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As panquecas japonesas são um dos best-sellers, mas a oferta também inclui opções salgadas, de takoyakis a lu rou fan, um prato tradicional de Taiwan.

Quando chegamos, já não há lugares no interior. Cá fora, a esplanada também está cheia. Assim que vaga uma, sentamo-nos. Ying Cui, a proprietária, serve às mesas e pede desculpa por não conseguir sentar-se um pouco a conversar. A partir das quatro da tarde, é difícil parar. Desde que abriu portas no início deste ano que o Hinô não tem passado despercebido. A carta inclui doces e salgados, tudo de inspiração asiática. O best-seller são as panquecas japonesas. Muito fofas e altas, estão disponíveis em quatro versões e dão a sensação de estar a comer nuvens.
“Sou originalmente de Pequim, na China. Vivi em Macau, Hong Kong e na América Latina e viajei bastante antes de me mudar para Lisboa há mais de três anos”, partilha Ying por mensagem, já no final do dia. Diz que se apaixonou pela história e pela luz, mas queria criar um espaço “mais calmo e acolhedor, um lugar onde as pessoas quisessem abrandar”. No fundo, um oásis no meio da azáfama de Belém. “Senti que havia espaço para um café asiático que não entrasse em competição directa com os cafés e pastelarias tradicionais portuguesas, nem com a crescente oferta de brunch ocidental.”
No Hinô, as tostas abertas (12,80€-13,80€) são “Hong Kong Style”, com frango, vaca ou atum, e as bebidas de assinatura são excepcionalmente doces. Há desde chás com leite – o mais pedido vem com um ursinho de gelo (5,80€) – até smoothies de fruta e iogurte, como o Verão de Miyazaki (7€), entre mais de duas dezenas de opções para todos os gostos, que incluem diferentes tipos de café, chá Oolong e espumantes sem álcool. O matcha uji, o café e frutas como morangos, manga e maracujá dominam os sabores, e não há limites à criatividade.
“Um dos maiores desafios foi definir o próprio Hinô – o estilo, as características, a gastronomia, o tipo de experiência que deveria oferecer”, explica Ying, que sabia desde o início que não queria abrir “um restaurante japonês tradicional, nem um café típico”. A ideia era “encontrar uma forma de expressão capaz de transcender fronteiras culturais”. Eventualmente, decidiu que combinaria a cultura japonesa com “sabores da culinária asiática”, daí haver tantos pratos ao estilo de Hong Kong.
Ying destaca, por exemplo, os noodles udon (13,80€), mas também há tostas ao estilo coreano (8,80€-9,80€), bowls de arroz (12,90€-14,80€), jian bing (9,50€-11,50€), uma comida de rua tradicional chinesa que faz lembrar crepes, e snacks asiáticos (6,90€-8,90€), incluindo takoyakis, rolinhos tailandeses e wraps de pato à Pequim.
“A minha companheira é a principal responsável pela cozinha. Ela já teve 12 cafés e conta com quase 15 anos de experiência em restauração na China”, acrescenta Ying. “Passámos muito tempo a pensar, a experimentar, a melhorar. Por isso fico muito feliz por ver todos estes esforços se reflectem no sabor de cada criação.”
A ambição de Ying foi, mais do que oferecer comida e bebida com qualidade, é provocar “uma sensação”. É a própria que o confessa. “Quer estejam sozinhos a ler, a conversar com amigos ou a fazer uma pequena pausa durante uma viagem, espero que se sintam relaxados, bem-vindos e inspirados a voltar.” Ying acredita que sim, que tem acontecido. Sugere que as panquecas japonesas possam ter alguma coisa a ver com isso. Há de frutos vermelhos, matcha, banana e chocolate, e de açúcar mascavado e chá de pérolas com leite. Mas não são as únicas sobremesas (5€-11,80€) a fazer parar quem passa pelo Hinô. Se vir um cone de gelado com um ouriço a espreitar, não se assuste: são crepes japoneses.
Rua dos Jerónimos, 14C (Belém). Ter-Dom 10.30-19.00
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