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Jesús Gil y Gil: política, futebol e corrupção

O Pioneiro
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Recordamos o colorido empresário e político espanhol que é o tema da série documental O Pioneiro, da HBO. Estreia no domingo.

Para aqueles que só têm olhos e ouvidos para o futebol, o espanhol Jesús Gil y Gil, que morreu em 2004, com 71 anos, foi o homem que levou Paulo Futre para o Atlético de Madrid, clube de que foi presidente entre 1987 e 2003.

Para quem vê para lá da bola, Gil y Gil foi uma das figuras mais controversas, coloridas e amadas e execradas da Espanha democrática do pós-franquismo. Um empresário do imobiliário com origens humildes que, quando ganhou o primeiro milhão de pesetas, dormia em cima do dinheiro; e que em 1969 foi julgado e esteve preso por homicídio involuntário durante ano e meio, na sequência do desabamento do restaurante situado numa urbanização faraónica em Segóvia, de que era promotor e proprietário, que causou 58 mortos. E um político demagogo mas que apresentava obra aos cidadãos, eleito presidente da Câmara de Marbella em 1991, conseguindo três maiorias absolutas ao longo de 11 anos graças a um programa de “neoliberalismo municipal”, um estilo apelidado de “circense” e um discurso estridente, antielitista e, por vezes, insultuoso para com os adversários. O seu movimento era o Grupo Independiente Liberal (GIL).

Gil Y Gil acabou condenado em 2000 por desvio de fundos públicos e falsificação de documentos oficiais, marcando o fim da sua carreira de grande sucesso na política, durante a qual chegou a apresentar um programa de televisão, Las noches de tal y tal, transmitido de Marbella, em que aparecia numa banheira rodeado de raparigas em biquíni e comentando todo o tipo de assuntos, desde a actualidade política até ao futebol. Seria absolvido dois anos mais tarde, bem como de outros processos em que estava envolvido. Uma dessas absolvições foi póstuma. Em 2004, teve uma trombose, seguida de um ataque cardíaco, que o matou. Foi velado no estádio do seu clube, o Vicente Calderón, por mais de 15 mil pessoas.

Quinze anos depois do seu desaparecimento, Jesús Gil y Gil é retratado na série documental da HBO em quatro episódios O Pioneiro, realizada por Enric Bach, autor de um muito aplaudido trabalho do mesmo género, Muerte en León, sobre o assassinato de Isabel Carrasco, a presidente do Conselho Municipal da Província de Léon, outra figura política muito odiada e admirada em Espanha.

Paulo Futre é, precisamente, um dos vários entrevistados em O Pioneiro, falando da sua relação com “El Presidente” e dos tempos que alinhou no Atlético de Madrid. Além dele, perante a câmara de Bach, desfilam familiares, amigos e adversários de Jesús Gil y Gil. Segundo escreve a Esquire espanhola, que teve acesso à série, “nota-se que, com o bicho morto, toda a gente fala com mais tranquilidade.”

Entre as muitas imagens de arquivo recuperadas por O Pioneiro (e não faltam em Espanha documentos visuais sobre Gil y Gil), constam aquelas em que o biografado recorda, décadas após a sua prisão nos anos 60 por causa da tragédia de Segóvia, os tempos em que esteve encarcerado, e sublinha como o fizeram “ficar mais forte”; ou ainda de Gil y Gil ao volante de um caríssimo bólide carregado de mulheres, ao qual chamavam “el carro de la carne”. Circo era mesmo com ele.

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