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Na REŸS, cada gelado é uma viagem pelo mundo

As receitas, totalmente artesanais, são inspiradas na culinária de diferentes países, do Brasil à Indonésia.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
RËYS
Rita Chantre | Orange de Luna, na RËYS, em Campo de Ourique
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Estávamos em 2020 quando Jean-Pierre, um professor universitário francês, teve um sonho inusitado: viu-se a servir gelados no topo de Paris. Quando acordou, resolveu viajar para Itália, para aprender a arte do gelado artesanal na Toscânia. Dois anos depois, inaugurou a primeira REŸS, no bairro parisiense do Marais. Em Portugal, a estreia aconteceu no Verão do ano passado, em Campo de Ourique. “Um dos melhores gelados que já tive o prazer de comer”, “combinação de sabores muito singular”, “uma das melhores experiências que já tive em Lisboa”, lê-se pela Internet. Passado um ano, a equipa da Time Out decidiu descobrir a razão para tantas críticas positivas.

Não é uma gelataria qualquer. Além de uma esplanada com sombra, tem capacidade para receber mais de duas dezenas de clientes no interior e é “work-friendly”, como se lê à porta, num quadro de ardósia, que também anuncia um menu de degustação. Lá dentro, já há alguém ao computador, enquanto come gelado. Pouco tempo depois, chega uma senhora: “Está cá? Pediu uma ou duas bolas?”, pergunta. “São clientes habituais”, explica-nos a responsável da loja. Chama-se Mitza Mendes, é cabo-verdiana, mas vive em Lisboa há anos e ajudou Jean-Pierre a tratar das burocracias. “Quando nos conhecemos, houve logo um clique. A minha entrevista demorou umas três horas e depois fui para França, com mais duas colegas, para aprender a fazer os gelados.”

REŸS
Rita ChantreREŸS, em Campo de Ourique

A abertura em Lisboa demorou o seu tempo – o espaço esteve fechado durante um ano para obras –, mas Mitza acredita que valeu a pena. Os gelados, que não levam conservantes nem corantes, são produzidos com fruta fresca e especiarias que também estão à venda no espaço. Os sabores são “do mundo inteiro”, do Brasil à Indonésia, e as receitas são inspiradas na infância de Jean-Pierre, como a de compota de ruibarbo, que lembra um doce feito pela sua mãe com morangos, ruibarbo e raspas de limão. “Temos seis sabores de assinatura, que temos sempre, e depois vamos produzindo sazonalmente. Se estamos na época das cerejas, fazemos um sabor com cerejas. Em catálogo, temos uma centena de sabores, mas agora estamos com uma selecção de 12.”

Uma bola de gelado custa 4,50€. O menu de degustação inclui os 12 sabores disponíveis por 28€ – feitas as contas, é um desconto de 50%. Nos últimos meses, os best-sellers incluem Noces Indiennes, com pistácio, cardamomo e água de rosas, e Orange de Luna, com casca de laranja, canela e flor de laranjeira, mas as combinações são todas muito criativas. Por exemplo, o Dieux D’Amazonia leva cacau puro, castanha de caju e um toque da fava tonka do Brasil; o Balade à Bangkok é feito com arroz thai, leite de coco e citronela; e o Tsatsiki Crétois com iogurte grego, pepino, menta, azeite, limão e alho. Há ainda um com rum de sete anos, lima e charuto de Havana. Chama-se Rêve de Cuba e também costuma fazer sucesso.

RËYS
Rita ChantreNoces Indiennes e Dieux d'Amazonie, na RËYS, em Campo de Ourique

“Os nossos ingredientes são de muita qualidade”, garante Mitza, que também destaca as bebidas autorais. “São combinações em pó feitas por nós, de ingredientes como batata-doce e erva araruta, por exemplo, que depois é só misturar com leite e servir quente ou frio. Se os clientes quiserem, também podem comprar os blends para fazer em casa. Temos um chocolate em pó, por exemplo, que tanto dá para fazer gelado como bebidas. Também temos o blend do Dieux D’Amazonia, e o nosso próprio Chai”, explica-nos, apontando para os blends à venda, em embalagens sustentáveis, e para uma fila de frascos de vidro, que guardam alguns dos ingredientes usados nos gelados.

Na RËYS, evita-se o plástico. Os refrigerantes à venda – uma cola vegan e sumos de laranja e limão – são da Ocean52, uma empresa pioneira no ramo das bebidas saudáveis e ecológicas. Para fora, servem os gelados dentro de frascos de vidro, que os clientes podem voltar a trazer se quiserem fazer reposição do stock que têm em casa. “Temos ainda um saco térmico incrível, que também é reutilizável”, partilha Mitza, que acredita na “diferença” do projecto de Pierre. “Quando me perguntam qual é o nosso diferencial, eu digo que é o serviço. Se quiserem só vir desabafar, venham. Se quiserem pedir um café e aproveitar a esplanada, também. Podem vir trabalhar, comer um gelado com calma, são todos bem recebidos. Somos uma gelataria humana.”

Rua Saraiva de Carvalho, 120A (Campo de Ourique). Seg-Dom 12.30-20.00 

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