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'O Dia do Sabat', primeira peça do Colectivo Sabat, estreia nas Gaivotas

Por Miguel Branco
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Tem direcção de Miguel Loureiro, estreia esta quinta-feira nas Gaivotas, mas é o espectáculo de estreia do Colectivo Sabat, que junta Adriana Aboim, Álvaro Correia, Miguel Loureiro, Mirró Pereira e Rafael Rodrigues. É uma caricatura cómica à volta da mesa. Fomos picar uns canapés e voltámos de barriga cheia. 

Wagner. Richard Wagner. Não, isto não é um início à James Bond, é antes a certeza de que se Wagner é o arranque de um espectáculo, convém ter cautela. É assim como um anúncio sombrio, um rufar vagaroso que diz que em torno desta mesa de jantar tanto se discute com os olhos como se faz esgrima com canapés. O pior – que neste caso é o melhor – é quando de Wagner se passa para Jojo Maronttini, autora do êxito viral “Que Tiro Foi Esse”. Aí já o canapé se encolhe, já percebemos que estamos num espectáculo exarcebado, caricatural, como se espera de Miguel Loureiro. 

A direcção é de Miguel Loureiro, mas na verdade este é o espectáculo inaugural do Colectivo Sabat – Adriana Aboim, Álvaro Correia, Miguel Loureiro, Mirró Pereira e Rafael Rodrigues. “Os colectivos são sempre histórias de amizade. Este espectáculo é mais sobre o meu signo, mas depois será de outras pessoas, não é um colectivo autoral. É um encontro de amigos, ao sábado. Tem a ver com a reunião das bruxas, um certo paganismo, uma espécie de anti-by the book, e de um período sabático em relação à nossa actividade principal”, contextualiza Miguel Loureiro. 

Ora O Dia do Sabat é praticamente um baile de máscaras sem sequência lógica, que  se passa em 24 horas, sempre na sala de jantar, sempre em torno do momento das refeições, com uma família que, se não é senhorial, pelo menos tem essa silhueta . “Quis que tivesse uma unidade de tempo, acção e lugar, portanto nessa medida é um espectáculo clássico, que respeita as três regras do academismo francês. Gosto muito dessa coisa da mesa, dos jantares, dá para dizermos as maiores barbaridades, dá para sermos lúdicos”, explica Loureiro, que mais uma vez nos dá um texto de linguagem avariada (onde, por exemplo, relação é ração) e com uma enorme componente coreográfica, bem pop, bem exagerada. 

E vamos lá a saber: o que se faz à mesa? Debate-se, pois claro. O quê? Bom, há ecos de Pedrógão, outros dos famosos recitais de piano da Gulbenkian, a performance de Judite Sousa em reportagem na gruta tailandesa ou ainda o workshop “o actor à procura de si”. Discute-se tudo, que todo o baile é um baile político, ou talvez não: “Estes temas não são programáticos, não são uma preocupação minha, sirvo-me deles para criar medida na cena e para ver quando há pulsar e quando não há, estes espectáculos são quase técnicos, não são ideológicos. São uma sequenciação de planos, como o teatro é feito hoje em dia”. Pois bem, se for sempre assim, é continuar.

Rua das Gaivotas 6. Qui-Dom 21.30. Ter 21.30. 10€. Concepção, texto e direcção Miguel Loureiro Com Adriana Aboim, Inês Nogueira, Miguel Sobral Curado, Rafael Rodrigues, Sara Graça, Tiago Lima, Vera Kalantrupman, Victor Gonçalves. 

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