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O modesto Zé do Cozido transformou-se no gigante Harmonia

Harmonia
©Inês Félix

O Zé do Cozido cresceu e mudou de nome. O restaurante-tasca de cozinha tradicional portuguesa na Alameda começou a ficar pequeno demais para tanta clientela, por isso decidiram fazer uma coisa maior, sem perder a sua génese. 

Fazem falta a lisboa novos restaurantes de cozinha à portuguesa, com preços acessíveis e amor pela tradição. É essa a convicção de Marco Costa, cozinheiro e sócio do Harmonia, a segunda vida do antigo Zé do Cozido, na Alameda. “Os estrangeiros não vêm para aqui à procura de hambúrgueres”, atira, “é preciso valorizar o que é nosso”. Essa valorização começou com a procura de um novo espaço para o restaurante que já não tinha condições para tanta gente, especialmente à quinta-feira, dia de cozido à portuguesa.

 

 

O novo restaurante tem um jardim vertical numa das salas
Fotografia: Inês Félix

 

“O Harmonia começa no Harmonia da Beira”, conta, recordando o restaurante que a família abriu no final dos anos 70. Fechou em 2009, para abrir como Zé do Cozido em 2011, já com Marco à frente e com o novo sócio, Domingos Valente. “A nossa praia é a comida tradicional, nunca quis fugir disso”, reforça. Mas a cozinha portuguesa também pode ter empratamentos minuciosos. Este cuidado com a apresentação começa na própria estrutura do novo restaurante, no espaço de um antigo supermercado, com dois pisos e capacidade para 130 pessoas.

 

 

A decoração do restaurante é dedicada ao vinho
Fotografia: Inês Félix

 

À entrada está parte da garrafeira e um bar, todo construído em madeira, que ganha relevância no novo contexto do restaurante, com uma carta de cocktails e sangrias distintas. Mais à frente, a cozinha, grande e à vista de quem entra no espaço, dando a ilusão de que fica dentro de uma enorme pipa de vinho. “A ligação do vinho com a comida é o tema deste restaurante”, explica Marco, que contratou um escanção para aprofundar as harmonizações, mas tudo num registo informal, e apostou numa decoração simples mas com copos no tecto, rolhas de garrafas na parede e partes de pipas.

 

 

Espetada de gambas e polvo
Fotografia: Inês Félix

 

Houve mexidas na carta – entraram algumas especialidades do chef, como o arroz de lavagante (60€ para duas pessoas), a cataplana de garoupa (42€ para duas pessoas), o robalo ao sal (39,80€ para duas pessoas) ou a espetada de polvo com gambas (19,80€), bem servida acompanhada por batata a murro. Nas carnes, o cabrito assado no forno (36€ para duas pessoas) passou a entrada fixa e há dois bifes fortes: um à portuguesa (14,90€), com uma demi glace, vinho branco e vinagre, que leva também presunto, alho e louro; e um à Harmonia (42€ para duas pessoas), com um fotogénico molho arroxeado, feito com vinho tinto e natas, cogumelos salteados e um generoso camarão grelhado em cima. 

 

 

Bife à Harmonia
Fotografia: Inês Félix

 

Outra das grandes novidades são as carnes maturadas, que começaram a trabalhar ainda no Zé do Cozido, mas agora têm duas câmaras de maturação próprias. “Compramos as peças inteiras e fazemos nós a maturação, a 30, 60 ou 80 dias, consoante a peça”, explica. Têm rib-eye, entrecôte, da vazia (20€) e tomahawk (45€/kg), com acompanhamentos à parte, e uma selecção wagyu, onde está a fraldinha ou a picanha (22,90€). Tudo feito no Josper, mais uma aquisição nova. Os acompanhamentos são à parte e tem desde arroz branco às migas da Beira (3,50€).

 

 

 

 

Mas também ficaram uma série de clássicos pratos do dia, como a feijoada de choco ou as favas com entrecosto (8,50€ a meia dose, 12,50€ a dose inteira). 

 

 

Entrecôte
Fotografia: Inês Félix

 

 

 

Entre as 15.30 e as 18.30, há uma carta de snacks e tapas bem portugueses disponível para servir na sala com jardim vertical, ao lado da cozinha. Há algumas das entradas normalmente disponíveis, como as tábuas de queijos e enchidos (12€), a salada de orelha de porco (4,50€), de polvo (6€), carapau de escabeche (3,50€) e outras quentes, como os ovos mexidos com farinheira (5€), as gambas al ajillo (12,50€) ou as fritas com alho e Moscatel (14,50€), amêijoas à Bulhão Pato (13,50€) e o prego à Harmonia, um bom remate para o lanche ajantarado, com queijo da Serra (9,50€).

 

À lista de bebidas acrescentaram cocktails baseados nos cinco elementos, alguns dos clássicos e também cinco tipos de sangrias diferentes, em homenagem a várias regiões – a do Minho é feita com vinho verde, a do Douro tem vinho do Porto, a de Setúbal leva Moscatel, a de Madeira tem vinho da Madeira e a algarvia leva medronho. A isto junta-se uma carta de vinhos com tantas referências que chega à mesa em modo catálogo – peça ajuda ao escanção.

No final, não subvalorize o doce da casa, aqui uma mousse de chocolate com pedaços de bolacha Oreo e creme de natas (4€).

Rua Actor Isidoro, 3C (Alameda). 21 849 6048. Seg 19.00-22.00, Ter-Qui 12.00-22.00, Sex-Sáb 12.00-23.00.

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