Fifty Seconds
Arlei Lima | Carabineiro com caril e limão caviar do Fifty Seconds
Arlei Lima

Todos os restaurantes com estrela Michelin em Lisboa

A alta gastronomia vive anos de grande dinamismo e criatividade. Em Lisboa, estes restaurantes com estrela Michelin são prova disso mesmo.

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Três restaurantes com duas estrelas, 16 restaurantes com uma. Assim se saldam as contas da região de Lisboa no Guia Michelin 2026. Desde que existe uma edição exclusiva para Portugal, o número de restaurantes estrelados tem subido sempre. Uma coisa puxa pela outra, é certo, mas não deixa de ser prova do dinamismo e da criatividade que, nos últimos anos, têm sido marca da gastronomia nacional. Ao todo, o país tem nove restaurantes com duas estrelas e 44 com uma.

Em Lisboa, com o Eleven a perder a distinção e o Arkhe a fechar portas, este ano o universo de estrelados reduziu-se ligeiramente face a 2025 (eram 20, agora são 19). Para compensar, o Fifty Seconds conquistou a segunda estrela. E o Kappo a primeira. Abaixo, listamos todos restaurantes com estrela Michelin em Lisboa e arredores.

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Duas estrelas Michelin em Lisboa

  • Português
  • Chiado
  • Recomendado

É porventura o mais emblemático dos restaurantes com estrela Michelin no país e tudo se deve a José Avillez e à sua equipa perfeitamente alinhada. Com duas estrelas Michelin e lugar cativo no 50 Best, o Belcanto é uma experiência desde o momento em que se passa a ombreira da porta. Num ambiente simultaneamente enfático e descontraído, para que a experiência possa ser aproveitada em pleno, o chef propõe um menu de degustação de grande nível (e já não os dois de outros tempos). São 11 momentos e uma viagem pela história do Belcanto, uma mistura de delicadeza, consistência e imaginação.

  • Haute cuisine
  • Parque das Nações
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

Com a saída do multi-estrelado Martín Berasategui, assim como do seu braço-direito, Filipe Carvalho (actual chef do JNcQUOI Fish e do JNcQUOI Table), o Fifty Seconds mudou – e para o perceber são precisos muito mais do que os 50 segundos que o elevador da Torre Vasco da Gama demora a levar-nos ao restaurante. Vindo do Vistas, no Algarve (então com uma estrela Michelin), Rui Silvestre afastou o Fifty Seconds da linha clássica do chef espanhol e impulsionou-o para um novo ciclo, com um menu de 14 momentos inspirado pelo mar e pelas especiarias que Portugal começou a transportar do Oriente há mais de 500 anos. Chamou-lhe 1497, o ano da partida da expedição de Vasco da Gama em direcção à Índia. No primeiro ano de casa, manteve a estrela. Ao segundo, conquistou a ambicionada segunda estrela Michelin.

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  • Haute cuisine
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Henrique Sá Pessoa mudou o seu restaurante gastronómico para o Páteo Bagatela. Descendente directo do Alma, mantém o conceito e boa parte da equipa. O novo nome é o do próprio chef, que assume este projecto como o mais pessoal da sua carreira. O espaço, intimista e com cerca de 30 lugares, propõe uma abordagem mais livre e contemporânea ao fine dining, com cozinha aberta e uma experiência centrada na proximidade com os clientes. A carta organiza-se em três menus de degustação – Costa a Costa, dedicado ao mar, Clássicos, com pratos emblemáticos do chef, e Encontros, uma síntese da sua identidade culinária –, além de opções à carta. Nesta nova etapa, o chef manteve a sua posição na alta gastronomia portuguesa, garantindo logo à partida as duas estrelas Michelin que pertenciam ao Alma. No Time Out Market, integra a ala dos chefs.

Uma estrela Michelin em Lisboa

  • Lisboa

Com apenas uma dúzia de lugares em torno de um balcão que abraça a cozinha, o 2 Monkeys oferece uma das experiências gastronómicas mais intimistas de Lisboa. O projecto, criado por Vítor Matos e hoje partilhado com Guilherme Spalk, conquistou uma estrela Michelin em menos de um ano. Instalado na antiga adega do hotel Torel Palace, o restaurante funciona em torno de um menu surpresa, com os pratos finalizados à vista dos clientes e num ambiente descontraído. A proposta combina criatividade contemporânea com referências francesas e produto português, numa sequência de pratos que se revela através de diálogo constante entre quem serve e quem é servido. Mais do que um jantar, é uma experiência pensada para ser vivida sem pressa.

  • Haute cuisine
  • São Sebastião

A saída de Pedro Pena Bastos deixou Rodolfo Lavrador, o seu braço direito, aos comandos da cozinha do Cura, um dos restaurantes do Ritz Four Seasons, detentor de uma estrela Michelin. Familiarizado com as tradições culinárias portuguesas, o novo chef tem traçado um caminho de sustentabilidade, ligado sobretudo à sazonalidade dos ingredientes. Numa mesa onde o produto é rei, a simplicidade da matéria-prima serve de base a outros experimentos – sejam eles com sabores do mundo, ou com as últimas técnicas culinárias.

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  • Chiado
  • Recomendado

Foi a primeira estrela Michelin em Portugal para um restaurante 100% vegetariano. José Avillez abriu-o ao lado do Belcanto, que é onde está a génese do Encanto – isto é, a cenoura com esfera de azeitona e leite de pinhão, que se foi destacando entre pratos de carne e de peixe. O reconhecimento do guia vermelho surgiu logo no ano de abertura, como previra a Time Out, consequência de um delicioso menu de degustação, com 12 momentos preparados de forma exemplar pelo braço direito de Avillez neste projecto, o chef Diogo Formiga. Equilíbrio, técnica, textura, leveza, tubérculos, raízes, leguminosas, cereais, frutos secos… Não falta nada.

  • Chiado
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

Com uma bela vista sobre o Tejo, o Epur foi o primeiro restaurante em nome próprio do chef francês Vincent Farges, radicado em Portugal há mais de duas décadas. Desde a abertura, em 2018, afirma uma cozinha criativa de base francesa que privilegia a simplicidade, a elegância e o produto, muitas vezes proveniente de pequenos produtores portugueses. A experiência organiza-se em menus de degustação que exploram uma abordagem visual e depurada da alta cozinha, com particular atenção aos vegetais e aos sabores essenciais. O restaurante ocupa um edifício histórico com cozinha aberta e salas luminosas de linhas contemporâneas.

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  • Belém
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

Em 2022, foi confiada a André Cruz uma difícil tarefa: substituir o aclamado João Rodrigues aos comandos do estrela Michelin do Altis Belém. O chef encarou o desafio de frente e hoje tem nas mãos um dos mais entusiasmantes restaurantes de alta-cozinha na cidade. Num espaço que continua a cruzar o clássico com o contemporâneo, a interacção à mesa faz-se tanto com o serviço de sala como com a equipa da cozinha, incluindo o próprio André Cruz. Os dois menus de degustação, Folha e Raiz, mais as respectivas versões vegetarianas, são fruto de um trabalho de proximidade com pequenos produtores e de respeito pela sazonalidade dos produtos, para dar nova vida aos sabores tradicionais portugueses.

  • Cascais

Instalado numa fortaleza do século XVII no Parque Natural de Sintra-Cascais, o restaurante da Fortaleza do Guincho mantém há mais de duas décadas a estrela Michelin, conquistada em 2001. Desde 2018, a cozinha está nas mãos de Gil Fernandes, que então se tornou o chef mais jovem do país a com essa distinção. Inspirado pelo Atlântico que envolve o hotel e pelas paisagens do Guincho, o chef apresenta uma cozinha de autor criativa e técnica, onde os sabores portugueses – sobretudo os ligados ao mar – ganham novas leituras. A proposta organiza-se em menus de degustação que reinterpretam a tradição com produto local, servidos num elegante restaurante panorâmico com vista privilegiada sobre o oceano.

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  • Castelo de São Jorge

Instalado no renovado Palácio Belmonte, no Pátio de Dom Fradique, praticamente ao lado do Castelo de São Jorge, o Grenache é o restaurante do chef francês Philippe Gelfi, que chegou a Lisboa depois de passar por várias cozinhas em França. A sua proposta assenta numa cozinha contemporânea de matriz francesa, elegante e técnica, construída a partir de produto sazonal e de ingredientes locais. O espaço, intimista e com vista para a cozinha, convida a acompanhar de perto o trabalho da equipa enquanto se percorrem dois menus de degustação – Grenache e Experience – onde a tradição gaulesa surge reinterpretada com criatividade e precisão, num diálogo constante entre técnica clássica e sabores actuais.

  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Instalado nas galerias junto ao Four Seasons Hotel Ritz Lisboa, o Kabuki é a primeira filial internacional do conhecido grupo espanhol, referência na cozinha japonesa contemporânea. O espaço distribui-se por três pisos e combina um ambiente sofisticado com uma atmosfera descontraída, incluindo restaurante, cocktail bar e uma sala privada. Fiel à identidade da marca, a proposta cruza a técnica japonesa com influências mediterrânicas, sempre com grande atenção à qualidade da matéria-prima, muitas vezes portuguesa. O resultado é uma cozinha que junta sashimi, nigiri e outros clássicos a combinações inesperadas que aproximam os sabores do Japão da tradição gastronómica ibérica. Tem o reconhecimento de uma estrela Michelin.

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  • Belém
  • Recomendado

Não é possível falar da gastronomia japonesa em Portugal sem referir Paulo Morais, decano da cozinha oriental. No pequeno restaurante aberto por Tomoaki Kanazawa, que quando regressou ao Japão, em 2017, escolheu Paulo Morais para o seu lugar, o chef homenageia a tradição nipónica como se fosse a sua. Com apenas oito lugares ao balcão, serve cozinha kaiseki, que tem como pontos fundamentais a sazonalidade e a qualidade do produto. Há quatro menus de degustação, num ritual pensado ao detalhe. A estrela Michelin do Kanazawa chegou no final de 2022, quando Paulo Morais já não a esperava.

  • Cascais
  • Recomendado

Em Cascais, o chef Tiago Penão concretizou o sonho de abrir um restaurante japonês centrado na proximidade entre cozinheiro e clientes. O Kappo – termo que significa literalmente “cortar e cozinhar” – organiza-se em torno de um balcão em L com pouco mais de uma dezena de lugares, onde tudo acontece à vista de quem se senta. Num ambiente intimista e contemporâneo, o chef conduz um único menu omakase, revelando a sua mestria técnica e a qualidade do produto, sobretudo do peixe e do marisco locais. Entre cortes precisos, maturações, curados ou passagens pela brasa, cada momento procura valorizar o ingrediente e a hospitalidade japonesa, numa experiência partilhada e sincronizada entre todos os comensais. É a mais jovem estrela na constelação Michelin na região de Lisboa.

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  • Sintra

Instalado no Penha Longa, em Sintra, o LAB by Sergi Arola afirma-se como o espaço mais experimental do chef catalão em Portugal. O restaurante, distinguido com uma estrela Michelin, funciona como um verdadeiro laboratório de ideias, onde a cozinha de autor combina influências espanholas, portuguesas e mediterrânicas. A consistência da proposta é assegurada pelo chef residente Vladimir Veiga, que conduz o serviço no dia-a-dia. A experiência começa com uma sequência de aperitivos que evocam sabores de várias regiões do país e desenvolve-se depois em menus de degustação que cruzam técnica contemporânea, produto de qualidade e referências gastronómicas de diferentes origens.

  • Estrela/Lapa/Santos
  • Recomendado

Sem carta, sem regras e apenas com matéria-prima portuguesa de produtores que Alexandre Silva conhece bem. É assim este estrela Michelin. O menu não desvenda nada do que vem para a mesa, mas deixa pistas: “O Loco é orgânico, valoriza os produtos nacionais e a natureza. Vive ao sabor das micro estações, inspira-se na tradição e nas referências identitárias da gastronomia nacional, mas subverte e eleva-as a um outro nível conceptual (...). O Loco é uma corrente criativa constante, uma atitude”. Pode confiar. São 16 momentos ao todo. Para uma refeição mais descontraída, Alexandre Silva tem o FOGO.

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  • Alfama
  • Recomendado

Sala sóbria, serviço cuidado, comida de grande nível. O fine dining de Marlene Vieira demorou a abrir, mas cumpriu todas as expectativas – e a estrela Michelin não tardou. Com a cozinha ao centro, balcão ao redor, está tudo à vista neste elegante e discreto restaurante da chef, que aqui cruza sabores tradicionais portugueses, as suas memórias, com o gosto internacional. Existem dois menus de degustação (de nove e 12 momentos), embora os pratos não se anunciem. Depende dos fornecedores, dos produtos do dia e da criatividade do momento. Pode chegar à mesa uma filhós de foie gras e profiterole de Azeitão, uma tarte de percebes ou um linguado com espargos brancos em molho sedoso. A carta de vinhos é criteriosa e acessível. Na porta ao lado, mais em conta, mais colorido, mais informal, Marlene Vieira tem ainda o Zunzum. No Time Out Market, integra a ala dos chefs.

  • Japonês
  • Sintra
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

Aberto desde 1992 no hotel Penha Longa, em Sintra, é um dos restaurantes japoneses mais antigos de Portugal. Depois de uma profunda renovação, passou de mais de cem lugares para apenas 18, num ambiente intimista com vista para os jardins e para a serra. Sob a liderança do chef Pedro Almeida, o restaurante ganhou nova vida e conquistou uma estrela Michelin, afirmando uma cozinha que cruza técnicas japonesas com produto português. A experiência organiza-se em dois menus de degustação de inspiração kaiseki, Kiri e Yama, com sete ou nove momentos, num percurso que valoriza a sazonalidade, a precisão técnica e a apresentação cuidada dos ingredientes.

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  • Europeu contemporâneo
  • Santa Maria Maior
  • preço 3 de 4
  • Recomendado

Foi um dos grandes e justos vencedores na primeira gala do Guia Michelin Portugal, em 2024, quando conquistou a estrela, e no discurso de agradecimento João Sá acabou a resumir na perfeição o Sála: “É um restaurante independente, pequenino, mas ambicioso”. A cozinha faz-se de misturas. Uma viagem gastronómica que começa em Lisboa e se estende a outras latitudes, da Índia a África. Já por lá se provou muamba, moqueca, caril, tom yum, mas também caldeirada ou coentrada. Há dois menus de degustação, um de cinco e outro de oito momentos, com os produtos do mar em grande destaque.

  • Estrela/Lapa/Santos
  • Recomendado

Sentar-se ao balcão do YŌSO é entrar num ritual omakase sério, com nove momentos de alto nível. Habner Gomes, formado na escola nipo-brasileira, serve bom lírio e bonito, um sublime fígado de tamboril curado em saké e uma elegante sopa miso de amêijoas. Nos niguiris, arroz Yumepirika impecável, cortes precisos de dourada, goraz e akami, entregues em mão, num ritmo solene e consistente. Com uma barra de nove lugares e três mesas, o pequeno restaurante foi pensado e desenhado pelo chef brasileiro, que conhecemos no extinto Mattë. Aqui, o preço é outro e é justo – como justa é a estrela Michelin madrugadora.

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