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Mofo: novo e o antigo do design português com direito a casa de chá

Por
Francisca Dias Real
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Entre confiante, mesmo que o nome no toldo preto o leve a pensar duas vezes. Aqui nada cheira a Mofo, pelo contrário. Nesta concept store o novo e o antigo convivem lado a lado para compor as prateleiras de design português. A Mofo abriu em Alfama e tem uma casa de chá a fazer parelha, a Casa Profícua.

A história começa com excedentes. João Figueiredo e Paulo Pereira, ambos com a mania de coleccionarem todo o tipo de peças – umas antigas, outras modernas –, chegaram à conclusão que não era possível acumular mais. “Já tínhamos muita coisa acumulada e a ideia mais imediata que tivemos foi abrir uma loja. Temos ideias diferentes daquilo que é coleccionável, e isso permite-nos ter aqui peças completamente distintas e de valor”, diz-nos João Figueiredo. Na Mofo, há cestas de verga tradicionais, sofás de veludo sofisticados e espelhos barrocos. 

Fotografia: Inês Félix

“Aqui os produtos tradicionais ganham uma nova roupagem. Privilegiamos o design e o artesanato português, mas é um artesanato de uma nova vaga, de quem vê os produtos portugueses de outra forma, um bocadinho como design de autor”, explica.

A ideia destes dois sócios é, portanto, tirar o pó e o cheiro a mofo a objectos e marcas de antigamente, dando-lhes outra vida. É o caso das peças de colecção que vão desde os vasos de porcelana pintada, peças de estanho vintage, louceiros, sofás e cadeiras, espelhos a até mesmo uma ilustração original do filme Fantasia, da Disney, com certificado de autenticação – coisa para levar para casa e emoldurar.

A conviver ao lado destas peças de outrora, há agendas e lápis da Fine & Candy, os móveis, jarras e copos do colectivo de designers da Vicara, sabonetes e difusores da Castelbel, gravuras feitas com robôs do artista João Miranda, as jóias da L’Edition, os coffrets da pasta medicinal Couto, as peças do Laboratório d’estórias, o típico Figurado de Barcelos de Júlia Côta e as cerâmicas da Bordallo Pinheiro, espalhadas por toda a loja. 

Fotografia: Inês Félix

Neste processo, João e Paulo quiseram dar uma oportunidade a jovens designers, que podem enviar propostas e portfólio para a Mofo para que a loja lhes dê espaço de exposição e venda. “A ideia é ser um projecto ongoing em que os designers enviem para cá as propostas e nós servimos de mostra de artistas portugueses", explica Paulo, defendendo que não é preciso contexto para um artista ter espaço na loja que quer chegar a todos no bairro. “Não há nada do género aqui no bairro, e nós queremos ter impacto nas pessoas que ainda moram aqui e com quem nós convivemos todos os dias, da tasca à mercearia. São laços fundamentais para nós.”

Vai um chá das cinco?

Quem entra na Mofo acaba por entrar, inevitavelmente, na Casa Profícua, a casa de chá anexa à loja que apesar de ter porta e pouso próprio, tem uma ligação interior a este espaço. O negócio está nas mãos de Joana Figueiredo, irmã de João, e segue a mesma linha da loja: ser montra da mais delicada doçaria tradicional portuguesa. “Aqui ao lado é tudo o que temos na Mofo mas numa versão açucarada”, diz João.

A casa de chá segue as linhas das casas de antigamente e junta marcas como a Paupério ou a Fábrica do Rebuçado de Santa Clara
Fotografia: Inês Félix

A Casa Profícua – também o nome não foi escolhido ao acaso – lembra as casas de chá antigas com grandes louceiros e chávenas penduradas sobre o balcão. Os tons verde-água contrastam com a pedra mármore e os arcos pombalinos, uma arquitectura que os irmãos fizeram questão de manter para remeter ainda mais para o passado. Há cavacas finas das Caldas, rebuçados de ovo de Portalegre da Fábrica de Rebuçados Santa Clara, uma gama vasta das bolachas Paupério, tudo para poder levar para casa ou acompanhar o chá. 

Fotografia: Inês Félix

“Esta nossa aposta no que é tradicionalmente português e na reinvenção das marcas mostra o nosso espírito ‘.pt’ e era disso que o bairro estava a precisar”, conclui João.  

Rua do Paraíso, 78. Seg-Sex 11.00-19.00, Sáb 10.00-15.00 (horário da loja coincide com o da casa de chá).

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