A Time Out na sua caixa de entrada

Procurar
Rua de São Paulo
DR/Junta de Freguesia da MisericórdiaRua de São Paulo

Mercados, jardinagem e trocas de plantas. Começa o ano verde da Rua de São Paulo

Programa comunitário junta-se às obras de requalificação. No final, a rua terá árvores, varandas floridas e vizinhos mais próximos.

Escrito por
Rute Barbedo
Publicidade

Uma troca de plantas entre vizinhos e uma conversa sobre ecologia e sustentabilidade, com a participação dos colectivos Lisboa Possível e Associação Regador. Assim começa  sexta-feira, 5, às 17.00, no espaço Rua das Gaivotas 6  o novo ano na zona envolvente da Rua de São Paulo (Cais do Sodré). As iniciativas fazem parte do Bairro Verde, projecto de um ano que envolve mercados, trocas de plantas, oficinas, conversas sobre agricultura urbana e almoços comunitários, e que é organizado pela Associação Jardins Abertos. 

Já no sábado, 6, às 11.00, há uma visita guiada ao bairro, com partida do Quiosque da Ribeira das Naus, e em Fevereiro o programa continua com um momento de jardinagem colectiva (no dia 3, às 10.00, no Largo do Conde Barão) e com uma "oficina verde" (no mesmo dia e local, mas às 15.00, sob inscrição prévia). No dia seguinte, entre as 10.00 e as 17.00, há um mercado com plantas, ferramentas de jardinagem e hortícolas, entre outras sugestões, também no Largo do Conde Barão. 

Em cada uma das Oficinas Verdes ao longo do ano, serão distribuídos aos moradores kits para floreiras e haverá também um workshop de jardinagem. O objectivo é que, com as floreiras dispostas nas varandas e os conhecimentos adquiridos, a Rua de São Paulo se possa tornar progressivamente verde, de uma forma espontânea e colaborativa. Como explica André Freire, da Associação Jardins Abertos, "com criatividade, aproveitando as ruas e becos, é possível cuidar do espaço público e torná-lo mais verde".

O programa comunitário junta-se, assim, oportunamente, às obras de requalificação da Rua de São Paulo. A obra, que começou em Novembro, é da responsabilidade da Junta de Freguesia da Misericórdia, sob o financiamento da Câmara Municipal de Lisboa (no valor de 144 mil euros), e envolve a plantação de árvores e o alargamento do passeio entre a Calçada da Bica Grande e a Rua do Corpo Santo. Em Fevereiro, estima a Junta, o percurso será mais agradável, fresco e seguro. 

A iniciativa Bairro Verde (cuja programação completa será ainda anunciada através das diferentes plataformas da organização, ao longo dos próximos meses) compromete-se, assim, a melhorar uma zona da cidade que é marcada pela “fraca presença da natureza”, mas também a criar uma dinâmica comunitária num lugar de forte pressão turística e uma população local envelhecida. Em articulação com várias instituições e espaços do bairro, como a escola profissional ETIC ou o Rua das Gaivotas 6, a proposta é “abrir uma porta para pensar como poderia ser a cidade, se fosse mais verde”. Na visão da associação, este é um ponto “muito importante para a comunidade, sobretudo para as crianças”, enfatiza André Freire. 

Financiado pelo programa BIP/ZIP em 50 mil euros, o Bairro Verde é uma reacção à "diminuição do sentido de pertença e coesão da comunidade, na deterioração da imagem colectiva da rua e no agravar do isolamento dos poucos moradores permanentes, em especial a população idosa residente". É, por isso, uma forma de devolver o território à comunidade e a comunidade ao território, na sequência da "diminuição significativa de residentes permanentes no centro histórico", do envelhecimento da população, da "radical transformação do mercado imobiliário" e do aumento da pressão turística, conforme se pode ler na descrição do projecto. Foram estas as razões que levaram os elementos da associação (alguns deles ex-moradores da Misericórdia, que também se viram obrigados a abandonar a freguesia nos últimos anos) a querer agir.

A Associação Jardins Abertos realiza, desde 2017, diversas iniciativas no âmbito da consciencialização ambiental, sendo a maior referência o Festival Jardins Abertos, um fim-de-semana de convite à exploração dos jardins e hortas da cidade (alguns abrem portões propositadamente para este evento), ao mesmo tempo que se desfruta de um programa variado em torno do tema. 

Notícia actualizada às 17.08 de 4 de Janeiro de 2024, actualizando informação sobre a programação do Bairro Verde.

+ Um Rato com menos carros, mais árvores e esplanadas

+ Guia para não pagar entrada nos museus em Lisboa

Últimas notícias

    Publicidade