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O restaurante de Santa Apolónia que reabriu há poucos meses tem uma nova carta de pequenos-almoços disponível todos os dias entre as 10.00 e o meio-dia.

Os caminhos de Lisboa não vão todos dar à Bica do Sapato (a zona de Santa Apolónia não é propriamente central e está constantemente em obras), mas o desvio vale a pena logo pela manhã. Imagine este cenário: um dia de Inverno com sol e céu azul, frio q.b., uma esplanada mesmo em cima do Tejo, ovos a fumegar, bolos fofos, pão estaladiço, um sumo de fruta espremida na hora e uma infusão a perfumar o ar. Não é preciso forçar mais a imaginação, porque o cenário é real e foi exactamente o que encontrámos na manhã em que nos sentámos nas mesas exteriores da Bica do Sapato para experimentar o novo menu de pequeno-almoço, servido todos os dias entre as 10.00 e as 12.00.
Esta é a grande novidade do restaurante, que reabriu em Setembro e que pretende aproveitar a dimensão do espaço para desenvolver vários conceitos. Já lá vamos: não podemos deixar o pequeno-almoço arrefecer. Antes de olhar para a carta, chega à mesa um enorme tabuleiro com uma vasta amostra do que podemos provar por aqui antes do almoço: pain au chocolat, croissant de amêndoa, bolo mármore (pode ser outro, varia de dia para dia), tartes de fruta, iogurte com granola caseira, compotas, etc.
Os clássicos da manhã (assim se chama a secção que abre o menu) têm a assinatura do chef Joaquim Sousa – autor da flor de chocolate do hotel The Oitavos que se tornou famosa no MasterChef Austrália e viral na Internet. Há croissants, pão ou bolo à fatia. Porém, para partilhar, nada melhor do que a selecção de viennoiserie, pão, compota e manteiga (8,50€): trata-se de um cesto que junta pão, croissant simples, um palmier, uma tartelete de framboesa (ou outra fruta) e mais um bolo folhado. Vêm acompanhados por manteiga caseira e um trio de compotas igualmente feitas no local (de frutos vermelhos, abóbora e figo).
Incontornável é o pain perdu (7€), uma rabanada crocante na superfície e fofa no interior que aterra na mesa acompanhada por um festim de framboesas e a respectiva calda no fundo do prato. Além disso, traz à parte natas e baunilha e um creme inglês para regar no final. O pão é húmido e o toque suave a baunilha deixa que todos os outros sabores se intensifiquem.
Há iogurte com granola caseira e fruta da época (5€) e tarte fina de maçã (5€), mas não passe à frente aquilo que pode parecer uma simples salada de fruta fresca (5€). Tal como a que faz parte da carta do almoço e do jantar, destaca-se pelos ingredientes de qualidade, cujos sabores intensos fazem lembrar aquele tempo que parece quase uma miragem quando a fruta que comprávamos e consumíamos no dia-a-dia sabia efectivamente a alguma coisa. As frutas escolhidas hão-de variar consoante a época, obviamente, e a desta manhã tinha finíssimas fatias de ananás, bolinhas de manga, frutos vermelhos e citrinos. A versão do pequeno-almoço não leva o granizado de lima e hortelã que faz parte das refeições principais, mas deixamos um conselho para usar sem vergonhas: se quiser o toque sumarento e intensamente fresco que faz lembrar um cocktail, pergunte se é possível adicionar granizado. Faz toda a diferença.
A seleção da cozinha foi feita pelo chef Milton Anes, responsável pela cozinha da Bica do Sapato. O melhor é começar logo pelo início: os ovos benedictine (10€) são feitos com brioche tostado em manteiga, ovos escalfados e molho holandês. O que se destaca, além do belíssimo empratamento, é o bacon estaladiço, tão fino que se parte em mil bocadinhos assim que é trincado.
A tosta Bica (16€) apresenta-se em pão tostado com manteiga noisette, salmão fumado, abacate, ovos mexidos com gruyère e toque de limão, mas também há um croque monsieur (9€) comme il faut (como deve ser) – não há melhor forma de descrevê-lo. Duas fatias de pão de forma torrado, queijo gruyère, fiambre de Paris e queijo gourmand fazem a festa que é crocante por fora, fofa e saborosa por dentro.
Além dos pedidos à carta, há três menus de pequeno-almoço que podem ser ideais para os indecisos. Amanhecer do cais (15€) tem uma seleção de viennoiserie, pão, compota e manteiga e bebida quente (café, chá ou cappuccino). Brisa à beira do Tejo (25€) inclui ovo benedictine, omelete ou croque monsieur, bolo à fatia, viennoiserie, iogurte com fruta e granola e bebida quente ou fria (entre sumo, café ou chá). Por fim, Essência da Bica (25€) reúne a tosta Bica, iogurte com fruta e granola e uma bebida quente ou fria (sumo, café ou chá).
Apesar destas opções bem compostas, Milton Anes assegura: “Não queremos ser um brunch. Claro que também temos menus que juntam várias coisas, mas o que queremos servir é um bom pequeno-almoço”. O cunho da pastelaria francesa sente-se em várias opções, desde o croissant (com sabor a manteiga, como se quer), às mil e uma voltas estaladiças do palmier, passando pelos cremes de baunilha cremosa que fazem a ligação entre a fruta e a massa das pequenas tartes.
A cafetaria tem uma vasta seleção, entre os clássicos expresso (2,50€), americano (4€) ou cappuccino (4,50€) e os especiais da casa, como o chai latte (5,50€), uma mistura aromática de chá preto com especiarias, ou o chocolate viennois (5,50€). Esqueça os chocolates das redondezas, este está numa corrida acelerada até à meta. É intenso, embora não demasiado espesso, com notas de cacau puro, um ligeiro travo picante e natas consistentes no topo que equilibram o sabor doce da bebida.
Há ainda matcha tonic (6,50€) ou matcha latte (5,50€) – e tem sempre a opção de leite e bebidas vegetais (amêndoa, sem lactose, aveia ou soja) por mais 0,50€. As infusões (5€) podem ser servidas quentes ou frias e variam entre camomila silvestre ou hortelã, entre outras. O clássico Earl Grey divide o espaço com o chá verde com manga, maracujá e citrinos. Sumos naturais (4,50€) também são sempre uma boa opção e aqui encontra um que não é assim tão comum: de framboesa. Além desse, há de laranja e de ananás e hortelã, ambos feitos na hora.
O pequeno-almoço funciona todos os dias das 10.00 às 12.00 e o chá da tarde, outra novidade, com uma carta ligeiramente diferente (que inclui macarons, scones e outros doces) vai das 16.00 às 18.30.
O piso superior da Bica do Sapato estava à espera do novo inquilino desde Setembro. Chama-se Trinca o Sapato e recebe agora clientes às sextas-feiras e sábados, entre as 19.30 e as 23.30. Hugo Guerra é o chef responsável e o desejo para o espaço é só um: “Não haver qualquer tipo de formalismo, enquanto se pica qualquer coisa com uma cerveja na mão.” O chef Milton Anes complementa, explicando que “um em cada cinco [pratos] será para comer com talheres e os restantes à mão”.
Na secção Já vou Avó do menu, há croquete de queijo com marmelada (6€, quatro unidades) e na que chamaram de Até suas do bigode, surge o camarão piri-piri (7€). Pelos dedos morre a fome junta dados de batata (4€), cachorrinho de pança de porco e gamba da costa (16€) e sandocha de novilho marinado em citrinos com maionese e alface romana (18€). Do mar chegam milhos de berbigão (9€) e carapaus alimados (11€). As sobremesas custam todas a 5€, entre chocolate e suspiro, fatia dourada ou tarte fina de maçã com gelado de baunilha.
No ambiente descontraído e despretensioso, com preços mais acessíveis do que na carta da Bica, é possível que todos os dias haja uma novidade ou outra. “Há sempre dias em que fazemos um teste na cozinha ou temos alguma sobra – e aí cria-se um prato”, explica Milton Anes. Esse é escrito numa ardósia. “Se o feedback for bom, repetimos.”
A pretensão é, no futuro, ter a cozinha a funcionar até mais tarde do que é habitual na maioria dos restaurantes em Lisboa. “Há muitos estrangeiros a viverem aqui que, por vezes, acabam o dia de trabalho quando é meia-noite e não se importam de ir jantar a essa hora”, diz Hugo Guerra. Milton Anes acredita que também os lisboetas vão gostar de ter esta opção: “Eu sou do Porto, onde a qualquer hora da noite é possível ir comer alguma coisa. Aqui temos o Galeto e pouco mais”.
No piso de baixo, a carta da Bica do Sapato sofreu algumas alterações desde a abertura e propõe agora, por exemplo, uma ostra de Setúbal com alho francês assado e sabayon de algas (5€, unidade) ou um lascado de beterraba com vinagrete de chalotas e dukkah egípcio (8€). Para o chef Milton, a renovação fez-se para responder aos desejos do público. “Estava mais habituado a comandar o que os clientes comiam, digamos assim, mas percebemos que temos de ir atrás do que o cliente quer, o cliente hoje já tem muita informação”, explica à Time Out.
A Bica do Sapato ainda não funciona non-stop, mas para lá caminha. Para isso servirá uma janela que já existe no local e que atenderá pedidos de take-away ou delivery.
Av. Infante Dom Henrique, Armazém B, Cais da Pedra, Santa Apolónia. 210 474 288. Seg-Qui 10.00-00.00, Sex-Sáb 10.00-02.00, Dom 10.00-18.30
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