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LGBTQuê? Eles explicam

T Guys Cuddle Too
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Ary e Isaac criaram um canal no YouTube, T Guys Cuddle Too, onde ajudam outras pessoas trans e tiram dúvidas sobre várias questões queer. Verdadeiro serviço público.

O que é ser cisgénero ou transgénero? Em que consiste a mastectomia? Quais as diferenças entre trans, transexual, transgénero e travesti? A transição completa existe? Que casa de banho deve uma pessoa trans usar? Ary Zara Pinto e Isaac Santos esclarecem todas as dúvidas que lhe possam surgir – e outras de que nunca se lembrou – no novo canal de YouTube T Guys Cuddle Too.

Tudo isto numa linguagem simples e divertida que já levou a que vários professores mostrassem os seus vídeos nas salas de aula. “E até a outros colegas para conseguirem compreender”, diz Isaac, de 23 anos, barbeiro. “Estamos a começar com o ABC: o que é uma pessoa trans, o que é uma pessoa cis... Vamos começar a falar de temas sobre como fazer o coming out, vamos ter convidados [o youtuber Kiko Is Hot é um deles, num vídeo já publicado] e queremos debater os temas mais relevantes não só da comunidade trans mas de toda a comunidade LGBTI”.

Este era o canal que gostavam de ter encontrado quando começaram o processo de transição, há três anos. “Não é uma coisa que vás propriamente ao Google pesquisar: ‘Como começar a minha transição em Portugal’. Não é automático”, continua Ary, de 32 anos, da área audiovisual. “Surgem muitas dúvidas sobre o que vai acontecer com o teu corpo, como lidas com a disforia. São coisas difíceis de compreender e nem toda a gente tem à-vontade para procurar um psicólogo e nem todas as pessoas que estão no sistema de saúde têm a informação necessária.” Sem esquecer, claro, “as pessoas que vivem no interior, fora de Lisboa e do Porto”, acrescenta Isaac, e que não têm tanto acesso a associações ou a informação. “É preciso haver conteúdo online disponível e é preciso começar a associar caras às causas. Quisemos ser um exemplo que as pessoas pudessem seguir. Não é por seres uma pessoa trans que não podes ser uma pessoa feliz.”

 

O canal foi lançado o mês passado e já conta com uma dezena de vídeos e 1,35 mil subscritores. O nome, T Guys Cuddle Too, também serve para desconstruir o preconceito associado a esta imagem mais durona que algumas pessoas trans podem revelar. “Podemos ter uma postura badass mas queremos mostrar o nosso lado mais fofinho”, diz Isaac.

Os dois conheceram-se quando Ary fez a sua mastectomia (remoção completa da mama) e partilhou isso numa foto no instagram. “O Isaac veio felicitar-me e a partir daí começámos a falar bastante um com o outro”, conta Ary. “Mesmo dentro dafalta de um amigo sem uma masculinidade tóxica.”

Agora têm recebido mensagens de agradecimento de várias pessoas. “Trans que estão a iniciar a transição e querem saber como começam, pessoas que estão a fazer a transição e nos agradecem porque se identificam, professores, sexólogos, sociólogos…” E até pessoas do Brasil e da Argentina.

O compromisso é de publicar um vídeo semanal, normalmente lançado à terça-feira, às 20.30. Os subscritores costumam também desafiá-los com dúvidas. “Muitas pessoas gostam de nos fazer perguntas sobre os nossos genitais”, diz Ary. “Também nos perguntam sobre o coming out, sobre como contar aos pais, normalmente pessoas mais novas, dos 16 aos 18 anos.”

Ary, que antes se assumia como “mulher lésbica”, começou o seu coming out aos 29 anos e agora assume-se como pessoa nãobinária. “É tudo muito recente”, conta. “Encontrei algum conforto em ser uma pessoa não-binária. Não me identifico totalmente com ser homem, fazer parte dessa estatística de violência doméstica, maus tratos de mulheres.” Fez a sua transição no serviço de saúde privado. “Pelo tempo de espera”, explica.

Isaac, trans desde os 5 anos de idade, é o protagonista do documentário “R.I.P. 2 My Youth”, de 2017, um dos primeiros documentários sobre transexualidade realizados em Portugal. É membro da direcção da ILGA e barbeiro para “pagar contas”. “Não sou o típico barbeiro que rejeita mulheres com cortes curtos. Pessoas LGBT sentem-se bem a cortar comigo porque sabem que não vai haver qualquer tipo de discriminação.”

Os vídeos, sem qualquer apoio externo e feitos a pensar em pessoas a partir dos 14 anos e respectivos pais, avós, professores e qualquer pessoa com acesso à internet, têm um único propósito: “Acabar com a desinformação dentro e fora da comunidade.” 

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