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Na Taberna do Mar, na Graça, comem-se niguiris e xerém

A Taberna do Mar
©Manuel Manso Niguiri de sardinha braseada

No tecto da Taberna do Mar, na Graça, está a espinha de um atum-rabilho de 160 quilos que Filipe Rodrigues abriu, escalou e cortou durante os tempos em que foi chef no Sea Me. Na parede, a cabeça de um cherne e um rabo de outro atum de 400 quilos. Boas recordações e o mote para este pequeno restaurante de 23 lugares, com uma cozinha essencialmente portuguesa e do mar mas com muitas técnicas japonesas.

“É uma cozinha de autor mas muito simples, com muito sabor”, explica o chef, que passou pelo Sea Me e depois pelo Rabo d’Pêxe, sempre com Hugo Gouveia, agora nesta cozinha também, como seu braço direito. A carta faz-se essencialmente com pratos de peixe, filetados, sem espinhas, com doses a pedir uma degustação de dois, três petiscos e depois um prato principal, aconselha. Falamos, por exemplo, de um niguiri de sardinha braseada (duas unidades, 5€), prato que acompanha Filipe há uns anos, mas também de outros com sabores muito portugueses, como o pão com molho de sardinha assada (2€). “Tiramos primeiro o filete da sardinha para o nigiri, as cabeças vão a assar ao forno e numa pequena prensa tiramos o suco” para depois embeber no pão torrado e fazer lembrar dias longos de Verão, explica, referindo que por enquanto, apesar de a época delas já ter acabado, ainda tem uns quantos quilos de sardinhas gordinhas para aproveitar.

 

A Taberna do Mar tem 23 lugares, alguns ao balcão
Fotografia: Manuel Manso

 

 

Para começar a refeição, sugere-se a muxama, de atum curado em sal, caseira, servida em azeite com umas tostinhas (4€). De volta à inspiração asiática, têm um pãozinho a vapor de alfarroba recheado com carapau seco e cebolada (duas unidades, 4€) ou os dim sums de língua de vitela estufada lentamente, algas e cogumelos (duas unidades, 4€), este último um dos únicos pratos com carne neste restaurante. Há ainda peixe fatiado em sashimi (sempre a rodar, dependendo do mais fresco, da liça dos Açores ao carapau) e em estudos está um “gunkan com picle de abóbora e cabeça de carabineiro”.

 

Pão a vapor recheado com carapau seco e dim sums de língua de vitela
Fotografia: Manuel Manso

 

 

Bem português é o xerém, que Filipe foi buscar às suas raízes algarvias, feito com polenta e servido com choco, berbigão e cebolo, numa dose maior, de prato principal (9€); o mesmo se passa com o arroz malandrinho de cabeça de bacalhau e coentros, com redução de vinho tinto para ser uma espécie de cabidela de peixe (9€).

 

Xerém
Fotografia: Manuel Manso

 

 

Para finalizar, há uma sobremesa de amor ou ódio, o leite creme de funcho do mar (4€) e um pudim de pão caseiro com amoras silvestres apanhadas pela família de Filipe em Trás-os-Montes e servido com raspas de gema curada (4€).

 

Pudim de pão
Fotografia: Manuel Manso

 

 

O pequeno restaurante segue a linha de uma taberna, com bancos de madeira, paredes com pedra à vista, e alguns lugares ao balcão. A acompanhar, é pedir a recomendação de um dos vinhos brancos da casa (tintos só há três). Por enquanto só abre para jantares mas em breve vão passar a servir almoços à quinta e sexta, sob reserva.

Calçada da Graça, 20 (Graça). 21 093 9360. Ter-Sáb 19.00-00.00.


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