor forma. Além de continuar a funcionar, a casa recuperou o brilho de outros tempos. Tempos em que cada cavalheiro tinha os seus próprios utensílios de barbear, em que se atendia realeza de toda a parte e intelectuais de excepção, como Fernando Pessoa e Ramalho Ortigão. A bancada de mármore até reluz de outra maneira, ao lado de verdadeiras peças de museu. Nas paredes, há vestígios do tempo em que tudo funcionava a gás, mas também um quadro de memórias. É lá que encontramos a apólice de seguros de 1886 e, na falta de certezas sobre o ano de fundação da casa, prevalece o documento mais antigo. A clientela, essa, é de todas as idades. Do freguês de há décadas aos rapazolas, portugueses ou camones, tudo vem aqui parar.

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  • Chiado

Podemos dizer que esta loja está para o Chiado como as pirâmides estão para o Egipto. A Paris em Lisboa é o reduto de um Chiado que já não existe, viveu ainda na era de sua majestade, assistiu às duas grandes guerras e à revolução, viu o fogo ao fundo da rua e foi-se moldando à passagem do tempo. No início, era loja e confecção, recheada das mais luxuosas importações parisienses, tinha 60 costureiras, uma modista francesa e uma freguesia que abarcava toda a nobreza da época, incluindo a própria rainha D. Amélia. A cidade e o país levaram uma reviravolta e a Paris em Lisboa especializou-se no tecido a metro até ao final dos anos 70, altura em que a chamada secção dos brancos passou para a linha da frente. Os lençóis e as toalhas mantêm-se até hoje. Os turistas são quem mais vibra da porta para dentro (afinal, todo o mobiliário da loja continua a ser o original), se bem que os lisboetas fiéis à casa continuam a aparecer.

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  • Santa Maria Maior

Além de uma cortadora de presunto, datada de 1923, aqui encontra um pouco de tudo do melhor que há, do bacalhau da Islândia e da Noruega aos queijos e presunto. Este espaço tornou-se Manteigaria Silva em 1956, mas começou por ser o matadouro que abastecia a Praça da Figueira. E histórias há muitas, como a restrição à compra do bacalhau após o 25 de Abril. Numa notícia do jornal O Dia, de 1977, aparece um dos funcionários a vender bacalhau com um polícia ao lado.

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  • Santa Maria Maior

Foi fundada pelo avô dos actuais proprietários, mas a venda daquela ginjinha para aquecer o coração nos dias mais frios, com ou sem elas, quase que acabou nesta pequena loja instalada num edifício que agora virou hotel. Mas o povo manifestou-se em força contra o fecho e não há rival que acabe com ela.

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  • Perfumarias
  • Baixa Pombalina

Quem diria que a loja que vende as famosas toucas às flores já tem mais de 120 anos? Nada mal. Ao contrário dos velhos negócios familiares que passam de pais para filhos, entre os três proprietários que a Drogaria Oriental já teve, não há qualquer parentesco. Nas prateleiras mantêm-se as especialidades da casa e não há grande superfície que lhes faça sombra. São escovas de fios de seda, sabonetes Ach. Brito, cremes Benamôr, perfumaria avulsa (ainda com os frascos antigos) e, claro, as toucas que um dia Cristina Ferreira descobriu e que, depois disso, começaram a sair que nem pão quente para todos os pontos do país. E o balcão é mesmo o original.  

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Espingardaria Central A. Montez (1902)
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  • Santa Maria Maior

A original montra em pedra com gravações a preto, criada em meados do século XX, chama a atenção dos menos belicistas, até porque aqui também há ténis, mochilas ou casacos da ASICS. Se for mais adepto do MacGyver há canivetes suíços de vários tamanhos: um pequeno fica-lhe por 30€ e não o deixa ficar mal. Foi nesta loja que em 1908 o regicida Manuel Buíça comprou a Winchester que matou o rei D. Carlos.

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A loja é do início do século passado, mas toda a decoração parou no final dos anos 40. Recentemente, uma pequena sociedade comprou a sapataria ao neto do fundador, mas este continua a ser um negócio familiar: João e a mulher Alexandra Lourinho, mais Sofia Lourinho (irmã de João) e o marido, Denis Dâmaso, abraçaram o negócio dos sapatos e mais tarde juntaram-se outros sócios fora do núcleo familiar. É que a casa está em expansão, tem mais uma loja na Rua do Carmo, outra em Campo de Ourique e outra no Funchal. Todos os sapatos são feitos à mão em Portugal e os fornecedores são os mesmos (como a Armando Silva, aqui na imagem com um derby de 195€). A decoração é de origem. Modernizaram o logotipo, aspiraram as caixas de sapatos dos anos 50 que decoram as paredes, forraram os sofás, poliram o chão e abriram, no antigo armazém da porta ao lado, a Shoes You by Sapataria do Carmo, porque a loja original é pequena. Num futuro próximo será possível fazer sapatos por medida. Tome nota.

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  • Restaurantes
  • Cafés
  • Chiado

A Brasileira tornou-se um sítio de passagem e ponto de encontro, com a estátua de Lagoa Henriques a provocar selfies de turistas ao colo de Fernando Pessoa. Mas ainda por ali paira alguma da mística do lugar, palco de tertúlias intelectuais da geração de Orpheu, a justificar uma reconciliação. Isto para não falar de ser obrigatório carimbar no passaporte de todos os lisboetas com um café ao balcão, vindo do lote da casa.

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  • Baixa Pombalina

Quando se pensa na rua das retrosarias em Lisboa, vem de imediato à cabeça dos lisboetas esta loja, a lindíssima fachada em tons de azul, a decoração Arte Nova e o letreiro ainda escrito à moda antiga onde se lê Retrozaria Bijou. Lá dentro, apesar de as lãs dominarem boa parte da oferta – estão lá as revistas espanholas Katia para consulta de modelos –, ainda se encontram botões, fitas, bordados, sedas, missangas e outras contas, que somam milhares de referências. E pode fotografar à vontade a máquina registadora centenária que ela está bem habituada aos flashes.

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  • Papelarias
  • Chiado/Cais do Sodré

Na fachada, inscrições na pedra ou uma placa de metal onde se lê “vendem-se estampilhas e mais fórmulas de franquia de correios e telegraphos”. Hoje encontra aqui tabacos, artigos de papelaria, imprensa, postais para os turistas e bilhetes para espectáculos da ZdB. A loja está quase igual ao dia da sua inauguração, mantendo o interior em madeira, e ao leme tem Ana Martins, que sucedeu ao pai e ao avô. Lá dentro, escondidas numa parede, estão pequenas gavetas onde se guardavam as lotarias dos clientes que jogavam números certos.

  • Bares
  • Pubs
  • Cais do Sodré
  • preço 1 de 4

Inspirado nos concorridos pubs britânicos, foi fundado em 1919, tornando-se mais tarde ponto de encontro de artistas, entre eles José Cardoso Pires que o lembra em 1997 no seu livro Lisboa. Livro de Bordo. O bar que também serviu de cenário para o premiado filme A Cidade Branca (1983) de Alan Tanner, sobre um marinheiro que desembarca em Lisboa, distingue-se pelo relógio do século XIX cujos ponteiros giram ao contrário e pela cerveja de gengibre de produção própria.

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  • Avenidas Novas

Entrar na pastelaria mais clássica desta zona é como regressar aos anos 20 (ou assim o imaginamos). Há pinturas dos jardins de Versailles do pintor Benvindo Ceia e vitrais de Ricardo Leone, num projecto da autoria do arquitecto Norte Júnior. Os tectos são trabalhados, os espelhos em art nouveau e os candeeiros de cristal, motivos mais que suficientes para se sentir à vontade para comer um saboroso croquete de faca e garfo. Se quiser faça o mesmo com um palmier.

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  • Floristas
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  • preço 2 de 4

“Ó Virgílio, você tem um pequeno jardim, mas as suas flores nunca acabam.” A frase é de Vasco Santana e Virgílio foi o penúltimo proprietário, antes de Elisabete Monteiro, a actual, comprar o negócio. É um dos mais raros exemplos de lojas de vão de escada em Lisboa e chegou a ser famosa entre os artistas dos teatros vizinhos, como Beatriz Costa ou mesmo Josephine Baker.

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No ziguezaguear obrigatório que é atravessar a Rua das Portas de Santo Antão – “No, thanks”, “Non, merci”, Não, obrigada, já almocei!” – há uma porta que muitas vezes fica esquecida, mas que merece ser transposta: a das Ferragens Guedes. Ícone da rua, fundada pelo avô de José Guedes, é especializada em ferragens para móveis de estilo e batentes de portas. Apesar de ter de tudo um pouco, desde dobradiças a terminais de varão, de fechaduras a números de porta. “Temos nove mil e tal referências, temos os nossos moldes, alguns do tempo do meu avô e outros que fazemos”, conta. Feito o molde, é sair para a fundição.

  • Coisas para fazer
  • Santa Maria Maior

Esta pérola foi fundada em 1923, por Mário Lopes de Moraes, e permanece nas mãos da mesma família há cerca de três gerações. Nesta loja, o o café e o chá assumem o protagonismo, sem descurar todos os produtos associados a esta experiência, como vinhos, nacionais e estrangeiros, doces e compotas, bolachas e biscoitos, chocolates, máquinas de café e bules, claro. O letreiro luminoso é um dos sobreviventes de um Rossio em néons que o tempo já não traz de volta, assim como as máquinas 
de moagem de café, para onde entram os grãos torrados do Lote Pérola do Rossio e do Ultramarino, este último feito apenas com cafés vindos de ex-colónias portuguesas. Há chás vendidos a quilo, de misturas pré-feitas ou de sabores escolhidos pelos clientes, há chocolates portugueses e suíços e muitos biscoitos, como os esses de Alcobaça.

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  • Avenida da Liberdade

Velhas, nem vê-las. O nome remete para as origens do restaurante, uma casa de pasto com mesas corridas e com uma equipa de mulheres a servir. Mais velhas, pois claro. A casa que chegou a passar pelas mãos de um antigo campeão de luta livre chamado Manuel Gonçalves tem hoje ao leme o casal Guadalupe e José Gonçalves, filho do anterior proprietário que pegou n’As Velhas na década de 80. E a comida e o que lhe chega à mesa faz valer cada euro que lhe cair na conta. Sejam os rojões com castanhas, o tamboril à Bulhão Pato, os peixinhos da horta ou o bacalhau no forno à moda da casa. Tudo se desfaz na boca e transpira a paixão que Teresa Domingues e Sabrina Bento têm pela cozinha, enquanto a arte de servir fica nas mãos de Paulo Pinto e Joaquim Santos. “Para nós são família”, defende Guadalupe, enquanto se alonga na descrição das horas de muito trabalho e correria no turno do jantar, mas sempre acompanhada pela boa disposição destes funcionários. Já a ementa, garantem-nos, é quase directamente proporcional ao gosto dos clientes: a equipa estuda as reacções de quem se senta à mesa e só fica na carta o que é provado e aprovado por quem visita esta velha casa.

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  • Joalharia
  • Santa Maria Maior

Fomos recebidos por Paula Gião, que trabalha na casa há apenas dois anos, mas que parece ter vivido aqui toda a vida. Fala com paixão pela casa e pela joalharia, enquanto folheia um livro de encomendas dos anos 50. Enquanto isso, dá-nos uma lupa para vermos de perto uma antiga e pequena pregadeira que está à venda há décadas, porque pelo meio esteve escondida. Ouro amarelo, esmeralda, rubis, diamantes, pérola de água doce: são 1700€ . Tudo brilha à volta de uma equipa habituada a trabalhar em marcas de luxo, mas nada tema: por 20€ consegue comprar um par de brincos. Os turistas são quem mais visita a loja, mas também aqui chegam casais nativos em busca da aliança perfeita, ao estilo 007. É verdade, uma cena do filme 007 - Ao Serviço de Sua Majestade (1969) foi gravada aqui, num momento raro em que Bond compra uma aliança de casamento à futura Tracy Bond. Hoje, as jóias já não são feitas na casa, encomendam-se a oficinas parceiras. Mas se quiser ter uma ideia da arte que aqui se produzia, da próxima vez que for a Braga olhe bem para o sacrário da Igreja do Bom Jesus.

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  • Lojas de bebidas alcoólicas
  • Baixa Pombalina

Nas mãos da mesma família desde a dia de abertura, a Garrafeira Nacional, que nos últimos anos estendeu os seus tentáculos a mais duas lojas em Lisboa (a GN Cellar, na Baixa e ao Mercado da Ribeira), continua a ser o sítio certo para descobrir vinhos caros, comprar os mais correntes, as bebidas espirituosas, os licores, tudo. Tem tanta oferta, muita dela rara, que existe mesmo um museu com garrafas especiais, tanto portuguesas como estrangeiras, visitável na loja original da Rua de Santa Justa. Não pense porém que tudo aqui está coberto de pó. Antes pelo contrário: até avaliam (e podem comprar) garrafas que tenha em stock.

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  • Santa Maria Maior

Atire-se à variedade conserveira desta loja que vive na Rua dos Bacalhoeiros há anos e está, ela própria, muito bem conservada (a piada impunha-se). As prateleiras de madeira forradas a coloridas latas de conservas convidam à compra das marcas exclusivas da casa, a Tricana, a Prata do Mar e a Minor, e há um banco de madeira que promove o convívio entre clientes e moradores. Na Conserveira de Lisboa vendem-se as latas a clientes, a grossistas escolhidos a dedo e a negócios mais pequenos, como mercearias e outras lojas, que permitem manter a qualidade dos produtos.

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  • Castelo de São Jorge

Aqui está uma loja com muito cabedal. E com muitas solas, fivelas, ferramentas, cordões e botões. A Casa Forra tanto pode dar uma nova vida aos seus cabedais, deixando malas, carteiras ou sapatos nas mãos de profissionais, como fornecer-lhe tudo o que precisa, desde matéria-prima a acessórios e produtos, para abraçar um projecto curtido.

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  • Santa Maria Maior

“Tudo o que é produto da nossa área fazemos questão de ter.” A frase, dita pelo Sr. António, gerente de uma das drogarias mais populares da cidade e negócio que se prepara para entrar na terceira geração dentro da mesma família, não tem um pingo de exagero. Quem se abastece de champôs, vernizes, cremes na São Domingos sabe que as prateleiras estão forradas literalmente até ao tecto de frascos e boiões e que dificilmente a resposta será “não tenho” a qualquer pedido que se faça. Vendem todo o tipo de cosméticos capilares e corporais, os químicos que ainda são permitidos por lei, como os branqueadores para roupa ou a soda cáustica e, explica António, “também nos especializámos em produtos vocacionados para pessoas africanas.” Daí que não passe uma única hora sem que a loja esteja a rebentar de clientes de todos os credos e etnias.

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  • Mercearia de bairro
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

"Vai pingando", responde Celestino Almeida, à pergunta da praxe: "Como vai o negócio?" Os tempos são outros, diz, "a malta nova já não quer saber do bacalhau, do feijão a granel", mas nem isso o demove de continuar a ter produtos frescos todos os dias. Seja o pão de Mafra, as carcaças, os queijos frescos, "a mortandela que corto aqui na fiambreira", além de arrozes, massas, cereais, águas, tudo etiquetado à mão em papelinhos. A loja toda forrada a armários antigos azuis claros, balcão de mármore e ladrilhos amarelos, é um deleite para o Instagram, e o próprio dono, vindo de Oliveira de Frades de castigo, com 10 anos, trabalhar para a loja do padrinho, está bem habituado a fama e fotografias. Passe para dois dedos de conversa e de saída leve um Esquecido, uma bolacha aparentada de bolo caseiro e viciante.

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  • Centros de jardinagem e estufas
  • Santa Maria Maior

Uma das lojas mais fotogénicas da cidade é também um daqueles negócios em vias de extinção, pelo qual fazemos figas para permanecer activo por muito mais décadas. Nós e os actuais donos, que continuam a exportar sementes para o mundo e que também fazem importação (o chamado import/export) de Portugal e da Europa, dos mesmos fornecedores há mais de 80 anos. Têm duas marcas próprias, a Hortelão, dedicada a produtos hortícolas e a Jardineira, para as sementes de jardim, empacotadas pela própria equipa da Soares & Rebelo. Há sementes de todos os legumes e mais alguns, de ervas aromáticas, de flores – têm também bolbos da Holanda – numa comercialização que vai “desde o pacote de 2 gramas até à tonelada”, lê-se no site, e têm ainda algumas leguminosas em sacos, para venda a granel, como o feijão anão rajado, a fava saloia ou o feijão manteiga, que são exclusivamente para plantar – não diga que não avisámos.

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  • Santa Maria Maior

O selo está longe de ser um bem de primeira necessidade, mas esta loja, além de histórica, está na primeira fila das que tem de conhecer. Fundada por Augusto Molder, pai do conhecido fotógrafo Jorge Molder, deve hoje as portas abertas à paixão de Luís Santos e de Cármina Correia pelos quadradinhos de papel. Ele, colaborador há mais de 40 anos. Ela, recordista de anos de casa, há 69 atrás deste balcão. Inevitavelmente, a vida de Cármina confunde-se com a da própria Filatelia A. Molder. E aqui continua, mesmo depois da reforma. O ritmo a que a clientela entra já não é o de antigamente. Num dia bom, podem chegar a uma dúzia. Em dias menos convidativos, não passam dos três. Mas a casa também se ajustou ao ritmo dos novos tempos. Deixou de ter moedas e obras de arte, como no início, foi dispensando os mais de 20 empregados e desistiu de acompanhar as grandes edições internacionais. Vão chegando as novidades dos CTT, fora o espólio de milhões de selos distribuído por várias salas. Para Cármina, que conhece cada classificador (álbum de selos) de cor, só há uma certeza para o futuro: a loja ainda vai virar museu.

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  • Avenidas Novas

A idade avançada não impediu a Pérola do Chaimite de continuar a apostar na divulgação e venda de produtos à moda dos tempos de hoje. Tem um delicioso site – e por delicioso entenda-se uma montra das dezenas de produtos gulosos que vende – e continua a trazer ao centro da cidade uma série de marcas, como os famosos bolos da Casa Gregório, em Sintra, o vinho de Carcavelos, os caramelos El Casario ou os rebuçados Diamante. Isto sem entrar na extensa lista de cafés de São Tomé e Príncipe, Colômbia ou Nicarágua e dos chás e tisanas que lhe deram fama ao longo dos anos e, pela popularidade do sítio, continuam a dar.

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  • Cafés
  • Lisboa

A história do comércio lisboeta não se conta apenas na Baixa da cidade. Em Campo de Ourique está instalada uma pérola da pastelaria alfacinha, onde encontramos muita gente do bairro, embora também caiam aqui franceses, ingleses e espanhóis. A visita começa a valer a pena mesmo antes de entrar, num edifício brindado com uma montra em ferro e decorado a azulejos. Apesar do nome, o que começou por ser apenas uma padaria hoje confecciona também pastelaria e refeições, de filetes de pescada a bifes de porco panado. São mais de 40 funcionários a trabalhar na Panificação Mecânica, nem todos ao balcão. Rute faz-nos o favor de posar para a fotografia e vende-nos quatro deliciosos mini-croissants de doce de ovo e canela, um delicioso exemplo do que pode levar para casa.

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  • Grande Lisboa

Lençóis mais brancos não há e esta loja que o diga. Em tempos já satisfez os caprichos de clientela bem mais selecta, dos Kennedy a casas reais por toda a Europa. Também vende toalhas, camisas de noite e aqueles vestidos para baptizar crianças indefesas. Tudo imaculado e bordado ao gosto do freguês.

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  • Livrarias
  • Chiado

Este mundo é uma livraria dedicada à venda de gravuras. No Mundo do Livro, encontra uma sala com cerca de 400 gravuras originais e que são o principal negócio da casa e ao longo dos três andares há tesouros sem conta. Mas um é especial. O Livro do Menino Deus, de Aquilino Ribeiro, corrigido à mão pelo autor para resultar numa edição do Mundo do Livro chamada Sonho de Uma Noite de Natal (1956).

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  • Mercearias finas
  • Benfica/Monsanto

Localizada na Estrada de Benfica, longe do rebuliço do centro, fica a apenas 8km do coração de Lisboa e vale muito a pena a visita, não só pela qualidade do que aqui se vende, mas também pelo atendimento de Sérgio e Rita Solposto. É este o incrível nome da família que pegou no negócio há uma geração. A mãe de Sérgio, Pureza Lopes Calçada Solposto (assim completo, um dos melhores nomes da nossa praça), é uma antiga funcionária que comprou a loja ao antigo proprietário, o Sr. Laço (mais um apelido vencedor), e é ainda a dona do negócio fundado em 1949. Na loja encontramos caixas que guardam tradicionais biscoitos portugueses, dos ésses tipo Azeitão a umas invencíveis bolachas de limão. Essencialmente, vende-se a granel, café incluído. É torrado a lenha todas as semanas na Flor da Selva, pequena torrefação na Madragoa, e a ele juntam-se na loja frutos secos, figos do Algarve, licores, broas, deliciosos bombons, tudo do mais gourmet que há, arrumado ao milímetro. São 1300 produtos diferentes, o que faz da Solposto uma espécie de dispensa dos nossos sonhos.

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  • Chiado/Cais do Sodré

Lembra-se quando era pequenino e ia todos os anos ao fotógrafo registar o crescimento com cenários incríveis em fundo? Adriano Filipe, o dono da Fotografia Triunfo, que começou a aprender o ofício com apenas 12 anos com Américo Tomás da Silva, o fundador da casa, ainda faz lembrar esses tempos. E na loja conserva muitas memórias e geringonças que tem para expor e vender, estando mesmo a preparar a loja que irá acumular funções como museu, graças à colecção de máquinas de todos os formatos, feitios e épocas que decoram o espaço, sem contar com o acervo fotográfico com imagens de Natália Correia, Henrique Viana ou de um jovem António Costa. Lá dentro, um camarim para os preparativos e um lamento: “Antigamente, estava aqui rodeado de fotógrafos e havia trabalho para todos”, desabafa Adriano. Por estes dias, clientela procura-se.

  • Coisas para fazer
  • Avenidas Novas

A Casa Xangai anda na mesma família há várias gerações. Três, para sermos precisos. O que coincide com outras tantas gerações de clientes. Os enxovais para bebés, os vestidos para baptizados ou as roupas de cerimónia para crianças são capazes de derreter corações de pedra. E são os artigos mais vendidos, a par dos lenços de assoar e da roupa interior para senhora. Mas se não estiver a precisar de nada disto, entre para outras compras: aqui também há conjuntos de mesa com bordados de Viana ou da Madeira. A loja está localizada num dos edifícios das Avenidas Novas que sobreviveram à razia arquitectónica das décadas de 70 e 80, projectado pelo arquitecto Norte Júnior – vencedor de quatro Prémios Valmor, o primeiro deles pela moradia do pintor José Malhoa, a actual Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves.

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  • Antiguidades
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

É a maior e mais antiga loja do mundo especializada em azulejos originais. Verónica Leitão é a terceira geração da família a abraçar o negócio que inclui um número infindável de azulejos portugueses dos séculos XV a XIX, painéis originais, como o Painel dos Saltimbancos que nasceu no século XVIII na Quinta dos Anjos de Carnide (por 8200€ é seu), muita porcelana das Caldas da Rainha, colunas em talha, portas, peças de exterior, um cantinho Bordalo – tudo, enfim, o que Manuel Leitão, filho do fundador, acredita ser a alma de um povo. “Não estamos a vender, estamos a transmitir conhecimento e peças a gerações futuras”, defende. E é seguro comprar aqui azulejos: “Não compramos em pequenas quantidades, porque podem ser azulejos roubados. Tudo o que compramos é reportado à polícia”, explica Verónica. Se quiser um bonito azulejo, por 10€ vai bem servido.

  • Restaurantes
  • Padarias
  • Chiado/Cais do Sodré

Impossível falar de boas padarias sem falar da Panificação São Roque. Foi fundada em 1961 e fez a fusão de várias padarias mais pequenas espalhadas pelo Bairro Alto. Tem hoje uma fábrica de pão e de bolos, sete pastelarias e um depósito de pão. A mais bonita é a Padaria de São Roque, uma das mais antigas da cidade ainda de portas abertas. Ocupa parte do antigo Palácio dos Salemas, demolido em 1883 e o edifício onde funciona é posterior a 1899. Clássicas são também as fatias do pão de centeio que aqui se vende, utilizadas para fazer as famosas torradas do Gambrinus.

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  • Moda
  • Lisboa

É um dos sítios a ir se está farto de borbotos na roupa à segunda lavagem. Contam dois ou três turistas por semana, mas alguns clientes antigos ainda tocam à porta do escritório do fundador Durbalino Figueiredo, do outro lado da rua. Quando estava à frente do negócio, ora estava no armazém, ora no escritório, e assim se criou o hábito. Hoje são os netos Tomás e Tiago Marques que mantêm o espírito de bairro, a qualidade dos artigos e dão um cheirinho de inovação ao negócio de família, apostando em designers emergentes, como é o caso da marca de acessórios MI MITRIKA que faz pregadeiras, luvas sem dedos e colares, tudo em crochet. Tiago e Tomás são novos, mas têm um saber antigo. “O avô ensinou, mas também temos aprendido alguns métodos com os fabricantes”, explicam. A decorar a loja estão as malas onde Durbalino carregava as amostras de tecidos que mostrava a clientes por todo o país.

  • Noite
  • Cafés/bares
  • Estrela/Lapa/Santos

Na década de 70, o fundador, Luís Pinto Coelho, tinha ali uma loja de antiguidades onde aconteciam tertúlias a favor da revolução. O nome é uma homenagem à revista de sátira de Rafael Bordalo Pinheiro e muitos dos seus desenhos estão nas paredes. Entre os clientes famosos encontrava-se, por exemplo, José Cardoso Pires que costumava monopolizar o enorme cinzeiro do balcão do bar e enchê-lo de beatas. O espaço à porta fechada tem um ambiente intimista e convida a largas horas de boa conversa acompanhadas de um copo dos mais de 50 cocktails da carta.

Mais lojas em Lisboa

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Algumas das melhores concept stores em Lisboa têm morada no Príncipe Real, mas também há espaço para designers portugueses num dos bairros mais cool da cidade, onde há uma porta aberta a cada dois passos. É verdade que pode ir tropeçando nos turistas, mas há algumas portas onde tem mesmo de parar para entrar, seja para encher a casa (do vintage ao moderno), o armário (com direito a fatos de banho todo o ano), e até o quarto dos brinquedos dos miúdos. A oferta é variada e não desilude: é o bairro da família real das lojas. Conheça as melhores lojas no Príncipe Real.

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O encanto da 10.ª rua mais luxuosa do mundo está nas lojas que enchem as belíssimas montras de peças de roupa, sapatos, jóias e relógios com preços com mais de quatro dígitos. Junte-se aos turistas mais ricos para ver as modas, cumprimentar o segurança à porta e estoirar o ordenado sem culpas, se por acaso é isso que lhe apetece fazer. Mas saiba que entre as melhores lojas da Avenida da Liberdade também se encontram espaços acessíveis e até algumas pechinchas. Não acredita? As provas estão aqui mais a baixo.

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É o coração de Lisboa e, apesar das subidas e descidas serem as maiores inimigas de quem passeia cheio de sacos, o Chiado continua a ser o grande centro comercial ao ar livre da cidade. Paredes meias com casas centenárias, há marcas todas moderninhas, peças de designers, cadeias internacionais e boutiques cheias de charme e circunstância. Dos sapatos às carteiras, das roupas aos óculos, passando pela decoração, esta é a nossa escolha das melhores lojas no Chiado. Trocado por miúdos, sítios onde é muito tentador abrir a carteira e passar o cartão.

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