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Lisboa Para Pessoas
Fotografia: Mariana Valle LimaMário Rui André

Lisboa Para Pessoas: portal comunitário lança campanha de crowdfunding

É alfacinha, nasceu para divulgar uma cidade mais amiga das pessoas e agora precisa delas. Falámos com o fundador, Mário Rui André.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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Reportagens, entrevistas, crónicas, guias e até uma biblioteca digital recheada de documentos oficiais. O portal Lisboa Para Pessoas, agregador e produtor de informação sobre mobilidade, sustentabilidade e espaço público, foi lançado a 28 de Fevereiro de 2021 e no dia do seu primeiro aniversário lançou uma campanha de crowdfunding com o objectivo de angariar 10 mil euros. Um valor mínimo que poderá assegurar a sobrevivência deste projecto, pelo menos até ao final do ano.

“O crowdfunding é uma forma de tentar colocar a questão do lado das pessoas. Eu acredito que [o Lisboa Para Pessoas] tem valor para a cidade, porque não há em Lisboa um órgão de comunicação social na área da mobilidade, da sustentabilidade e do espaço público”, explica o jornalista Mário Rui André, o fundador do projecto que se dedica em exclusivo a estes temas. Ao contrário da revista Shifter, também comunitária, que co-fundou em 2013 com João Gabriel Ribeiro, mais focada nos temas da tecnologia, sociedade e cultura.

Para o jornalista, o lançamento do crowdfunding surge “como uma forma de tentar criar uma base de sustentabilidade” que lhe permitirá ter uma base mais sólida para manter o Lisboa Para Pessoas, e permitir-lhe levar para casa pelo menos um ordenado mínimo por mês. “E agora coloco a questão nas pessoas, se realmente estão dispostas a financiar, para que a partir deste financiamento base possa escalar a coisa e encontrar mais fontes de financiamento. Dez mil euros não é nada, eu estou a apontar para os mínimos”, sublinha.

A participação cidadã é um dos braços fortes deste Lisboa Para Pessoas, que desafia todos pessoas a darem o seu contributo, mesmo que não seja financeiro. Todos se podem juntar, por exemplo, à comunidade que também marca presença no Discord ou no Patreon (site de financiamento colectivo), e também podem enviar emails com os problemas que testemunham nos seus bairros ou mesmo propor artigos para publicação.

“Nesta coisa de pensar a cidade de um ponto de vista mais humano, acompanhamos esta mudança, fazemos uma reflexão sobre os desafios, os problemas reais das pessoas. Não há ninguém em Lisboa a fazer isso. Apesar de sermos a capital do país, somos a cidade com o pior jornalismo local”, lamenta Mário Rui, que elogia outros concelhos que apostam mais no jornalismo de proximidade, destacando Coimbra que tem “uns três ou quatro órgãos para a região toda”, nomeadamente a Coimbra Coolectiva, revista online de cultura. E lembra um bom projecto de Lisboa que não resistiu: O Corvo, um jornal online sobre Lisboa que funcionou entre 2013 e 2019. “Foi uma perda gigante para a cidade. Eles faziam um acompanhamento que mais ninguém faz. É uma inspiração o que eles fizeram e às vezes vou lá”, diz, referindo-se ao arquivo que continua disponível aqui. “É fantástico eles terem feito isso, tiveram essa preocupação.”

Em apenas um ano, o portal publicou 500 histórias, disponibilizou 50 guias úteis sobre a cidade e até já venceu um Prémio Nacional de Mobilidade em Bicicleta 2021, na categoria Comunicação, um galardão atribuído pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta. O Lisboa Para Pessoas, explica Mário Rui, “começou com a ambição de reunir informação dispersa”, ou seja, agregar numa só plataforma informação e documentos de diversas entidades nas áreas da mobilidade, sustentabilidade e espaço público, o que inclui guias sobre bicicletas, transportes públicos, corredores verdes e agricultura urbana ou mesmo cidadania, já que também disponibiliza informação sobre como participar activamente na vida da cidade, das assembleias municipais ao orçamento participativo. Sem contar com os programas eleitorais para Lisboa dos vários partidos candidatos nas últimas três eleições autárquicas, programas que vão desaparecendo com o fecho dos sites dedicados às respectivas campanhas.

O Lisboa Para Pessoas está ainda a preparar uma série de eventos que o portal divulgará brevemente, mas até lá siga este link para saber como ajudar através do crowdfunding. “Vamos ver como corre o crowdfunding até ao final de Abril, espero que as pessoas adiram. Senão vou equacionar se continuo ou não, porque se não houver financiamento, não é sustentável”, vaticina Mário Rui. Há várias modalidades de apoio, a partir dos 20€, valor que dará direito a um postal personalizado, um saco de pano e alguns autocolantes. Se tiver 50€ para oferecer, receberá ainda uma revista em papel, um número especial com conteúdos originais. Com 100€ acresce um lugar reservado numa assembleia consultiva, onde terá a oportunidade de participar no processo de tomadas de decisão do projecto. O crowdfunding também desafia as marcas e instituições a dar uma mão ao Lisboa Para Pessoas e a partir de 500€ terão visibilidade garantida em todas as páginas do site durante um ano e “noutros suportes a avaliar”, caso o apoio seja mais robusto.

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