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O Midori já tem a estrela Michelin, agora quer a mística japonesa

Midori
Luís Ferraz

Depois ter conquistado a primeira estrela Michelin no final do ano passado, Pedro Almeida pegou na equipa e viajou para o Japão. Não foram umas férias, mas sim “uma visita de estudo”. Durante quase um mês, tudo o que o chef do Midori e a sua equipa fez foi comer, de manhã à noite. Estiveram em Tóquio, Quioto e Osaka. Foram das tascas aos mais refinados e premiados restaurantes. O objectivo era só um: aprimorar ainda mais a experiência no restaurante do Penha Longa, tornando a refeição num ritual.

“Não queremos dormir à sombra da bananeira”, diz o chef num pequeno jantar de apresentação das novidades para os próximos meses, explicando que a estrela conquistada é só mais um motivo para trabalhar mais. “O Midori não pode ficar parado e no Japão fomos à procura de melhorar”, continua, destacando como por cá já se faz muita coisa que se faz por lá, mas há uma coisa que ainda falta, a mística.

A pensar isso, Pedro Almeida introduziu um momento de chá que antecede o jantar. A ideia é ser recebido como se numa casa de chá japonesa estivesse. Numa mesa grande à entrada do restaurante de 18 lugares, é servido um chá verde, dos Chá Camélia, com água de tomate.

Só então é que se segue para a mesa, onde tudo funciona como uma orquestra cada vez mais bem afinada. Antes de se começar a deliciar com este menu kaiseki, chega à mesa o peixe e o marisco que vai ser servido para que dúvidas não existam sobre a frescura dos mesmos.

A carta para os próximos meses não mudou totalmente, mas há novidades como um sashimi de carabineiro com arroz tufado, o sashimi de lula gigante dos Açores com caldo de dashi ou uma tempura de peixe espada com puré de banana e miso a fazer lembrar a Madeira (na foto principal).

 

Sashimi de carabineiro com arroz tufado

 

Continuam a fazer parte do menu o saboroso miso shiro de bacalhau com coentros, pimentão fumado e crocante de pele de peixe, tal como os trio de nigiris de cogumelo shiitake em sunomono, de carapau braseado com azeite de alho e de gamba riscada do Algarve com jus da cabeça “à guilho” e lima dedo, além do trio de nigiris de lula com lima e sal, de atum fumado com muxama e de toro na brasa.

 

Nigiris de cogumelo shitake em sunomono, carapau braseado com azeite de alho e gamba riscada do Algarve com jus da cabeça “à guilho” e lima dedo

 

Uma autêntica viagem entre Portugal e Japão, que Pedro Almeida quer tornar cada vez mais próxima. As práticas deles, com os nossos sabores. As receitas deles, com as nossas práticas. Uma troca constante e surpreendente na maior parte das vezes.

Os preços mantêm-se, apesar de a procura ter disparado depois da conquista da estrela: há dois menus de degustação, um com sete momentos (98€) e outro com nove momentos (133€), mas pode sempre optar por escolher à carta.

No essencial, nada mudou, a identidade é a mesma, agora talvez mais próxima da mística japonesa.

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