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Na Arrábida, os golfinhos vêm à tona e estão à vista de todos

Passeio Observação de Golfinhos- Vertente Natural
©Manuel Manso

É o animal de eleição de muita boa gente e houve até quem tatuasse esta espécie, uma moda dos finais dos anos 90. Sim, estamos a falar de um dos mamíferos mais acarinhados à face da Terra: os golfinhos. Mas não precisa de os desenhar em tinta permanente em lado nenhum – eles estão à mão de semear de todos nós, ou à distância de um passeio de barco no Sado, que não pode falhar na sua próxima visita à Arrábida. Não precisa de equipamento de mergulho nem de uns binóculos para os conseguir avistar. Eles estão a um tirinho da costa e vai conseguir vê-los a olho nu.

A taxa de avistamento destes mamíferos residentes do Estuário do Sado, os Tursiops truncatus, nome científico dos bichos, aos quais é comum também chamar de roazes- -corvineiros, anda à volta dos 80% este ano. E nós ficámos dentro desta maioria, quando, num passeio numa manhã nublada, o sol e os golfinhos deram um ar da sua graça. Ricardo Tomaz, skipper de serviço e tradutor dos comportamentos desta espécie, vai-nos contando curiosidades enquanto vamos a bordo de um semi-rígido da Vertente Natural, empresa com vários desportos radicais na Arrábida.

A comunidade residente no estuário vai oscilando, mas mantém-se “à volta dos 30”, diz Ricardo, ao comando do barco cheio de turistas que, motivados pela mesma esperança que nós, esperam avistar uma ou outra barbatana fora de água. É habitual encontrá-los em pequenos grupos de três ou quatro golfinhos, e apenas um membro da família é solitário – “chamam-lhe a Negra”. As acrobacias de que poderá estar à espera são sempre inesperadas – tanto deixam a descoberto só aquela barbatana dorsal, assim como quem não quer a coisa, como se entusiasmam be saltam mais alto, em jeito de exibição. Nestas alturas, diz Ricardo, é quando estão em período de acasalamento. “Os machos andam sempre mais alvoroçados para acasalarem. Os saltos são uma forma de exibicionismo frequente, como em todos os animais”, explica. 

A navegação não é no entanto livre. As regras são restritas e há vigilância permanente desta população por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que policia a zona num barco identificado. Assim que Ricardo avista os roazes, aproxima-se, ainda que essa aproximação activa tenha de ser feita até menos de 30 metros de cada animal. Durante meia hora, das três horas que dura o passeio, é possível estar a uma distância de 100 metros dos golfinhos, e movimentar-se sem grande rebuliço. “Temos de respeitar estas regras, e dentro deste raio não podem estar nunca mais de três embarcações, por isso no Verão quando há mais passeios, gera-se aqui trânsito marítimo”, explica Ricardo. 

O futuro desta população residente, umas das poucas no mundo, pode ser afectado pelas dragagens de ampliação do Porto de Setúbal, podendo abandonar o rio. “É imprevisível o comportamento deles, podem ir ou podem ficar. Esperemos que se mantenham mesmo com os trabalhos no rio”, admite Ricardo. 

Vertente Natural. Ponto de encontro: Porto de Abrigo, 6 (Sesimbra). Reservas: 93 727 5994 ou actividade@ vertentenatural.com. 35€/pessoa. 

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