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Livraria Trindade vai fechar: "Estão a matar a galinha dos ovos de ouro"

Por Renata Lima Lobo
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"Unilateralmente despejados!". Assim começa a publicação de Facebook da livraria fundada em 1960 que anuncia o fecho das portas na Rua do Alecrim.

"Há uma coisa apalavrada, mas não é no centro, é um bocadinho afastado", diz à Time Out António Trindade, o homem do leme do negócio de família que já vai na terceira geração em reacção à notícia do fecho da Trindade. Sem desvendar onde a livraria histórica poderá continuar a respirar, o alfarrabista garante que não é com ele que o negócio vai morrer. "Eu sei que luto contra a maré em todo o contexto, porque do ponto de vista cultural o livro está moribundo, embora haja muito leitor, mas de má qualidade", desabafa.

Mas não foi esse o principal motivo do fecho de portas. Ao abrigo do novo regime de arrendamento, há cinco anos o senhorio actualizou a renda e em Janeiro deste ano chegou a carta: até Setembro teriam de abandonar o local onde trabalham há décadas. "A minha renda foi a que eles me pediram para pagar nessa altura, sem hipótese de negociar. E assinámos de boa fé", explicou António Trindade. Embora para o alfarrabista o turismo seja "uma oportunidade única de renovar a cidade", defende que "não se pode fazer à cega, não se pode rebentar com património cultural e histórico desta maneira", dando como maus exemplos o que aconteceu a outras grandes cidades europeias, como Barcelona ou Paris.

"Se eu tivesse um euro por cada turista que me pede para tirar fotografias da loja e dos livros eu não precisava de trabalhar. O turismo é importante, mas se as pessoas vêm a Lisboa para ver a Zara, H&M ou o McDonald’s, a longo prazo estão a matar a galinha dos ovos de ouro", continuou, sublinhando que a Livraria Trindade também tem um papel cultural relevante na cidade: "Tenho felizmente dezenas clientes que são alunos da faculdade e se quiserem ler O Idiota do Dostoiévski não encontram em lado nenhum. Vêm aqui e vendo às vezes por 1€, são livros que se vendem baratos”.

Rua do Alecrim, 32-36. Seg-Sex 10.00-19.00

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