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Mariana Valle LimaCaril verde | Legumes verdes | Citrinos verdes

Restaurantes com estrela Michelin em Lisboa

Com a entrada do Encanto, do Kabuki e do Kanazawa, há agora 16 restaurantes na Grande Lisboa a ostentar a estrela do mais importante guia gastronómico do mundo.

Cláudia Lima Carvalho
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Cláudia Lima Carvalho
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De portas abertas há menos de um ano em Lisboa, o Encanto de José Avillez e o Kabuki, que tem na cozinha o chef Paulo Alves, conquistaram a primeira estrela Michelin. Distinção também entregue ao Kanazawa de Paulo Morais, em Algés, ao Euskalduna Studio de Vasco Coelho Santos, e ao Le Monument do francês Julien Montbabut, ambos no Porto. A boa notícia é que nenhum dos anteriores perdeu a estrela. No total há agora 16 restaurantes com estrelas Michelin em Lisboa (e aqui mesmo ao lado). Na gala deste ano, que aconteceu em Toledo, foi ainda anunciado que a partir de 2023, Espanha e Portugal terão eventos separados. Em 2024, chegará o Guia exclusivo dedicado a Portugal, um desejo antigo no sector. 

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Restaurantes com estrela Michelin em Lisboa

  • Restaurantes
  • Chiado

Quando o prato de cenoura em diferentes texturas com leite de caju se começou a destacar no Belcanto, o restaurante com duas estrelas Michelin de José Avillez, entre pratos de carne, peixe e marisco, o chef percebeu que havia um caminho a desbravar no universo dos vegetais. Não que não o soubesse antes, mas num restaurante como o Belcanto não havia espaço para o fazer com a dedicação necessária. Muitos testes depois, Avillez abriu o Encanto, na porta ao lado do Belcanto, que é 100% vegetariano e quer ser acima de tudo “um restaurante gastronómico bom”. A estrela chegou nove meses depois de ter aberto, tornando-se no primeiro restaurante vegetariano da Península Ibérica a conseguir a proeza. Não há pratos à carta, apenas um menu de degustação com 12 momentos (115€), que pode ser acompanhado com uma harmonização de cinco bebidas sem álcool (50€) ou oito vinhos (70€), sobretudo biológicos e biodinâmicos, de pouca intervenção. No menu, cada prato tem uma cor, cada momento é uma descoberta. 

  • Restaurantes
  • São Sebastião

As galerias do hotel Ritz voltaram a ter vida, muitos anos depois, com um restaurante de luxo que une a gastronomia espanhola à tradição japonesa. Tem uma história consolidada em Espanha, onde é conhecido por ser um dos melhores japoneses (em Tenerife tem também uma estrela, tal como tinha em Madrid até este ano). A entrada, pela Rua Castilho, é discreta, quase nem se dá por ela, mas uma vez no restaurante tudo parece encaixar-se de forma harmoniosa. A meia luz, os tons escuros que contrastam com a madeira clara, o ambiente sofisticado que consegue ainda assim ser descontraído. Em três andares, cada um tem a sua função. O restaurante fica no piso inferior, a meio um cocktail bar onde também é possível picar, e em cima a sala mais recatada para jantares ainda mais especiais. O que lhe deu fama do outro lado da fronteira – o ponto de encontro à mesa entre a cultura japonesa e mediterrânica, sempre marcado pela excepcional qualidade da matéria-prima e pela simplicidade da sua preparação – é o que se propõe a fazer por cá, com o chef Paulo Alvez a comandar a cozinha. O menu de degustação (100€) é a viagem perfeita para conhecer tudo o que por aqui se pode comer.

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  • Restaurantes
  • Belém

O nome do restaurante deve-se ao japonês Tomoaki Kanazawa, que quando regressou ao Japão, em 2017, deixou Paulo Morais no seu lugar. Não por acaso, ou não fosse Paulo Morais o chef português há mais anos a trabalhar a cozinha japonesa. O restaurante é pequeno, com apenas oito lugares. A cozinha é kaiseki, respeitando a sazonalidade e a qualidade da matéria-prima. Há quatro menus de degustação – três sem bebidas incluídas de 60€, 90 e 100€ e um de 150€, com tudo incluído. Já no início deste ano, o chef Paulo Morais foi nomeado Embaixador da Boa Vontade da Culinária Japonesa pelo Governo nipónico.

  • Restaurantes
  • Haute cuisine
  • São Sebastião

Pedro Pena Bastos está no Ritz desde 2020, quando abriu portas o Cura, o restaurante que, apesar de estar integrado no hotel, tem porta directa para a rua. Aqui, o chef honra o produto e a tradição portuguesa, à semelhança do que já vinha fazendo e chamando à atenção no Esporão, onde esteve três anos, e no Ceia, um restaurante na Graça que recebeu boas críticas, mas que acabou por não vingar depois da saída do chef em 2019. Com projecto da autoria de Miguel Câncio Martins, o Cura é um espaço clássico que não obriga a falar baixinho, alternando madeiras, pedras e tapetes, tudo colorido e luminoso. A cozinha, em fundo, é aberta e deixa-nos perceber o ritmo do serviço e quem a faz. A melhor forma de conhecer o trabalho do chef é através de um dos menus de degustação, como o Meia Cura (130€) ou o vegetariano Raízes (105€). Para os mais ambiciosos, o menu maior é o Origens (165€).

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  • Restaurantes
  • Haute cuisine
  • Bairro Alto

O novo 100 Maneiras (re)abriu em 2019, ao lado da primeira casa do restaurante, no Bairro Alto. O ambiente é escuro, nas casas de banho ouvem-se discursos de ditadores, e tudo isso corresponde ao que se esperaria de Ljubomir Stanisic. Um ano depois de fazer renascer o restaurante, chegou a primeira estrela. O objectivo é contar histórias através dos três menus de degustação disponíveis. O primeiro, de seu nome História (160€), leva-nos às origens do chef. São 17 pratos, numa viagem física, mas sobretudo emocional. Se preferir narrativas mais curtas, fique-se por O Conto (130€), uma versão condensada do primeiro menu, explicada em 11 momentos. Por fim, tem o Ecos do 100 (135€), um menu vegetariano, num compromisso de sustentabilidade.

  • Restaurantes
  • Alcântara

Abriu em Setembro de 2019 sem imaginar que passaria grande parte do tempo fechado devido à pandemia. Mesmo assim, no final de 2020 conquistava uma estrela Michelin, que mantém até hoje. Tem o nome do chef basco, comandante de um dos melhores restaurante do mundo, o Azurmendi, em Espanha. Há dois menus: Erroak (129€/214€ com harmonização de vinhos), que significa raízes, leva esse nome por reunir pratos emblemáticos de Eneko; e Adarrak (159€/274€ com harmonização de vinhos), que dá espaço às novas criações do chef.

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  • Restaurantes
  • Português
  • Chiado

Com duas estrelas Michelin, o Belcanto é o laboratório onde José Avillez aplica todas as suas técnicas de alta cozinha. Tem uma cozinha onde se trabalham produtos de luxo e se reinventam algumas tradições portuguesas. No início de 2019 mudou para umas portas ao lado da localização inicial, ganhando mais 15 lugares. Há três menus de degustação: Evolução (195€), Belcanto (175€) e Mesa de Chef (250€), que combina momentos dos dois anteriores com outros "especiais e únicos, que não se encontram na carta".

  • Restaurantes
  • Haute cuisine
  • Parque das Nações
  • preço 4 de 4

O primeiro restaurante em Lisboa de Martín Berasategui, o chef espanhol com mais estrelas Michelin, fica no topo da Torre Vasco da Gama, no hotel Myriad by Sana, e o nome faz jus à subida: do sopé até à sala demoramos exactamente 50 segundos. O nosso crítico Alfredo Lacerda explica que a experiência começa logo no estacionamento. Lá em cima, vista 360º (parte da experiência é também a visita à cozinha, que com jeitinho permitem), dois menus de degustação (195€ e 220€) para uma viagem de três horas, no mínimo, pelos clássicos de Berasategui, como o mil-folhas de foie gras com maçã verde e enguia fumada e outras criações em parceria com o chef executivo Filipe Carvalho. 

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  • Restaurantes
  • Chiado
  • preço 4 de 4

Vincent Farges abriu, em Maio de 2018, o primeiro restaurante em nome próprio em Lisboa. Tem uma cozinha com grandes janelas viradas para o Largo da Academia Nacional de Belas Artes, térrea, e três salas distintas no interior, altas, com uma vista incrível para o rio Tejo. O chef francês descreve este como um restaurante gastronómico “depurado”. Trabalha com pequenos e grandes produtores, com uma relação de grande proximidade, e depende completamente deles – a carta tem sempre três entradas, uma com elementos de água, outra de horta e uma terceira de terra; três pratos principais, do mar ou do rio, do campo e recordações de receitas familiares; e três sobremesas, uma com chocolate, outra com fruta e uma vintage. Há dois menus de degustação: Inspirações (115€) e Epurismo (140€). 

  • Restaurantes
  • Chiado

É no Chiado que Henrique Sá Pessoa, considerado o 70.º melhor chef do mundo pelos The Best Chef Awards, mantém as duas estrelas, no Alma, focado cada vez no produto português e na sua valorização no prato. Tem dois menus de degustação (ambos a 180€): no Alma mostra os seus clássicos; no Costa a Costa faz uma viagem pela costa nacional e traz para a mesa a água do mar e espécies sustentáveis.

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  • Restaurantes
  • Japonês
  • Sintra
  • preço 4 de 4

Ao fim de 25 anos, o Midori mudou. E essa mudança valeu ao chef Pedro Almeida a primeira estrela Michelin na edição de 2019. Durante o primeiro ano de vida do Midori 2.0 (dos cento e muitos lugares ficaram apenas 18, num ambiente mais intimista), o chef afinou pratos e todos os meses criou um novo menu de degustação, o que resultou em mais de 200 pratos. Hoje, há duas opções finais de menu de degustação, o Kiri (oito momentos/129€) e Yama (10 momentos/159€). 

  • Restaurantes
  • Estrela/Lapa/Santos

Alexandre Silva continua LOCO e firme com a sua estrela Michelin. No restaurante da Rua dos Navegantes, bem perto da Basílica da Estrela, há uma experiência total, da comida ao serviço, apenas para 20 sortudos de cada vez. O menu não desvenda nada do que vem para a mesa, mas deixa pistas: “O LOCO é orgânico, valoriza os produtos nacionais e a natureza. Vive ao sabor das micro estações, inspira-se na tradição e nas referências identitárias da gastronomia nacional, mas subverte e eleva-as a um outro nível conceptual, desafiando a regra através da pesquisa e experimentação de novos procedimentos. O LOCO é uma corrente criativa constante, uma atitude. É uma experiência total, que promove a relação entre os clientes e a cozinha do restaurante”. No total, são 16 os momentos (150€/235€ com harmonização).

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  • Restaurantes
  • São Sebastião

Joachim Koerper é a cabeça do restaurante estrelado desde o primeiro dia. É um defensor acérrimo da sazonalidade e não há estação em que a ementa não receba um extreme makeover, sempre surpreendente. Pode almoçar e jantar à la carte, atirar-se a um menu de degustação (120€-170€) ou perder a cabeça e pedir o menu lavagante, com o marisco presente do princípio ao fim (209€). Peça uma das mesas junto à janela e aproveite aquela que é uma das melhores vistas sobre Lisboa.   

  • Restaurantes
  • Cascais

A cozinha da Fortaleza do Guincho mantém a estrela Michelin desde 2001. Tem uma carta mais virada para o mar e assente na sazonalidade. Em Novembro de 2018, depois da saída de Miguel Rocha Vieira, o sous chef Gil Fernandes subiu de posição e ficou a comandar a Fortaleza – e bem. Vale a pena experimentar o Menu de Degustação (125€) e Menu Experiência (160€).

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  • Restaurantes
  • Belém

Depois da saída surpreendente de João Rodrigues do estrelado Feitoria, no Altis Belém Hotel, André Cruz, até então braço direito do chef, é agora o homem do leme. Sabe o desafio que tem pela frente, mas não treme, até porque sabe bem o que está a fazer. Em poucos dias, mudou algumas dinâmicas e, mais importante, criou um novo menu, a que chamou Semente – há um de sete (145€) e outro de nove momentos (160€), havendo duas versões vegetarianas (100€/ sete momentos, 120€/ nove). 

  • Restaurantes
  • Sintra

O chef catalão Sergi Arola abriu no Penha Longa Resort, em Sintra, uma espécie de laboratório com vista para o campo de golfe do hotel. À mesa há muitas influências espanholas pontuadas com ideias de outras paragens, o que se vê facilmente nas suas icónicas loucuras – uma espécie de pijaminha refinado de entradas que faz par com outro pijaminha refinado de sobremesas. O Menu Pela Serra Dentro (129€) é uma forma de se aventurar, mas se se quiser alongar experimente o Menu Pela Serra Fora (159€).

Novidades em Lisboa

  • Restaurantes
  • Italiano

Do risotto e das pizzas em forno de lenha à massa fresca, não esquecendo a burrata, o tiramisù e as bebidas típicas, como o limoncello, o aperol ou o negroni. Os portugueses ainda dizem "ciao" e "prego" à gastronomia vinda de Itália, que continua a ser uma das favoritas e indispensáveis na oferta da cidade. Prova disso são os vários restaurantes italianos em Lisboa que apareceram nos últimos tempos e aos quais não faltam clientes, ansiosos por uma boa dose de hidratos de carbono.

  • Restaurantes
  • Japonês

A vida retoma a (quase) normalidade e as novidades gastronómicas sucedem-se em Lisboa. Nos últimos meses, apareceram na cidade e arredores novos restaurantes japoneses que prometem dar que falar – na verdade, alguns já têm dado e a prova disso é a dificuldade em arranjar mesa. Há propostas arrojadas onde reina a fusão e casas onde manda a tradição, sem grandes espalhafatos. Há preços em conta, mas também contas que podem pesar mais porque os restaurantes não são todos iguais – e ainda bem que assim é.

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