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Fica no Saldanha, não tem dias de folga e a cozinha segue uma regra: o arroz nunca engole os outros ingredientes. Há sashimi, nigiri, temakis e especiais que mudam todos os meses.

Bem-vindos ao “templo na montanha”, ou à “ponta do santuário” – ou simplesmente ao mais recente (e já muito concorrido) all you can eat de sushi em Lisboa. Estamos no Miyazaki, que pode significar uma das duas primeiras expressões, onde uma cerejeira em flor nos acolhe à entrada e tudo é repetido as vezes que quiser.
Porquê mais um sushi na cidade? Foi exactamente essa a pergunta que os responsáveis do novo restaurante que abriu no Saldanha no final de Novembro de 2025 quiseram responder. “Na verdade, acharam que nos conceitos de all you can eat existentes, a qualidade do sushi é geralmente inferior e quiseram contrariar isso”, diz um membro da equipa que prefere não ser identificado.
Com outros restaurantes do género na Margem Sul, sabiam que a fórmula funcionava. O desafio era replicá-la agora em Lisboa – e os resultados dos primeiros meses não deixam dúvidas. São 12.30 de um dia de semana e os 140 lugares da sala preenchem-se praticamente todos no espaço de meia hora. Ao almoço, os clientes são sobretudo funcionários das empresas da zona, enquanto ao jantar há muitos estrangeiros – “não apenas turistas, mas estrangeiros que vivem e trabalham cá”. O Miyazaki nunca fecha e, de acordo com os funcionários, “é muito difícil conseguir mesa sem reserva” – fica a dica.
O conceito é simples. Na mesa estão dois códigos QR. Primeiro, liga-se ao Wi-Fi do restaurante; segundo, acede-se à carta. A partir daqui, basta escolher o que pretende comer, juntar o item ao carrinho e fazer a encomenda. Em poucos minutos, chegam gyozas grelhadas, temaki, sashimi e tempura. Os dois pedaços de camarão são de um tamanho bem acima da média. Vêm envolvidos numa crosta estaladiça que deixou a gordura na cozinha, trazendo para o prato apenas a crocância. Se, por esta altura, o impulso for pedir mais, contrarie-o ou não vai ter espaço para tudo o que se segue.
Sopa miso, carpaccio, tártaro, nigiri, gunkan, domburi, uramaki, temaki, hot rolls e tacos. Atum, salmão, peixe branco, manga, morango e cebola frita. Todos os clássicos do sushi estão aqui, com um detalhe que salta à vista. Nas peças com arroz, esse ingrediente não engole todos os outros, nem no sabor, nem na quantidade. “Tentamos que as porções de arroz e peixe sejam equilibradas. Queremos que os clientes comam produtos de qualidade e não fiquem cheios apenas com arroz.
A base da carta é sempre a mesma, embora “haja especiais que mudam todos os meses”. É o caso de um sashimi de salmão marinado num molho cítrico onde se destaca a laranja – mas sobretudo o tamanho das compridas fatias de peixe.
O que muda no Miyazaki são os preços. Durante a semana, o menu de almoço (das 11.50 às 15.00) custa 19,95€, enquanto as crianças pagam 9,95€. Ao jantar (entre as 18.00 e as 23.30), o preço por criança mantém-se, mas um adulto passa a pagar 26,95€. Ao fim-de-semana (das 12.00 às 15.15 e das 16.00 às 23.30), um adulto paga 26,95€ e um miúdo paga 11,95€. Se não quiser escolher peça a peça (embora as gyozas cheguem em grupos de três e os hot rolls de quatro, por exemplo), há combinados à distância de um clique no telemóvel.
As bebidas não estão incluídas no menu. Além dos habituais refrigerantes, águas e vinhos, há sake (a partir de 7,95€) e sangria. A sugestão dos funcionários é a de maracujá (17,95€, um litro), com espumante e hortelã.
Apesar de a sala estar cheia, o Miyazaki consegue preservar a privacidade. Junto às paredes estão mesas de pedra com bancos corridos cobertos de veludo cinzento. O centro do espaço é composto por mesas redondas, protegidas por estruturas pretas abertas. Pendurados pontualmente estão candeeiros coloridos de papel e nas paredes há quadrados azuis, laranja e verdes que se assemelham a vitrais e dão cor ao ambiente. A restante decoração é contemporânea, deixando as referências japonesas sobretudo para os pratos. Na mesa, os pauzinhos de madeira escura exibem, nas pontas, rabos de peixe. Sim, há quem os leve sorrateiramente para casa, mas não há necessidade disso. Estão à venda por 3€.
Se ainda houver espaço no estômago, a lista de sobremesas (que também se pagam à parte) tem muito por onde escolher. Há mochis de coco, morango ou manga (5,95€), mas também tiramisù de matcha (7,95€) ou coco vegan (6,95€), uma esfera com crosta de chocolate, coco no topo e um creme de manga no interior.
Na mesa ao lado fala-se japonês. Na do outro lado, um homem de fato e gravata ensina àquele que deverá ser o colega português algumas palavras japonesas. Podemos não estar exactamente no “templo na montanha”, em plena Ásia, mas detalhes como estes costumam ser sinónimo de qualidade.
Avenida Defensores de Chaves, 2B (Saldanha). 915 392 778. Seg-Dom 12.00-15.00 e 19.00-23.00
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