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Aurélia de Souza (1866-1922) Autoretrato
Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto

Mulheres, portuguesas e artistas: Gulbenkian expõe universo feminino em Junho

A exposição deveria ter sido apresentada por esta altura em Bruxelas, mas local ficou inviabilizado o que trouxe a exposição de volta a Lisboa.

Por
Francisca Dias Real
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Incluída no Programa Cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, chega a 1 de Junho ao Museu Calouste Gulbenkian “Tudo o que eu quero — Artistas portuguesas de 1900 a 2020”, uma exposição que reúne duas centenas de obras assinadas por mulheres artistas portuguesas. A mostra parte do mítico auto-retrato de Aurélia de Souza, pintado em 1900. 

A exposição é uma iniciativa do Ministério da Cultura com produção executiva e projecto curatorial da Fundação Gulbenkian, com curadoria entregue a Helena de Freitas e Bruno Marchand. Faz parte das mais de 70 iniciativas culturais programadas no âmbito da  Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia previstas acontecer em mais de 40 países em todo o mundo. Arranca no primeiro dia de Junho e manter-se-á até 23 de Agosto, querendo trazer para cima da mesa uma reflexão sobre o universo de criação artístico que, durante muitos séculos, foi quase exclusivamente masculino. 

O ponto de partida é então o auto-retrato de Aurélia de Souza, de 1900, e segue para um espólio de cerca de 200 obras de 40 mulheres artistas nacionais, como é o caso de Helena Almeida, Joana Vasconcelos, Maria Helena Vieira da Silva, Fernanda Fragateiro, Lourdes Castro, Paula Rego, Ana Vieira, Salette Tavares, Maria José Oliveira,  Sónia Almeida e Grada Kilomba. As obras variam entre desenho, livros, instalação, filme, vídeo, pintura ou objectos, tudo produzido desde o início do século XX até aos dias de hoje.

Helena Almeida
© Cortesia Ar.Co

“O conjunto de obras, aqui reunido, constitui um documento em si mesmo da luta das suas autoras pelo pleno direito à sua voz”, referem em comunicado os curadores da mostra. 

A escritora Lou Andreas-Salomé inspirou o título da própria exposição, numa reflexão sobre o lugar das mulheres no espaço social, intelectual, sexual e amoroso dos últimos séculos, colocando assim as artistas da exposição “o espírito de subtileza, de afirmação e de poder”, lê-se na nota de imprensa. 

“Além de contribuir para reparar algumas injustiças no contexto historiográfico nacional, esta exposição procura compreender o papel de destaque que as artistas portuguesas assumem na segunda metade do século XX, nomeadamente no plano internacional, muitas delas com uma longa ligação à Fundação, enquanto bolseiras em Portugal e em cidades como Paris, Londres ou Munique”, refere também Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian. 

Em comunicado, também Graça Fonseca, Ministra da Cultura, refere que é importante “aumentar a visibilidade das mulheres no sector cultural e criativo, uma das prioridades políticas da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, promovendo a representação igualitária das obras das mulheres em exposições, museus, galerias, teatros, festivais e concertos”, acrescentando que “esta é a única forma de sair dos papéis rígidos e confinados do género”.

A exposição estava prevista acontecer entre Fevereiro e Maio no Palácio de Belas-Artes (Bozar), em Bruxelas, mas um incêndio no espaço inviabilizou a sua apresentação no local, reconduzindo-a para Lisboa. A mostra segue, em 2022, para o Centre de Création Contemporaine Olivier Debré, em Tours, integrada no programa geral da Temporada Cruzada Portugal-França. 

A recalendarização do Museu Gulbenkian obriga assim ao adiamento da apresentação da exposição “Histórias de uma Coleção. Arte Moderna e Contemporânea da Fundação Gulbenkian”. Ainda este ano o museu receberá uma mostra dedicada aos tesouros de Hergé, o célebre autor de Tintin.

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