A Time Out na sua caixa de entrada

Procurar
Golfinhos no Tejo
Fotografia: Gabriell Vieira

Nasceu um observatório de golfinhos na Torre VTS, em Algés

O centro nevrálgico do Porto de Lisboa associou-se agora ao projecto Golfinhos no Tejo. O objectivo é perceber melhor o que traz estes simpáticos cetáceos às águas de Lisboa.

Escrito por
Renata Lima Lobo
Publicidade

Há cada vez mais golfinhos no Tejo e o ano passado a Associação Natureza Portugal | World Wide Fund For Nature (ANF|WWF), ONG de conservação da natureza, lançou o projecto Golfinhos no Tejo com o objectivo de investigar o fenómeno. O projecto arrancou com o financiamento da Fundação Oceano Azul e com os parceiro Terra Incógnita, experiente operadora marítimo-turística que inicialmente foi os olhos no terreno da ANP|WWF. Agora juntaram-se mais parceiros de peso e nasceu o Observatório Golfinhos no Tejo.

É na Torre VTS (Vessel Traffic Service) que funciona o Centro de Coordenação e Controlo do Tráfego Marítimo e Segurança do Porto de Lisboa. E é também aqui que foi montado o novo centro de operações desta investigação: o Observatório Golfinhos no Tejo, um programa pioneiro na área da monitorização de cetáceos no Estuário do Tejo a partir de terra firme. O projecto, que arrancou em Março, está a ser desenvolvido em parceria com a associação ANP|WWF, a entidade que desafiou o Porto de Lisboa a entrar a bordo desta investigação, e o MARE-ISPA (Instituto Universitário de Ciências Psicológicas), um dos pólos do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente.

Praia de Algés
Fotografia: Manuel MansoTorre VTS, vista a partir da Praia de Algés

Juntos criaram o projecto CETASEE Tejo, que se traduz neste novo observatório e que, em ligação com a iniciativa Golfinhos no Tejo, recolhe “informação científica sistemática sobre a ocorrência e a distribuição espácio-temporal de golfinhos no Estuário do Tejo”, explicou a equipa durante uma sessão de apresentação no auditório da Torre VTS que decorreu na quinta-feira. É que até aos dias de hoje, e desde o século XIII, os investigadores só encontraram 100 registos entre os relatos históricos, sobre o avistamento de cetáceos no Tejo. E, na falta de estudos científicos, arregaçaram as mangas.

Que espécies nadam no Tejo? São sempre os mesmos grupos? O que vêm cá fazer? Quantos são? São estas algumas das perguntas para as quais a investigação em curso quer encontrar respostas. Por um lado, com a ajuda de registos acústicos, obtidos através de um sensor/gravador instalado dentro de água (que à tona se identifica por uma bóia verde), junto à Torre VTS, que regista os sons do estuário. Ana Rita Luís, investigadora do MARE-ISPA, explicou que os golfinhos têm “assobios assinatura”, ou seja, estes registos podem ser úteis na identificação de cada um dos golfinhos. Por outro lado, uma equipa de voluntários, na sua maioria estudantes universitários na área da biologia, assumiram as rédeas da observação nas alturas.

Torre VTS
©Time OutO posto de observação

No terraço da Torre VTS está instalado um posto de observação com binóculos que permitem observar o rio desde a Ponte 25 de Abril e um telescópio que dá uma visão mais pormenorizada, em particular da zona mais próxima da margem sul. Num tripé, está instalada uma câmara de filmar que também vai registando avistamentos. Os voluntários revezam-se a cada cinco minutos nas suas observações, em turnos de quatro horas, e em apenas 19 dias de observação registaram avistamentos em 40% dos dias e duas espécies de cetáceos: golfinhos-comuns e golfinhos-roazes, estes muito populares no Estuário do Sado. O projecto conta ainda com uma vertente mais próxima do olhar, com “saídas de mar” para registo fotográfico. É que através das barbatanas dorsais também é possível perceber se são sempre os mesmos golfinhos ou não, já que é quase como uma impressão digital.

As observações vão decorrer até ao final de 2022, mas o projecto Golfinhos do Tejo vai lançar um relatório preliminar a 4 de Julho, sobre a história do Estuário do Tejo ao longo das últimas décadas e o seu potencial para as visitas de golfinhos.

+ Às escuras no Pavilhão do Conhecimento para celebrar o Dia da Terra

+ “O mal que fazemos ao planeta não pára”. Esta série vai mostrá-lo

Últimas notícias

    Publicidade