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Investigadoras estão a recolher memórias do Adamastor para "ampliar o debate"

Por Tiago Neto
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Colectivo do Laboratório de Estudos Urbanos pede a todos os que passaram pelo Miradouro de Santa Catarina nos últimos anos que enviem registos desses momentos. Fotografias e vídeos vão ser compilados num testemunho vídeo sobre as transformações do local.

Foi através da página de Facebook que o Laboratório de Estudos Urbanos (LEU) — colectivo fundado por três doutorandas de Estudos Urbanos da FCSH e ISCTE — lançou o desafio a quem tem registos fotográficos ou em vídeo do Miradouro de Santa Catarina. Christine Auer, Carolina Neto Henriques e Irina Gomes querem com esta iniciativa mostrar que o Adamastor, encerrado desde Julho de 2018 (e breve e ilegalmente reaberto em Janeiro), "tem um lugar importante na memória colectiva das pessoas que amam Lisboa" e "ampliar o debate à volta de espaços públicos em Lisboa em geral".

O colectivo uniu esforços com a plataforma Libertem o Adamastor para "levar as pessoas a partilharem memórias sobre a forma como se reuniam no Adamastor e como este espaço sempre foi ponto de encontro de várias gerações, de moradores e visitantes, de amigos, de artistas", explicam à Time Out os elementos do LEU, numa resposta por escrito. "O miradouro de Santa Catarina será alvo de uma intervenção que, na nossa perspectiva, ameaça a sua continuidade como espaço de todos, para todos", acrescentam. "Pensando no que o espaço público deve ser, surgiu a necessidade de ilustrar as diferentes formas de apropriação que este espaço tem possibilitado nos últimos anos para mostrar como é melhor para uma cidade que espaços tradicionalmente apropriados por todos é mais rica do que uma cidade com espaços elitizados ou que limite a utilização de espaços comuns."

A manutenção do Adamastor como um miradouro aberto e sem vedações, "sem condicionamentos de circulação ou de horário", é o que defende o LEU, que se caracteriza como "um colectivo de investigação experimental". Christine Auer, Carolina Neto Henriques e Irina Gomes sublinham que "a neutralidade da investigação é uma impossibilidade" – "como tal, não podemos deixar de nos opor a limitações de uso de espaço que é público, de todos, e que deve ser pensado por todos aquando de uma transformação". Em conjunto com o Libertem o Adamastor, querem "promover o debate público sobre este espaço e não deixar que a sua requalificação seja feita apenas para usufruto dos utentes de empreendimentos turísticos vizinhos".

Os registos que foram recebendo, "maioritariamente fotografias de momentos que por diferentes razões foram memoráveis para as pessoas que os enviaram" serão compilados num vídeo, "para que este possa ser divulgado nas redes sociais e onde mais tiver alcance". O principal objectivo, esclarecem, é "promover uma reflexão colectiva da sociedade civil sobre estes temas e demonstrar a importância daquele lugar na memória da cidade".

O LEU está a receber registos fotográficos ou em vídeo até 15 de Fevereiro, através do e-mail lab.estudos.urbanos@gmail.com ou via mensagem privada na página do colectivo no Facebook.

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