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'Noite Viva' estreia esta quarta no Teatro Aberto

Por Miguel Branco
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Noite Viva, peça-filme que estreia esta quarta-feira no Teatro Aberto, é a perseguição da incerteza, o desejo que a dúvida atrapalhe, para melhor, o quotidiano. Falámos com o encenador João Lourenço e garantimos que este texto não é um biscate.  

Biscates aqui e ali. Vai de mota, vai de carro, vai como tiver de ir. Tomás (Vítor Norte) é um desses navegadores do safanço, do olha-já-é-qualquer-coisinha. Para pagar a renda da garagem da vivenda do tio (Rui Mendes) toda a ajuda é bem-vinda, todo o esquema é coisa decente. Em Noite Viva (peça-filme que o Teatro Aberto, sob encenação de João Lourenço, estreia esta quarta-feira) estamos na dança do quotidiano. Aquela que tantas vezes é interrompida por factores que lhe são externos e alheios, e que vêm – pois claro que vêm – complicar a coreografia. 

A complicação chama-se Ana (Anna Eremin), uma mulher que vem devolver a Tomás o sonho, o desejo, coisas que não se arranjam em biscates. “Esta mulher tira-o da solidão, há a possibilidade de uma nova esperança, desperta-lhe sentimentos que ele julgava perdidos... mas ele não a conhece”, explica João Lourenço. E bem sabemos que o desconhecido nem sempre é um lugar de triunfo. 

Por outro lado, a sorte de João Lourenço parece diferente da de Tomás. Ele que também aqui vai em direcção a novas planícies, aquelas que introduzem um filme de 45 minutos no meio de uma peça teatral. “Tenho feito bastante vídeo e gosto de introduzir imagem na cena, mas nunca fiz cinema e teatro. É uma experiência, não é para agora fazermos tudo assim. Já estou há tanto tempo no teatro que quero é fazer coisas diferentes”, explica o encenador. 

Quanto ao autor, parece quase mobília da casa. Conor McPherson, dramaturgo irlandês contemporâneo, foi feito pelo Teatro Aberto pela primeira vez em 1997 (Água Salgada), e voltaria a palco em 2000 (Lucefécit) e em 2005 (Luz na Cidade), sempre com adaptações dramatúrgicas à realidade portuguesa, sempre com mão de Vera San Payo de Lemos.  E é um autor “que diz muito em poucas palavras.”, diz João Lourenço antes de acrescentar: “À primeira vista, a quem não estude bem, parecem coisas banais, depois vemos a profundidade nessas coisas banais e como o contexto lhes faz ganhar uma actualidade e uma literatura que ao princípio não parece ter. Ele consegue um texto literário com uma simplicidade enorme, com as palavras de todos os dias, é muito o que está atrás do que se diz”. 

O cenário guia-nos para a tal garagem do tio, decoração estilo a-vida-possível. É a ambição do amanhã, o mistério da incerteza que guia a escrita de McPherson, que conduz esta noite no Teatro Aberto. Portanto: cuidado. 

Teatro Aberto. Qua-Sáb 21.30.Dom 16.00 (nos dias 24, 25, 31 e 1 não há espectáculo). 7,5€-15€. 

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