[category]
[title]
Abriu em Santos e na zona de Roma com café de especialidade e brunch. Rebeca Yang, uma das baristas, conta com um título nacional em preparação de café.

Di Su não bebe qualquer café. “Ando sempre à procura de cafés de especialidade, em qualquer parte do mundo”, assegura à Time Out. Depois de fazer várias viagens ao Brasil, à Grécia e à China, de onde é natural, apercebeu-se que chegara a altura de ter o seu próprio espaço – um sonho que tinha desde criança, confessa. Além de apreciar a bebida, Di Su acredita que “o café é um sítio muito mágico, que liga as pessoas”. Essa foi uma das razões para abrir o W You Coffee. Em Maio, em Santos e, em Setembro, na zona de Roma-Areeiro.
Mas a história deste negócio começa mais atrás. Na verdade, o W You Coffee na Rua do Poço dos Negros nasceu no lugar onde a empresária abrira o seu primeiro café, na pandemia. “Não tinha muita alma”, admite a proprietária (uma de três sócios), que faz parte do grupo Sigma, de empreendimentos imobiliários. Foi então que, no início deste ano, decidiu mudar a imagem do café com a ajuda do seu actual responsável, o brasileiro Francisco Artal. O nome, por exemplo, é hoje uma mensagem de boas-vindas, já que o 'W' significa "welcome".
“Gosto muito do campo. Tenho uma paixão por cavalos, então estou sempre no campo. O verde acaba por ser mais importante do que o azul, do que o mar, porque sou mais da montanha do que da praia. Foi daí que veio a inspiração”, explica, apontando que o musgo artificial numa das paredes pretende ainda aludir à ideia de um planeta futuro, onde, devido às condições hostis, cresce uma única planta – o musgo. Já o lioz utilizado para construir o balcão e as mesas chegou de Sintra, de uma pedreira perto do museu de cerâmica Albuquerque Foundation.
Di Su cresceu em Portugal e, talvez por essa razão, o café seja habitado por elementos portugueses. No W You Coffee na Rua Oliveira Martins, junto à Avenida de Roma, o balcão é revestido de azulejos do século XVI e XVIII – encontrados também em Sintra –, com a vontade de recriar o estilo dos edifícios da época Pombalina, nas zonas históricas da cidade. “Para aqui [para a Rua do Poço dos Negros], trouxemos coisas do campo. Para o outro sítio, levámos coisas mais culturais e turísticas”, para proporcionar experiências distintas.
O menu, por exemplo, sofre algumas mudanças de um sítio para o outro, mas mantém muitos dos mesmos pratos. A pensar sobretudo no brunch, há sanduíche de ovos mexidos com bacon (8,50€); ovos benedict com bacon em pão brioche (8,50€); focaccia recheada de pasta de pistáchio, presunto e mozzarella (9,50€); tosta de salmão fumado com rúcula, molho de alho-francês, amoras e sementes de sésamo (10,50€); e tosta margherita, com mozzarella, tomates cherry e salada de manjericão (8,50€).
Quase tudo, como a cookie de pistáchio com chocolate branco ou a de chocolate negro (ambas 3€), é feito na casa. O croissant (3€) e o pão são fornecidos pela doBeco, mas querem começar, em breve, a produzir o próprio pão. Além disso, adianta a empresária, o terceiro W You Coffee abrirá, em 2026, próximo da Avenida da Liberdade. “Queremos abrir mais, mas não queremos crescer muito rápido e perder a qualidade do café”, diz.
Afinal, aqui, o café é o mais importante. Atrás do balcão, encontramos a chinesa Rebeca Yang, barista que trabalha neste projecto há cerca de um ano. Sempre se interessou por café e está especialmente familiarizada com a parte do processamento do café – conjunto de etapas em que se separam os grãos da casca e se extrai a polpa do fruto –, que pode ser feito desde a forma natural, em que o fruto seca ao sol, à húmida, em que o fruto é lavado primeiro.
Yang tem ainda experiência e um certificado profissional da SCA (Specialty Coffee Association) de preparação de café. Foi, por isso, a escolhida para participar no Campeonato Nacional de Baristas da SCA, durante a Porto Coffee Week. Depois de completar uma prova de 15 minutos, na qual tinha de preparar 12 bebidas – quatro com café espresso, com leite e de assinatura –, a barista foi eleita vencedora pelo júri.
“Foi uma óptima oportunidade de aprendizagem. Antes, já tinha experiência de barista, mas nunca tinha treinado como tive de treinar agora. Tudo tem a ver com cada movimento que fazes e os erros que podes cometer se não estiveres a fazer as coisas devagar e de forma mecânica”, explica Rebeca, que foi treinada por Francisco Artal, com quem desenhou o menu de bebidas do W You Coffee.
Para o espresso, utilizam café do Brasil, da torrefactora Olisipo. Este é feito numa máquina da norte-americana Modbar, cujo modelo, segundo a proprietária, não se encontra em nenhum outro café em Lisboa. Para o café de filtro, a escolha varia com alguma frequência. Nos últimos tempos, têm trabalhado com a April Coffee Roasters, de Copenhaga. O flat white (4€) é um dos bestsellers, seguido do latte de matcha (4,50€); do matcha com leite cremoso e água de coco, ou com sumo de limão, água tónica e redução de gengibre (ambos 5,50€); e do latte de caramelo salgado (4,50€). Os verdadeiros apreciadores costumam ir para o café simples, preparado na V60 (4,50€).
De tempos a tempos, tanto em Santos como em Roma, o W You Coffee organiza pop-ups de bebidas. Di Su espera começar a fazê-lo mais vezes, mas com mais do que um projecto em mãos, não é fácil. A empresária também está por trás da pizzaria Arancia Blu em Arroios, que abriu no passado mês de Abril.
Rua do Poço dos Negros, 104 (Santos) e Rua Oliveira Martins, 19A (Roma). Seg-Sáb 09.00-16.00
Está a par dos melhores novos restaurantes em Lisboa? Não fique para trás. Na Avenida, abriu o JNcQUOI Fish – mais fresco é impossível. Se procura alternativas de mar, mas com vistas de rio, dê um salto ao Almadrava. Não muito longe, o Solo é uma boa alternativa de almoço, para quem gosta de surpresas e de um cheirinho a fine dining. Brunch num palácio? Também há e fica nos Anjos. Já no Gancho, em Alfama, Louise Bourrat dá-nos a sua cozinha do coração.
Discover Time Out original video