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O Boteco: o novo restaurante do chef Kiko é um elogio ao Brasil

Escrito por
Inês Garcia
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O chef Kiko Martins trouxe um best of de petiscos e pratos de tacho brasileiros para O Boteco, o novo restaurante em pleno Largo Camões, no Chiado.

A primeira coisa a desviar a atenção é o enorme lustre com garrafas verde-bandeira. A segunda, ainda mais imponente, é a peça do artista Bordalo II. Está pendurada numa das paredes deste Boteco, de pé direito altíssimo e com muita luz, balcões em madeira à antiga e chão em mosaico. É um barco, que faz uma ligação entre Rio de Janeiro e Lisboa, com histórias que começam no Cristo Redentor e nas favelas e chegam a Portugal com símbolos como o eléctrico, o Castelo ou as redes de pesca. Um pouco como este restaurante que, embora seja um elogio ao Brasil, está no centro da cidade e tem produto português.

A obra de Bordalo II
Fotografia: Inês Félix

“Nasci no Rio e vivi lá até aos 11 anos. A minha mãe é pernambucana, tenho três irmãos a viver no Brasil ainda. Aqui tenho sabores da minha infância”, diz Kiko, que já tinha este projecto na cabeça desde 2014. Na altura de começar a montar a carta, não podia fugir aos pratos que continua a comer em casa da mãe. Nas entradas está a salsichinha de churrasco com farofa (4,90€), o dadinho de tapioca com goiabada picante (6,30€), os espetinhos de coração de galinha (4,80€), ou os pastéis de vento recheados com queijo coalho (6,20€) ou com porco preto e camarão (6,30€). “Mas depois também queria ter umas amêijoas. Mas como? À Bulhão Pato? Não, à baiana, com azeite de dendê, leite de coco, gengibre, coentros”, conta. Na mesma medida, está a salada de polvo, aqui uma entrada com tapioca, temperada com malagueta biquinho e com gelado de pimentos assados, ou os croquetes – e se o teste bem sucedido que fez com os de cozido à portuguesa n’O Surf&Turf está aqui (6,70€), estreou-se nos de feijoada à brasileira, com carnes da feijoada, feijão preto e um gel de maracujá a dar frescura.

Croquetes de feijoada à brasileira
Fotografia: Inês Félix

“Normalmente o que envolve o croquete é um bechamel, aqui fizemos um puré de feijão”, esclarece. Entre os pratos principais está a feijoada à brasileira, servida da maneira tradicional, com carnes de porco e enchidos, feijão, couve mineira e laranja (18,70€), o bobó de camarão e bacalhau (19,40€), a picanha de wagyu (27,40€), o arroz de frutos do mar com camarão tigre e queijo catupiry (25,80€) ou os escondidinhos, em versão vegetariana (17,90€) ou de pernil estufado (19,20€). Pode juntar á festa vários acompanhamentos, todos à parte, da farofa de presunto e bacon (3,20€) à macaxeira frita com flor de sal (4,40€), arroz de alho (3,40€), pão de queijo (4,60€) ou feijão preto (3,80€).

Pastéis de vento
Fotografia: Inês Félix

O mais difícil foi arranjar alguns ingredientes. “Deambulei por vários supermercados brasileiros, de Algés até Arroios. Ligava, chateava. Queria o polvilho certo para o pão de queijo, o queijo coalho, o tucupi”, descreve o chef. “Isto não é um trabalho feito do zero. Há oito anos, n’O Talho, tinha um prato que era o picadinho brasileiro, com corações, banana frita. E já fazia carne seca. Eu não quero fazer um corta e cola da cozinha brasileira. Isso era só olhar para meia dúzia de receitas e reproduzir. É preciso pensá-las”, reforça Kiko, que no último ano foi fazer dois jantares a quatro mãos em São Paulo e no Rio de Janeiro e aproveitou para visitar uns botecos.

Corações de galinha
Fotografia: Inês Félix

“A gastronomia brasileira é muito querida dos portugueses. O arroz de feijão, a picanha, os pratos com leite de coco, os quindins, brigadeiros, doce de leite, as caipirinhas. Isto sempre foi muito uma praia nossa, está enraízado”, diz. E portanto há disso na carta. Mas também vai encontrar um bacalhau à Lisboa, para apresentar a cidade aos turistas que vão passando e espreitando, com uma cebolada, batata palha e espuma de batata (21,80€) e um pica-pau de lombo de novilho (32,80€ para duas pessoas).

O receituário brasileiro não perdoa na hora da sobremesa e Kiko quer que se remate a refeição com o quindim com tapioca de coco cremosa e um gel de maracujá e coentros (6,70€), o bolo brigadeiro de chocolate e paçoca de avelã (6,90€) ou o Romeu e Julieta, uma novela romântica que é, na verdade, mousse de queijo catupiry com texturas de goiaba e bolo de fubá (6,80€).

Quindim
Fotografia: Inês Félix

Além dos lugares de sala, O Boteco tem oito lugares na barra, uma espécie de imagem de marca do chef. Funciona sem reservas e também pode passar só para comer uma das sandubas: sandes de pernil (9,30€), de lombo (9,80€) ou de presunto bolota e queijo coalho (8,90€). Junte-lhe uma caipirinha de lima, maracujá ou goiabada (8,90€) e tire o pé do chão ao ritmo da bossa nova que vai passando.

Praça Luís de Camões, 37 (Bairro Alto). Seg-Dom 12.30-23.30.

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