O melhor da cozinha tradicional portuguesa em Lisboa

É para molhar o pão, limpar o prato e pedir reforço. Quisemos reconfortar o estômago com comida tradicional e demos a volta a Portugal em Lisboa.

Fotografia: Manuel Manso

Demos uma volta ao país sem sair da cidade e reunimos uma colecção de grandes exemplares da cozinha tradicional portuguesa, região por região, servidos nos restaurantes de Lisboa. É muito provável que a sua comida de conforto esteja aqui. Esta é a nossa zona de conforto. 

Feijoada à transmontana

3 /5 estrelas

Taberna Maria do Correio
Madalena Heleno veio abrir um restaurante em Alvalade, mas tem a mãe, Fernanda, em Campo de Víboras, Vimioso, onde faz os enchidos desta feijoada à transmontana. Quando a mãe lhe manda butelos –o bicho do porco recheado com carnes, gorduras, espinhaço e por aí fora – juntam-se à feijoada ou então servem-se com casulas (as cascas do feijão) à boa maneira transmontana. Para se sentir em Mirandela também pode rumar a Alvalade: todos os dias há posta mirandesa e alheira lá da terra.

Prato do dia com menu: 8,50€

Prove também no Zé dos Cornos (Martim Moniz) às sextas, no Cartaxinho (Avenida) às sextas ou no Buraquinho às quartas (Campo Pequeno).

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Alvalade

Cabidela

Adega das Mercês
Também se comem boas cabidelas na Beira Alta, estamos a par deste assunto, mas esta (e outras) têm mesmo que ser atribuídas ao Minho. É que na Adega das Mercês marina-se primeiro a carne em vinho verde, para lhe puxar pelo sabor e a deixar tenra, explica Alcino Santos, do restaurante que serve esta iguaria feita com galinha do campo às sextas. O resto já se sabe, não é para os mais impressionáveis: sangue do bicho, um bom rasgo de vinagre e este castanho lindo.

Preço: 9,50€

Prove também na Adega Tagarro às sextas, na Adega da Tia Matilde, ou no Petite Folie como prato do dia.

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Bairro Alto

Arroz de Lampreia

4 /5 estrelas

Adega da Tia Matilde
É um bicho feio e há quem discuta se fica bem ou não neste arroz escuro. Os que têm a certeza que fica lindo, anseiam pelo início do ano, quando começa a época deste peixe a que também se chama a flauta dos sete olhos, e nessa altura a Adega da Tia Matilde enche para servir arroz de lampreia. Estas vêm de Caminha e servem-se nesta casa todos os dias, que é aproveitar o momento do ano em que a natureza libera este camafeu.

Na época da lampreia, entre Janeiro e Março, prove-a também na Antiga Casa Faz Frio (Príncipe Real), no Escadinhas da Cruz de Pedra (Benfica), na Imperial de Campo de Ourique ou no Solar dos Presuntos (Avenida).

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São Sebastião
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Tripas

4 /5 estrelas

Dom Feijão
A academia divide-se quanto ao nome deste prato. A academia não, as regiões: no Douro são tripas, por cá é dobrada com feijão branco. Estela, no Dom Tacho, faz tachadas deste peso pesado às quintas e o segredo está na qualidade dos ingredientes, diz: dobrada de qualidade, bom feijão, morcela, chouriço de carne, entremeada e farinheira – todos os enchidos vindos do Alentejo. Da mão de vitela com grão a uma feijoada, conte com estes mesmos enchidos e não é preciso esperar pelo frio do Inverno, que assim que acaba Agosto já há clientela a pedi-los, garante Estela.

Preço: 11€

Prove também na Tasca do Gordo (Pedrouços), no Das Flores (Chiado) como prato do dia a algumas terças, ou no Cardoso da Estrela como prato do dia.

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Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Francesinha

Dom Tacho
O molho é segredo e António Valente, que veio do Porto para abrir um restaurante por carolice há 13 anos, não o vai revelar. Portanto, passemos à frente: entre as fatias de pão há bife de vaca, salsicha fresca, linguiça, fiambre e mortadela; se quiser, mande vir batatas fritas e um ovo a cavalo na francesinha. António Valente deixou a profissão como engenheiro químico, juntou-se ao irmão Joaquim e os dois sacaram a receita à mãe. No Porto, parecida com esta, só no Santiago, argumenta – “as outras já foram”.

Preço: 8€

Prove também no Tanite (Alcântara), no Sabeapato (Avenidas Novas) ou no Lucimar (Rego).

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Areeiro/Alameda
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Enchidos com grelos

4 /5 estrelas

Adega da Bairrada
Eduardo, o cozinheiro chef, não sabe o que vai fazer à vida quando o senhor de 80 anos que lhe faz os enchidos deixar de trabalhar. Não trabalham com outros e ninguém quer pegar na receita vinda de Viseu mas que participa no prato tipicamente beirão. Este prato de sexta não tem nada que saber: uma farinheira ligeiramente picante, uma boa morcela, nada gorda, e um chouriço de carne no ponto. Os grelos são de couve, mais consensuais – nem toda a gente pode com o amargo dos grelos de nabo, diz Eduardo.

Preço: 9,50€

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Alvalade

Chanfana

4 /5 estrelas

Imperial de Campo de Ourique
Não há como não se sentir em casa quando se entra nesta tasca de Campo de Ourique. E não é preciso muito tempo para o senhor João nos pôr debaixo do nariz uma chanfana, prato do dia à sexta-feira (e, quando sobra, ao sábado). É feita de véspera, e como manda a tradição, com carne de cabra velha cozida e servida num prato de barro. É mergulhada em vinho tinto, alho, folhas de louro, pimenta, sal e “tem outros segredos”, diz o dono sobre a receita da dona Adelaide, a cozinheira de serviço – “ela é o ex-líbris desta casa”, elogia o marido. O prato acompanha com batata e brócolos. 

Preço: 12,50€

Prove também no Bota Feijão (Moscavide), mas atenção que lá é preciso encomendar.

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Campo de Ourique
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Sopa da pedra

Tasca Urso
A receita que se faz na Tasca Urso é a de Almeirim, o que quer dizer que não há no prato grandes verduras para além dos coentros que refrescam tudo no final. Esta sopa rica é para aquecer o estômago e a alma: tem feijão vermelho, cubos de batata e um desfile de carnes: carne de porco, chispe, orelha, farinheira, morcela e chouriço de carne. 
Nesta tasca com ar de casa da avó – se a avó for uma coleccionadora de objectos kitsch deliciosos – as sopas reconfortantes não se ficam pela sopa da pedra. Há sopa alentejana – ou açorda, se estivermos a falar com um nativo da região – e há sempre uma sopa do dia, que também promete consistência.

Preço: 7€

Prove também no Tanite.

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Princípe Real

Favas com enchidos

Pomar de Alvalade
Há uma razão para favas com chouriço ser o prato favorito de José Cid: ambos, o cantor e o prato, são ícones incontornáveis do Ribatejo. E ambos um pouco mal amados, embora isso sejam outros quinhentos, pelo menos no caso do cantor da Chamusca. No caso das favas, só os traumas de infância podem justificar que não se caia dentro deste tachinho bem perfumado com coentros, boa morcela e farinheira e carne a condizer. Telefone para confirmar a disponibilidade deste prato do dia que costuma ser às terças ou quartas. Tempere a gosto com o picante da casa.

Preço: 9,50€

Prove também no Cardoso da Estrela (Graça) ou no Cova Funda (Alameda).

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Alvalade
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Sopa de tomate

Zé Varunca
Há alentejanos que juram a pés juntos que a sopa de tomate do Zé Varunca é igualzinha à que a mãe lhes faz. Vem numa terrina que aconchega o estômago a duas pessoas, e o caldo de tomate é bem apuradinho. A receita de Estremoz, terra de José Manuel Varunca de Sousa, tem muito tomate, ovo escalfado lá no meio (e vem bem no ponto, com a gema a desfazer-se) e tem pedaços de pão a embeber a sopa. É uma das especialidades que faz parte da ementa fixa, assim como as migas à alentejana no cacete com entrecosto (10,50€). 

Preço: 5,50€

Prove também na Taberna da Casa do Alentejo (Restauradores) e no Magano (Campo de Ourique)

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Bairro Alto

Sopa de cação

4 /5 estrelas

O Galito
Henrique Galito diz que é muito difícil fotografar esta comida – se não tivesse vindo puxar uma das carnudas postas de cação para cima, e empoleirar as fatias de pão, iria parecer apenas um caldo, avisa – no Alentejo chamam-lhe “caldeta”, porque é mais grosso e cremoso que um caldo normal. E é uma delícia. Vai bem com um vinho branco, aconselha o cozinheiro, e dá bem para dividir por dois, até porque na altura em que a sopa de cação vier para a mesa, já terá comido as entradas, seja as favas com morcela ou torresmos. Se preferir carne, peça o ensopado de borrego.

Preço: 13€

Prove também no Zé Varunca (Bairro Alto) ou no Salsa&Coentros (Alvalade).

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Carnide/Colégio Militar
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Arroz de lingueirão com marisco

4 /5 estrelas

O Caçador
Uma das coisas que o Algarve tem de melhor, além das praias mais ou menos secretas no Verão, são os peixes e mariscos fresquinhos. E os arrozes aconchegantes. N’O Caçador, um restaurante sem vista de mar, as especialidades tradicionais chegam à mesa em doses monumentais e bem apuradas. Este arroz de lingueirão vem à mesa num tacho que dá bem para duas pessoas e tem também conquilhas, camarão e amêijoas a dar corpo ao prato. O caldinho está mesmo a pedir para molhar o pão no fim.

Preço: 25€

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Oeiras

Xerém de bivalves

4 /5 estrelas

Casa de Pasto
O chef Hugo Dias de Castro acrescentou à carta da Casa de Pasto, no Cais do Sodré, o xerém de bivalves. O prato, uma papa feita à base de farinha de milho e com uma textura granulada, é típico de Olhão, onde é frequente prepará-lo com amêijoas, toucinho, presunto e chouriço. Aqui é um dos acompanhamentos possíveis para os pratos no braseiro (vai bem com peixe do dia, 19€).

Preço: 4€

Prove também o xerém de amêijoas e lingueirão com robalo no Terraço do hotel Tivoli Avenida.

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Cais do Sodré
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Espetada do lombo em pau de louro

Ilha da Madeira
É um dos pratos que marca as festas na ilha, onde até costuma ser assado em braseiros ao ar livre. Na Ilha da Madeira, a espetada é feita em pau de louro como manda a tradição e os pedaços do lombo chegam a pingar e com aroma a manteiga de alho. Acompanha com o tradicional milho frito, arroz e batatas fritas. Prove também o bolo do caco feito pela dona Maria, o bife de atum à Madeira (12,50€) ou a carne de porco de vinha d’alhos (9,50€). Para beber, e aumentar essa sensação de teletransporte para a ilha, peça a Brisa Maracujá. 

Preço: 19€

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Lisboa

Filete de espada preto

4 /5 estrelas

Bistro4
Madeirense que é madeirense não dispensa o espada preto em filetes, um peixe de textura macia. No restaurante do hotel PortoBay Liberdade, com cozinha chefiada pelo madeirense João Espírito Santo, é servido com crosta de tomate, cebola, azeitona, broa de milho e trio de batatas.

Preço: 16,50€

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Avenida da Liberdade/Príncipe Real
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Alcatra à Terceirense

Espaço Açores
Parece chanfana mas é alcatra, um prato que se tornou típico na ilha açoriana devido às raízes dos seus primeiros povoadores, oriundos dessa região do país onde o prato é feito com cabra. Neste utiliza-se a vaca (mas já há, também, alcatras de peixe, como a de rocaz do Espaço Açores). “É um prato muito aromático, com pimenta da Jamaica e cravinho”, diz a dona Maria do Carmo, cozinheira do restaurante na Ajuda, explicando que demora largas horas a fazer. Só não é feito em alguidar de barro, que cá o barro é mais poroso. Acompanha com massa sovada – “tipo o folar da Páscoa mas menos seco.” Há outros três pratos imperdíveis, recomenda: o polvo, a sopa de peixe da Graciosa e o cozido das Furnas às sextas e domingos ao almoço.

Preço: 12,90€

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Ajuda

Comida de conforto

Um cozido à portuguesa por dia, o bem que lhe fazia

No Inverno, no Outono ou mesmo no Verão para os muito apaixonados. Para comer na segunda-feira, na terça ou, se quiser, todos os dias da semana. Damos-lhe um sítio por dia para aproveitar este prato.  

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Por Catarina Moura
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