Dez coisas para fazer na Arrábida: um mergulho no paraíso

A serra, o mar, as paisagens únicas: tudo isso, já sabe, são razões para voltar sempre à Arrábida.
Arrábida
Arlindo Camacho
Por João Pedro Oliveira |
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Não é uma hipérbole pirosa: o mergulho é mesmo na Praia do Paraíso, o outro nome que aqui se dá ao Porto da Baleeira, a última praia selvagem antes do Cabo Espichel. É aí que começa este roteiro de actividades na natureza pela Arrábida. 

A fome aperta e o semi-rígido acelera. São quase duas horas, já lá vão quatro desde saímos do Porto de Sesimbra em direcção à Praia do Paraíso, o outro nome que aqui se dá ao Porto da Baleeira. “É um sítio abençoado para uma estreia de snorkeling”, garante José Saleiro, sócio fundador da empresa de turismo de natureza e aventura Vertente Natural, espeleólogo, patrão de alto mar, mergulhador, ornitólogo, tudólogo da Arrábida, homem que conhece esta serra como poucos, por terra e por mar. Se procura a adrenalina de uma descida de rapel ou de uma subida de escalada, se quer mergulhar a fundo ou ver peixinhos à tona de água, é falar com ele. Nós falámos e eis-nos aqui, quatro horas depois, regressando a Sesimbra depois de uma sessão de snorkeling, que é afinal o nome dado ao mergulho sem garrafa em que se anda só a chapinhar de barbatanas, óculos e tubo respirador. É a experiência mais democrática, “está ao alcance de quase todos”, garante José Saleiro, porque “não é preciso especial condição física, ou preparação”. Confirmamos. “A aventura dura meio dia, fica a 30€ por pessoa e exige um mínimo de quatro, e inclui tudo, desde o material ao seguro, da saída de barco ao guia. O nosso foi António Rusga, mergulhador que vê a passear na capa desta edição nas águas da Baleeira – também podíamos ter ido para a Baía da Armação, para Caramessines, Ribeiro do Cavalo ou Vale Covo, os outros spots onde a empresa organiza actividades de snorkeling. António pede que o semi-rígido abrande. Debruça-se, leva a mão à água, pesca qualquer coisa. “Frutos secos do Lidl”, ri-se de saco na mão. “Daqui a trezentos anos ainda aqui estaria.” E fica dado o mote para tudo quanto lhe propomos para fazer nas páginas seguintes. Ninguém nos pede para cuidar do Paraíso. Basta não estragar.

Recomendado: Todas as praias da Arrábida

20 coisas para fazer na Arrábida

1
Vertente Natural
DR

Vá ao fundo

Na Baía da Armação, a água é calma o ano inteiro. Fica muito próximo da reserva integral do Parque Natural da Arrábida (santuário para todas as espécies menos a nossa, que está proibida de lá pôr os pés), tem fundos mistos de pedra e areia e a profundidade começa nos quatro metros, o que faz deste um spot perfeito para mergulhadores menos experientes e para a fotografia subaquática. Aqui também é possível fazer snorkeling. Porém, se quiser ir ao fundo da questão, também pode descer até 18 metros. Mas para isso precisa de estudar. Um curso de iniciação de mergulho em águas abertas fica-lhe por 395€, com todo o material incluindo (e olhe que é muito), e dura três a quatro dias. Para adquirir o gosto, pode começar por um baptismo de mergulho, que lhe leva meio-dia e 75€. 

Vários operadores em Sesimbra. Preços de referência Vertente Natural

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rappel na vertente natural
Fotografia: Arlindo Camacho
Coisas para fazer

Costereeing

icon-location-pin Grande Lisboa

Há a Boca do Tamboril, a Meia Velha, a Enseada da Mula e a Pedra Furada: “Os pescadores sempre tiveram a mania de dar nomes às pedras”, ri-se António Rusga. “E nós quisemos respeitar esses nomes, que também são património.” Daí que o nome dos quatro percursos de coastereeing da Vertente Natural. Coast quê? Ora, já lhe falámos várias vezes disso aqui. É aquela espécie de bimby de actividades radicais entre mar e serra, lembra-se? Mete caminhada, natação, slide, rapel, escalada, visita a grutas e mergulhos para a água que podem chegar aos oito metros de altura. Tudo num único passeio que se pode estender por quatro horas e três quilómetros de costa, sempre com aquele mar que não se decide entre o verde e o azul. Se é do tipo medricas, não desista já: o coastering junta duas coisas tão improváveis como adrenalina e tranquilidade e não impinge grandes loucuras a ninguém. “Aqui há sempre alternativas, ninguém é obrigado a fazer nada que não queira”, explica José Saleiro. Não quer saltar de tão alto? Salta de mais baixo. Não quer deslizar entre duas rochas preso por uma corda? Vai a nado. Não quer nadar mais? Vai a andar agarradinho aos pedregulhos ou pela falésia. Vai equipado de fato térmico, ténis resistentes, capacete, arnês e colete flutuador. E no fim ainda lhe oferecem farinha torrada.

A partir de 35€

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3
Vertente Natural canoagem
DR
Coisas para fazer

Canoagem

icon-location-pin Grande Lisboa

Dois por canoa, uma pagaia para cada um e meio dia de passeio por águas tranquilas com aquele tom de Índico que a Arrábida tem. A proposta é esta, é simples e não complica muito. Há programas de canoagem pelo Portinho da Arrábida e as praias a poente (lado de Sesimbra, oriente-se por favor) e nascente (lado de Setúbal) e há um passeio ao longo da linha de costa de Sesimbra. Duram meio dia e convidam a levar amigos, pois os preços diminuem na proporção inversa do tamanho do grupo, descendo dos 50€ até aos 25€ por cabeça. Há outro passeio ainda mais tranquilo pelas águas da Lagoa de Albufeira (25€, mínimo oito pessoas). E outro um nadinha mais bravo, chamado Sesimbra Selvagem, que já se estica por um dia inteiro: segue para poente de Sesimbra, vai vendo grutas com fartura, e tem paragem nas praias do Ribeiro de Cavalo, Cova da Mijona e Penedo. São 38€ para um mínimo de oito remadores. 

4
Praia do Porto da Baleeira (Praia do Paraíso)
Fotografia: Arlindo Camacho
Atracções, Praias

Vá a pé para o paraíso

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O paraíso pode ser uma cama de pedras. É o que acontece aqui, na última praia selvagem antes do Cabo Espichel, onde andámos a fazer snorkeling: quando a maré sobe, sobra apenas uma manta de seixos. Esta pequena baía é muito procurada para baptismos de mergulho.

Como chegar: passando a Azóia, siga pela N379 até à rua da Baleeira, uma estrada de terra batida à sua direita. Siga até junto do segundo caminho que encontrar à direita e pare o carro (se tiver GPS, chega aqui com as coordenadas N 38° 24.930 W 009° 11.366). Caminhe pelo estradão de terra batida, depois terá de descer por um pequeno carreiro inclinado mas seguro que começa à sua direita. No total, são 1500 metros a penantes.

Aprecie o fim e o cabo

Há aqui uma falha geológica que corta a costa no sentido norte-sul e que está a criar uma fenda que divide a serra. O desnível entre os dois topos da ravina está a ser lentamente cavado há muito tempo e é perfeitamente visível a olho nu. A consequência, garante quem sabe, é que um dia o Cabo Espichel será uma ilha. Mais milhão menos milhão de anos, claro está.

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5
Sesimbra Safari
Arlindo Camacho

Faça um safári pela serra

Num jipe pintado com o padrão de uma zebra e bancos pele de cobra, explore caminhos menos aconselháveis a carros e pernas sensíveis. Fernanda Chagas e Amândio Costa, vestidos a rigor (tipo Coronel Tapioca), fazem voltas divertidas pela Serra da Arrábida, que correm os moinhos e os fortes de Sesimbra ou que chegam até ao Meco e à Lagoa de Albufeira. Pelo caminho, há tempo para informações, curiosidades, um copinho de moscatel e, claro, farinha torrada.

A partir de 20€. Sesimbra Safari. 91 342 6956.

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Aviste os Tursiops truncatus

Podíamos dizer roazes corvineiros ou simplesmente golfinhos, mas a ideia era captar a sua atenção (este é o nome científico do mamífero). É verdade que os passeios para os avistar não são novidade, a comunidade residente no estuário continua a crescer (ronda os 40) e a probabilidade de os ver no Sado numa travessia de ferry para Tróia é equivalente à de ver uma alforreca. Mas isto é diferente. Quem diz ver golfinho, diz ver tubarões, sejam os comuns cações e tintureiras, sejam martelos ou brancos. Esperem… tubarões a sério? António Rusga, da Vertente Natural, vai explicando. Sempre houve, não é novidade, os pescadores sempre foram encontrando, nós agora é que estamos mais despertos. Ainda há 15 dias (primeira semana de Agosto) passou aqui um grupo de orcas a caminho do Norte. Não é novidade, mas deu na televisão. O tempo é outro, há muita gente atenta dentro de água e há muita rede social.” E neste tempo em que tudo se vê mais, os golfinhos não são excepção. “Com a comunidade residente de roazes no Sado e os golfinhos comuns que aqui andam, temos neste momento uma taxa de avistamento de 100%.”

Vários operadores em Sesimbra e Setúbal. Referência Vertente Natural. Duração 3 horas, 35 €/pessoa, mínimo 4 pessoas.

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7
falcão arrábida
DR

Ponha os olhos no céu

O Parque Nacional da Arrábida estende-se por 17 mil hectares, 5 mil dos quais são área marítima. A altitude máxima são 499 metros, a profundidade atinge os 100 metros. É uma casa enorme onde convivem 1400 espécies marinhas e 220 terrestres. No meio de tanta bicharada, avistámos numa das viagens de barco este falcão peregrino. Na verdade eram dois, um casal, que esvoaçava e estrilhava naquilo que o nosso guia garantiu ser uma discussão doméstica. O comprimento desta ave varia entre os 40 e os 50 cm, e o peso médio de um macho adulto ronda os 600 gramas enquanto o da fêmea chega aos 900. Bem nos pareceu que era ele quem fugia. E bem depressa. É que este é considerado o animal mais veloz do mundo, podendo atingir os 320 km/h.

8
Setúbal
Arlindo Camacho

Descubra Setúbal a penantes

O nome é estrangeiro mais isto não é só para camones. A ideia da Free Walking Tours é simples: aparece à hora combinada (10.00), no sítio combinado (Praça do Bocage) e vai dar uma volta guiada. Basta procurar pelo chapéu de sol (ou será de chuva?) verde. A empunhá-lo há-de estar Artur Ramos, que o leva a descobrir as ruas, a história e a cultura de Setúbal numa visita a pé. O tour não é profissional, mas é preparado com profissionalismo. No fim paga o que – e se – quiser.

Todos os dias. Domingo mediante reserva. 91 015 1034

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Zé da Mota Setúbal
Arlindo Camacho
Coisas para fazer

Zé da Mota

icon-location-pin Grande Lisboa

O nome é perfeito para o negócio. Era a graça do avô de José Maria, um dos sócios deste serviço de aluguer de scooters, figura popular já desaparecida, um tal Zé que começou um pequeno império a vender tecidos montado numa mota. Ora, estas novas que a empresa Zé da Mota disponibiliza foram as primeiras do género para aluguer em Setúbal e estão a ser um sucesso, garante Tiago Silveira, o outro sócio. O negócio prosperou especialmente este ano, quando o trânsito foi vedado aos carros entre a Figueirinha e o Creio e o acesso às praias ficou mais apertado. As motas e qualquer veículo com dístico de operador turístico continuam a poder circular livremente, o que faz destes alugueres uma das melhores apostas para um dia de praia na Arrábida (um dia, mota para dois, 40€). Mas Tiago garante que a maior procura pelo Zé da Mota, que também lançou os primeiros tuk-tuks na cidade, tem sido para passeios guiados. Há um de duas horas pela cidade, com cúmulo no Forte de São Filipe (25€/pessoa); outro que parte à descoberta da Arrábida, também por duas horas (35€); outro ainda de jipe pela serra, com prova de vinhos incluída, parceria com a Quinta de Alcube (55€/pessoa). Se quiser apenas uma boleia para a praia, fica-lhe a 12,50€ por pessoa, sem confusões.

Comer aqui ao lado

O Filipe
Arlindo Camacho
Restaurantes

Sete restaurantes em Sesimbra onde deve reservar mesa

O mote da iniciativa que promove a tradição piscatória e a cultura gastronómica da vila diz quase tudo. Sesimbra é tudo de bom do que vem do mar. E tanto podem ser uns carapaus gordos, como umas sardinhas, robalos ou pregados, salmonetes ou imperadares. Falta dizer que é também a arte que há em terra para cuidar tanto tesouro – não é só na grelha que se esconde o segredo de um bom prato à mesa. Sesimbra não é apenas um destino de praia, pode bem ser uma escapadinha gastronómica. Ora atente nesta lista dos melhores restaurantes em Sesimbra. 

Casa Santiago - Rei do Choco Frito
Fotografia: Arlindo Camacho
Restaurantes

Os melhores restaurantes em Setúbal

É verdade que em Setúbal se come bom peixe, mas não pense que se fica por aí. Não, longe disso. Apesar de haver poucos sítios no mundo (sim, no mundo) tão bons para o comer. E é por isso que começamos então por celebrar uma mão cheia de uniões perfeitas entre peixe fresco e grelha quente. Pelo caminho, somamos grandes alternativas (sim, também há choco). Não queremos é que não pense em Setúbal da próxima vez que quiser ir almoçar fora – e não vale dizer que é longe, em menos de uma hora põe-se lá. Descubra connosco os melhores restaurantes em Setúbal. 

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