Notícias

New Story Bridal: uma nova vida para os vestidos de noiva

São dezenas de vestidos em segunda mão ou a preço de outlet num único espaço. A sustentabilidade faz parte do negócio.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
NEW STORY BRIDAL
Nicole Sanchez
Publicidade

Em média, são precisos 9000 litros de água para produzir um vestido de noiva. Os dados da plataforma Good On You são usados por Teresa Baumeister Simões para levantar o véu sobre o real impacto da moda, e da moda nupcial em particular, no ambiente. Promover escolhas mais sustentáveis, mesmo junto de quem procura o que vestir num dia especial, foi a primeira motivação desta empreendedora portuguesa. O resultado está à vista num novo showroom no centro de Lisboa. A New Story Bridal junta cerca de 50 vestidos no mesmo espaço — há marcas conhecidas, silhuetas de princesa e modelitos alternativos para quem procura um visual diferente.

NEW STORY BRIDAL
Nicole Sánchez

"A ideia não é desvalorizar estas peças, o que acontece muitas vezes quando são postas à venda online, com imagens sem qualidade. São peças com tecidos nobres e que exigiram muito tempo de confecção", começa por referir Teresa, em conversa com a Time Out. "E em Portugal, não havia um serviço especializado com um atendimento personalizado. Faltava um projecto com credibilidade", remata.

É preciso subir até ao quarto andar e percorrer um corredor até entrar no espaço da New Story Bridal. As visitas, previamente marcadas, têm uma duração de uma hora e meia e podem incluir acompanhantes, como manda a tradição de atendimento nas principais lojas da especialidade. No expositor, há três tipos de vestidos — em segunda mão, vendidos à consignação depois de uma avaliação cuidada, provenientes de antigos stocks de lojas e ateliers e modelos assumidamente vintage, que, ao contrário dos restantes, têm mais de cinco anos de vida.

NEW STORY BRIDAL
Nicole Sánchez

Arranjos e modificações ficam a cargo do Oficina Atelier. Pronovias e Rosa Clará espreitam entre as etiquetas e algumas peças são assinadas pela portuguesa Rita Álvares Pereira, curiosamente as menos convencionais. Os preços podem ir até aos 1800€, mas a média fica pelos 800€. Os vestidos previamente usados têm o nome das primeiras noivas. Algumas delas, deixaram cartas escritas às sucessoras. Tudo começa com a submissão de um formulário online. "Continua a haver mais pessoas a querer vender do que a querer comprar, mas a procura inicial tem sido maior do que esperava", continua Teresa.

Aberto desde Novembro, o espaço tem recebido clientes com diferentes motivações, a começar pelas que priorizam a sustentabilidade. "São noivas que valorizam muito mais experiências do que coisas e que querem que estes valores estejam presentes num dia como este". O orçamento mais reduzido pode levar uma noiva a procurar uma opção mais em conta. As "smart brides", por outro lado, aparecem em busca de detalhes específicos, acabamentos ou elementos que não encontram nas lojas. Pontualmente, surgem noivas portuguesas a viver no estrangeiro, já mais familiarizadas com este tipo de negócio.

NEW STORY BRIDAL
Nicole Sánchez

"Quero que este projecto tenha também uma parte educacional", refere ainda Teresa, uma promotora de longa data da sustentabilidade no que diz respeito à moda. Designer gráfica de formação, criou a Troca-te, uma plataforma que ao longo de uma década organizou eventos de troca de vestuário. A vontade de criar um novo projecto na área desembocou na New Story Bridal.

"É fundamental manter o contacto com lojas por causa dos stocks parados. Muitas vezes, têm de comprar determinadas quantidades para poderem representar as marcas. No final, há peças que acabam por ser incineradas ou mesmo em aterros. O deitar fora não existe, não há um fora. Há vestidos de noiva no Atacama, de certeza", conclui. Agora, é fundamental fazer o negócio crescer, sobretudo a quantidade e a diversidade de peças. O objectivo é alcançar a marca dos 200 vestidos. Novos ou usados, todos podem ter uma nova vida.

Avenida Duque de Loulé, 22, 3º andar, sala 4. 91 956 4555. Qui-Sex 10.00-19.00 e Sáb 10.00-17.00 (por marcação).

+ Esta galeria está de “Ojo” no artesanato português

+ Analora, uma galeria de arte em cerâmica e outras raridades

Últimas notícias

    Publicidade