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Os Loucos Anos 20
Fotografia: Mariana Valle LimaPaula Gomes Magalhães

Heroína da cidade: Paula Gomes Magalhães, a investigadora

A jornalista e investigadora nascida no Barreiro é autora de vários livros sobre uma Lisboa desaparecida. ‘Os Loucos Anos 20 – Diário da Lisboa Boémia’ é o mais recente.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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É jornalista, investigadora e leva-nos ao passado para depois nos devolver ao presente com mais arcaboiço sobre a nossa cidade. Paula Gomes Magalhães é autora de vários livros sobre uma Lisboa desaparecida. Como o último que escreveu sobre a cidade de há 100 anos, Os Loucos Anos 20 – Diário da Lisboa Boémia (2021). Sentámo-nos a conversar num degrau do Parque Mayer, um dos capítulos do novo livro.

Paula nasceu no Barreiro, cidade da Arte Viva – Companhia de Teatro do Barreiro, à qual está ligada há mais de 30 anos. Chegou a subir aos palcos (hoje está ligada à encenação) e foi o bichinho do teatro que acabou por torná-la investigadora do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Licenciada em Ciências da Comunicação, lançou-se num mestrado e depois num doutoramento em Estudos de Teatro, que a levaram a publicar um primeiro livro sobre a história de Lisboa, em 2014: Belle Époque – A Lisboa de Finais do Séc. XIX e Início do Séc. XX. Entretanto, a sua bibliografia cresceu com os livros O Teatro da Trindade – 150 anos (2017); e Sousa Bastos e o teatro em Portugal (2018), o quinto volume da colecção Biografias do Teatro Português.

“A minha tese de mestrado foi sobre o Teatro do Ginásio, inaugurado em 1925, do qual ainda temos a fachada na Rua Nova da Trindade, no que é hoje o Espaço Chiado”, explica Paula, antes de começar a contar “como é que estas coisas começaram todas”. “Para eu compreender a prática teatral num determinado momento, achei importante perceber a dinâmica da cidade em meados do século XIX. E acabou por surgir o livro da Belle Époque”, diz a autora, que tem uma vontade imensa de preservar a memória e não deixar que fique esquecida nos confins dos arquivos.

E foram muitos os que consultou para esta viagem aos anos 20. Vive de texto e também de imagens que resgatou de jornais e revistas da época. “Temos nos anos 20 uma grande proliferação de magazines, amplamente ilustrados. E é impossível fugir a isso como fonte, são um espelho do quotidiano”, explica. “Tive vontade de trabalhar este período e acabei por me centrar na questão da boémia, porque é impossível falar de tudo”, diz a autora, que sublinha a importância de olharmos para as coisas com atenção. “Sobrevive muito dessa Lisboa de outrora, em sítios onde não percebemos que essa memória está.” Como o Parque Mayer, um dos destaques destes Loucos Anos 20, onde está a ser construído um novo Teatro Variedades. “Era um espaço emblemático da década de 20 e podia voltar a ser um espaço de fruição cultural intenso.”

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