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Chafariz da Glória
Fotografia: Francisco Romão PereiraChafariz da Glória

O Chafariz da Glória voltou a ter água, apesar de não se poder beber

É discreto, mas conta histórias da cidade. O Chafariz da Glória, ao cimo da calçada com o mesmo topónimo, voltou a ter água, mas não é potável.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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No topo da Calçada da Glória, mora há mais de 250 anos anos um discreto chafariz, desactivado há algumas décadas. Recentemente, foi requalificado e voltou a jorrar água na última semana de Julho, embora imprópria para consumo.

Executada pela Junta de Freguesia da Misericórdia (JFM), e financiada pelo município em 33 mil euros, a obra teve como objectivo preservar a memória colectiva e o património histórico da cidade, lembrando os tempos em que a cidade não tinha uma rede de distribuição de água ao domicílio.

Este foi um dos muitos pontos de distribuição de água espalhados pela cidade, integrando a rede de distribuição criada a partir do Aqueduto das Águas Livres, construído em meados do século XVIII. A água chegou ao Chafariz da Glória em 1754, numa altura em eram os aguadeiros os responsáveis pelo abastecimento doméstico, levando a água a casa das pessoas (e também vendendo-a pelas ruas), em pesados cântaros ou barris. Tentámos perceber em que ano foi desactivado o chafariz, mas, segundo explicou uma fonte da junta à Time Out, “não há registo certo”. “Terá sido há cerca de 40/50 anos.”

Chafariz da Glória
©Fernando Martinez Pozal/Arquivo Municipal de LisboaChafariz da Glória, em 1947

No paredão do chafariz agora restaurado está uma pequena placa onde se lê “água não potável”, mas mesmo ao lado foi instalado um moderno bebedouro público com água potável, que, diz a junta, “estará funcional nos próximos dias”. Provisório é também o sinal colocado, que indica que a água não pode ser bebida. 

Chafariz da Glória
Fotografia: Francisco Romão PereiraChafariz da Glória

Se estiver preocupado com o facto de não existir uma torneira para fechar a água que está sempre a correr em tempos de seca, trata-se de um circuito fechado, como se lê na explicação da junta da Misericórdia na sua página de Facebook: “A recuperação do Chafariz da Glória, imóvel com valor histórico e arquitetónico, obedeceu a critérios de respeito pelos sistemas construtivos, e está a operar com sopros de água não potável e em circuito fechado, de forma a garantir uma boa gestão hídrica.”

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