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Homenagem ao Lisboeta Italiano
André Miguel AndradeHomenagem ao Lisboeta Italiano

Homenagem ao Lisboeta Italiano

O fotógrafo André Miguel Andrade, mais conhecido pelo seu nome artístico, Lisboeta Italiano, morreu no final de Fevereiro. “As Mãos do André”, exposição com fotos suas, está patente no Espaço Santa Catarina.

Por Clara Silva
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“As mãos do André” é o nome da exposição de homenagem a André Miguel Andrade, o Lisboeta Italiano, como era conhecido no meio artístico. Primeiro porque “adorava mãos”, conta o melhor amigo, Pedro Cadilhe, com quem co-fundou o Colectivo Prometeu. Depois porque as suas mãos também aparecem nas seis imagens escolhidas para a exposição, uma maneira de “celebrar a sua vida”.

O fotógrafo faria 26 anos a 21 de Abril – a exposição decorre até dia 22 – e o evento é também uma forma de ajudar o amigo e a família a angariar fundos para a compra de uma campa e lápide – aliás, “o valor da compra das obras reverte totalmente para esta causa”, lê-se no comunicado.

André Miguel morreu a 28 de Fevereiro, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, quando fazia uma caminhada. Vivia no Porto há três meses, mas foi em Lisboa que apresentou os primeiros trabalhos. Em 2017, numa entrevista à Time Out, contava que começou a fotografar na Lx Factory, para um projecto de estágio. “Comecei com retratos num elevador de cargas”, contou na altura. “Coloquei uma cadeira no elevador e andava lá o dia inteiro à espera que alguém se sentasse.”

Do elevador passou para a rua, a fotografar desconhecidos que chamassem a atenção, e quando comprou a sua própria câmara (até então fotografava com a do chefe) decidiu focar-se na comunidade LGBT+. “São as pessoas que me influenciam, que estão à minha volta, as pessoas mais divertidas para trabalhar, mais criativas”, explicava. Tornou-se um dos fotógrafos mais conhecidos da comunidade queer em Portugal, primeiro com retratos divulgados no Tumblr, depois no Instagram. Em 2018, foi o fotógrafo oficial do calendário da Boys Just Wanna Have Fun, com fotos provocatórias de atletas da associação de desporto inclusivo.

O ano passado, em Setembro, apresentava “Frágil” no mesmo Espaço Santa Catarina que agora acolhe “As Mãos do André”, uma exposição inserida na programação do último Queer Lisboa. “Procuro sítios onde estamos completamente sozinhos e ouvimos vozes na nossa cabeça que falam connosco sobre a fragilidade e a solidão”, escrevia a propósito de “Frágil”. “E encontro várias pessoas frustradas por sentirem o desejo de serem tocadas. A fragilidade da conexão entre elas é extremamente ofegante. Sinto-me como um muro entre esses sujeitos que não se conseguem encontrar nem tocar. E quando se tocam tudo desaparece.”

Pedro Cadilhe refere que os donativos para a compra de uma campa e lápide já começaram a surgir mesmo antes da exposição e que já há fotografias reservadas. As ajudas podem ser feitas através do Colectivo Prometeu.

“As Mãos do André”, de 15 a 22 de Abril no Espaço Santa Catarina. Largo Dr António de Sousa Macedo, 7, Lisboa. Entrada livre

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