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Nova temporada do D. Maria II arranca com verdadeira maratona de Tchékhov

No Rossio, a rentrée do Teatro Nacional D. Maria II faz-se mais cedo. A programação inclui todos os espectáculos cancelados entre Março e Julho deste ano e dezenas de novidades.

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Escrito por
Raquel Dias da Silva
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O segundo mandato de Tiago Rodrigues enquanto director artístico do Teatro Nacional D. Maria II termina já no final de Dezembro, mas a sua eventual renomeação é uma questão ainda em aberto. Já fechada, embora com “muitas incertezas”, está a programação para a temporada 2020/2021. O arranque, marcado para os primeiros dias de Setembro, faz-se com uma verdadeira maratona de Tchékov, no D. Maria II e no São Luiz Teatro Municipal.

Temporada 2020/2021 - Teatro Nacional D. Maria II from Teatro Nacional D. Maria II on Vimeo.

O primeiro espectáculo é particularmente ambicioso. Adaptado e montado a partir de quatro das mais importantes peças de Tchékhov – A Gaivota, O Tio Vânia, Três Irmãs e O Ginjal –, A vida vai engolir-vos, de Tónan Quito, estará dividido em duas partes, com cerca de quatro horas cada. A primeira será mostrada no São Luiz Teatro Municipal (nos dias 1, 3, 8 e 10 de Setembro) e reúne as primeiras metades dos quatro textos. A segunda será apresentada um dia depois na Sala Garrett do D. Maria II (nos dias 2, 4, 9 e 11) e agrega o final das obras. Mas há mais.

Aos sábados (dias 5 e 12), o público é desafiado a participar numa experiência ímpar: passar uma noite entre os dois teatros, assistindo às duas partes do espectáculo de uma só vez. Estas maratonas, terão início às 19.00 no São Luiz e terminarão às 06.00 do dia seguinte, no D. Maria II, período durante o qual terão lugar intervalos e serão servidas duas refeições, incluídas no valor dos bilhetes.

Já na Sala Estúdio do D. Maria II, destaca-se a peça Aurora Negra, que poderá ser vista de 3 a 13 de Setembro. Com criação e direcção artística de Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Iracema, o espectáculo, vencedor da segunda edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, aborda a invisibilidade a que os corpos negros estão sujeitos nas artes performativas em particular e na sociedade portuguesa no geral.

Entre as produções nacionais, distingue-se ainda Última hora, uma encomenda feita ao escritor Rui Cardoso Martins. Com encenação de Gonçalo Amorim, trata-se de uma tragicomédia negra sobre o jornalismo, que se desenrola num jornal e aborda a transição do papel para o online, com uma nova administração voraz, capitalista e mercantil, que ameaça o respeito pela deontologia jornalística e o serviço público.

A primeira apresentação internacional, a decorrer entre os dias 25 e 27 de Setembro, será Eurovisão da canção filosófica, um espectáculo-concurso de canções com letras escritas por filósofos de vários países europeus, incluindo Portugal. A proposta é de Massimo Furlan e Claire de Ribaupierre, que convidaram 11 pensadores a escrever canções sobre a relação da humanidade com os grandes temas da filosofia, que serão interpretadas na língua original do autor e avaliadas por Massimo Furlan, Catarina Furtado e um júri local, constituído por figuras de destaque de várias áreas da sociedade. O público terá também direito a votar, para que a cada noite seja consagrado um país vencedor, tal como na Eurovisão.

Bajazet, considerando o teatro e a peste, a mais recente criação do alemão Frank Castorf, a partir de Artaud e Racine, que estava prevista estrear na temporada anterior e foi agora reagendada para Março de 2021, é outro dos destaques internacionais. Sobressaem ainda O silêncio e o medo, do francês David Geselson; Achas para a fogueira, do também francês Antoine Defoort; O Bom Combate, da moçambicana Edna Jaime; All Together, do japonês Michikazu Matsune, pela primeira vez em Portugal; e Please Please Please, da coreógrafa francesa Mathilde Monnier, da coreógrafa hispano-suíça La Ribot e do encenador português Tiago Rodrigues.

A estes espectáculos juntam-se muitos outros, de nomes como Catarina Requeijo, Marlene Monteiro Freitas, Raquel André, Sara de Castro, Jean Paul Bucchieri, David Pereira de Bastos, Sandro William Junqueira, Thierry Jolivet e Tiago Cadete. Mas também três dos principais festivais de teatro portugueses: o Alkantara Festival, o Festival de Almada e o FIMFA Lx.

Nesta temporada, reforça-se ainda o trabalho para a infância e juventude, com o regresso de projectos como a Boca Aberta, que tem alargado cada vez mais a sua rede de actuação junto de jardins de infância da região de Lisboa; o PANOS – Palcos Novos, Palavras Novas, dirigido a grupos de teatro escolar e juvenil de todo o país; o K Cena, destinado a jovens dos 14 aos 18 anos; ou o Presente!, que pretende combater ao insucesso escolar através da actividade teatral.

A programação inclui ainda oficinas de teatro, sessões descontraídas, espectáculos e visitas guiadas com interpretação em língua gestual portuguesa e audiodescrição, workshops e masterclasses de artistas nacionais e internacionais, leituras encenadas, conversas, exposições e lançamentos de livros.

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