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‘Lua de Mel’: um “super crossover” à portuguesa

Estreia esta segunda-feira e é a mais recente produção da SIC para o horário nobre. Fomos tentar perceber como é que se reinventa uma telenovela.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Lua de Mel
Ana António Bento
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Baralhar e voltar a dar – um exercício sobejamente conhecido, nem sempre com a melhor das conotações. Só que em vez de um trabalho preguiçoso, no qual se limitaria a repescar sucessos do passado, a SIC prepara-se para estrear uma nova telenovela que, ponto por ponto, tem todo o ar de ter sido uma manta difícil de coser.

Lua de Mel é um “super crossover”, nas palavras do director-geral de Entretenimento da Impresa, Daniel Oliveira. O palavrão, possivelmente inaudito para muitos dos que seguem a par e passo a programação do horário nobre, só quer dizer uma coisa: nesta telenovela convergem várias das personagens que marcaram a ficção do terceiro canal (a celebrar 30 anos) na última década. “Já tínhamos sido dos primeiros a fazê-lo com Terra Brava e Nazaré, depois com A Serra e Amor Amor”, explica.

“Mas quisemos que este projecto não fosse um mero retorno das personagens, uma colagem de cada uma. Existe uma história central, que acaba por se cruzar com algumas daquelas personagens que ficaram na memória afectiva das pessoas”, continua.

Para a nova produção – excepcionalmente curta, de Junho a Outubro – a estação convocou algumas das suas maiores estrelas. Cláudia Vieira, Fernando Pires, Rui Santos e Jessica Athayde encabeçam o elenco e vêem as suas histórias no ecrã cruzarem-se com as de velhas personagens do universo SIC. A Nazaré de Carolina Loureiro, a Elsa de Sara Matos, o Toni de Afonso Pimentel, a Ângela de Luísa Cruz, e muitas outras.

Há 20 anos a escrever para telenovelas, Ana Casaca foi convidada para liderar a equipa de guionistas. Uma tarefa de exigência acrescida, sobretudo na hora de pôr as mãos em personagens criadas por outros colegas. “Foi um desafio enorme, tanto que fui buscar pessoas que já trabalharam em todos os projectos. São personagens que não fui eu que criei, é uma grande responsabilidade. Pensei nas que me tinham marcado enquanto espectadora para formar o núcleo forte da novela. Outras vão aparecendo pontualmente”, refere.

Entre os actores que tiveram de recuar no tempo e resgatar velhos papéis está Custódia Gallego, que interpretou Gi Coutinho em Laços de Sangue (produção vencedora de um Emmy), há mais de dez anos. Agora, a personagem volta à vida. Era a que há mais tempo estava fora do ecrã. “Não tive logo aquela reacção do ‘ai que bom’, como é costume. Tive aquele medo, que acho que é natural, de estragar um bom trabalho”, recorda a actriz de 63 anos.

Mais de uma década depois, volta a vestir a pele de dondoca, mas sem o seu principal parceiro de cena, o actor João Ricardo, que morreu em 2017. “É um desafio fenomenal, nunca fiz uma coisa destas. Nunca tinha pegado numa personagem para a expor noutro contexto e para construir tudo o que fez entretanto.”

A tentativa de enriquecer mais uma produção, feita em parceria com a SP Televisão, chega numa altura em que muitas telenovelas procuram inovar no formato. A começar pelas temporadas, inspiração directa de séries e plataformas de streaming. “Nota-se que há uma busca por algo diferente, por sair daquele estágio onde já estávamos há não sei quantos anos. Com a pandemia, começámos a trazer um pouco mais de humor para as novelas. As pessoas tinham aquela realidade e precisavam de descomprimir. Também fomos perdendo público para as séries e para o streaming e nota-se que há uma tentativa de o cativar outra vez”, acrescenta Ana Casaca.

Drama e, sobretudo, comédia são os ingredientes que temperam Lua de Mel, que tem estreia marcada para a próxima segunda-feira à noite. A história é nova, mas muitos dos intervenientes são já velhos conhecidos do público. Trunfos escolhidos a dedo para ajudar a segurar as audiências durante os meses de Verão.

SIC. Seg-Sex, depois do Jornal da Noite (estreia a 6 de Junho).

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