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O Grupo do Avesso desce do Porto até Lisboa com uma parrilla acesa todo o dia, por onde tanto passam grandes cortes de carne como um bikini trufado – “uma tosta mista em esteróides” – ou uma bola de Berlim.

As obras de expansão da linha do metro e de drenagem tornaram a Avenida D. Carlos I num pandemónio. E fizeram com que a abertura do Faminto se atrasasse dois anos. Mas chegou a hora de dar fogo à peça. Muito fogo, ou não fosse a protagonista do novo restaurante, no rés-do-chão do boutique hotel Inspira Santos, uma parrilla acesa todo o dia e por onde passam praticamente todos os pratos – das entradas às sobremesas.
A ideia foi dos amigos de infância de Leça da Palmeira Ricardo Rodrigues e Ricardo Ribeiro e da prima deste, Joana Faria. O trio não é novo nestas andanças: são os donos do Grupo do Avesso, que tem vários restaurantes no Porto como o Fava Tonka, o Terminal 4450 ou o Brusco. Por cá, conhecemo-los do Fauna & Flora.
“Em Lisboa está tudo inventado. Por isso, o que as pessoas procuram é interacção, experiência”, diz Ricardo Ribeiro numa apresentação à imprensa a quatro dias da abertura marcada para segunda-feira, 9 de Março. “O mercado está a pedir descontracção, simplicidade, qualidade do produto e a menor intervenção possível.”
A parrila, grelha tradicional da Argentina e do Uruguai para assar carnes, peixes e vegetais, é praticamente desconhecida na cidade e foi, assim, a grande aposta. “Os clientes vão poder assistir à azáfama da cozinha, às coisas a serem feitas, à emoção do fogo”, continua. “É visual, é dramático, tem essa diferença dos outros braseiros ou churrascos”, acrescenta Joana Faria.
O espaço, com entrada independente do hotel, divide-se entre três salas, todas com um ambiente quente, rústico e confortável. Na da entrada salta à vista uma grande mesa irregular e cadeiras em madeira e pele terracota desenhadas pela arquitecta de interiores Inês Moura, que assinou todo o projecto; a mais pequena, ao fundo, é discreta e intimista, com tecto abobadado e mesas para dois; e é na terceira que a parrilla arde de manhã à noite. Aqui, além das mesas (onde nunca faltam um potezinho com flor de sal e facas da portuguesa Ivo Cutelarias com o nome do restaurante gravado), os clientes contam com um balcão com dois bancos de cavalo – foi pensado para quem quer assistir de perto e em directo à preparação dos pratos (e não sofre de calores!). No total, há 60 lugares e para a Primavera está prometida uma esplanada.
Rúben Santos é o chef de serviço. Com alguma experiência em fine dining, tinha vontade de voltar à base. “Apetecia-me uma coisa mais crua, mais primitiva. E gosto muito do fogo”, afirma, antes de apresentar duas entradas que está convencido que vão ter muita saída: as empanadas artesanais de carne (3,50€) e o bikini trufado na parrilla (8€/3 unidades; 14€/6 unidades). "É uma tosta mista em esteróides", descreve, entre risos. Seguem-se os ovos rotos Faminto (14€) com linguiça de porco preto, e o tártaro de vaca velha (16€) com a carne raspada na faca. "Inspirei-me na cultura da parrilla sul-americana, mas também em pratos de matriz portuguesa", conta.
“Queremos dar liberdade ao cliente e oferecer dois tipos de experiência: pode ficar só pelos snacks e petiscos ou passar para uma refeição mais a sério, mais pesada”, explica Ricardo. Os preços acompanham a filosofia. “São amplos e versáteis. Servimos carnes mais familiares, mas também mais diferentes, para todos os gostos e idades. E nos vinhos temos a mesma preocupação: em vez de começarem nos 30€, como se vê em muitos restaurantes, há propostas mais em conta”, assegura.
No campeonato das carnes, estrelas da carta, as propostas vão dos 20€, no caso da bavette (um corte bovino nobre e suculento, da parte inferior do lombo), aos 98€ o quilo de lomo bajo ou de chuletón, ambos com 45 dias de maturação. No intervalo há entraña (22€), picanha (26€), asado de tira (28€) e bife de chorizo Angus (32€) para acompanhar com coleslaw (3€), puré de batata trufado (7€), batata doce assada (4,50€), batata frita (3,50€) ou o muitíssimo recomendável arroz de forno (12€) – que também tem lugar nos pratos principais numa dose maior e acompanhado de secretos de porco preto (28€). Algumas propostas que estão no capítulo das entradas também dão óptimos acompanhamentos, caso da alface grelhada com molho Caesar e parmesão (6€).
Mas nem só de carne se quer fazer a casa, com pratos como o bitoque de atum do Algarve com dois ovos a cavalo (34€) ou a polenta cremosa com cogumelos assados, ovo BT e parmesão DOP (14€). “Uma curiosidade”, confidencia Ricardo quando o prato vegetariano aterra na mesa: “A Joana não comia carne há 26 anos!”
Sobremesas são quatro – e nós já ficámos com duas favoritas: a tarte basca (5€) com queijo creme, parmesão e xarope de ácer, e a bola de Berlim Faminto (7€) com custard de baunilha. Uma gulodice que vale a visita por si só.
O bar do hotel Inspira Santos chama-se Sedento, está aberto ao público e serve o restaurante. A carta de cocktails está cheia de clássicos, como a margarita (12€), a paloma (11€) e o bloody mary (11€), mas são as bebidas de assinatura Sedento e Faminto que mais surpreendem. A primeira tem espuma de marshmallow; a segunda junta medronho e ginjinha.
Quando o restaurante estiver em velocidade de cruzeiro, a aposta vai para o bar, que poderá ter uma carta própria e programação especial em algumas noites. Para a mesa, também há planos de futuro, como as sugestões semanais que podem vir a incluir francesinhas e cachorrinhos. Só de pensar, ficámos famintos outra vez.
A nova lista dos melhores restaurantes de Lisboa está aí – são 100 mesas onde fomos felizes e queremos voltar, entre novidades e clássicos, cozinha portuguesa e do mundo, tascas e estrelas Michelin. Por falar em estrelas Michelin – a Gala aproxima-se e nós já sabemos alguns detalhes sobre a cerimónia de 10 de Março. Antes disso, aconteceu o relançamento de Henrique Sá Pessoa fora do grupo Plateform – o chef espera nada menos do que duas estrelas no novo restaurante e também refrescou a sua proposta no Time Out Market.
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