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maat, x não é um país pequeno
Gabriell Vieira

O mundo que nem sempre queremos ver está em exposição no maat

Os baloiços instalados na fronteira do México com os Estados Unidos e que correram o mundo, uma estação interactiva para medir a pegada ecológica de cada um, ou o mundo visto de dentro de um aquário. Museu reabre a 5 de Abril com três novas exposições.

Escrito por
Cláudia Lima Carvalho
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Quase três meses depois de terem voltado a fechar portas, os museus estão prontos a receber visitas a partir de segunda-feira, 5 de Abril. No maat – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, três novas exposições deixam-nos a pensar sobre o mundo que nos espera na rua – o mundo tal como é hoje e que assim continuará se nada fizermos. 

X não É Um País Pequeno, Aquaria e Earth Bits são as três exposições que inauguram o maat neste pós-confinamento. Muito diferentes entre si, através de diversas perspectivas de curadores, artistas, arquitectos e designers, em comum as mostras têm a reflexão sobre o nosso futuro colectivo. Se X não É Um País Pequeno reflecte um mundo em que cada país luta por si, deixando à margem a importância do colectivo, Aquaria – Ou a Ilusão de Um Mar Fechado questiona a nossa relação com o mundo marinho, sugerindo uma aproximação mais orgânico-natural, deixando-nos muitas vezes do lado dos seres que vivem fechados em aquários.

Earth Bits – Sentir o Planeta consegue de forma muito gráfica e interactiva, através de dados científicos trabalhados pelo estúdio de investigação e design interactivo Dotdotdot, mostrar-nos o impacto da nossa pegada de carbono e todo o impacto da acção humana no planeta. Há mesmo uma estação interactiva – desenvolvida com o apoio científico da Agência Espacial Europeia, da Agência Internacional de Energia e da EDP Inovação – que reage a cada valor individual introduzido, calculando e apresentando os seus efeitos acumulados em diferentes escalas territoriais. 

maat
Gabriell Vieira

Temáticas diferentes, mas todas elas ligadas entre si e que nos dão o mundo tal como o conhecemos e que tantas vezes nos negamos a ver. Em X não É Um País Pequeno, são os cartazes que fizeram campanha pela manutenção do Reino Unido na União Europeia, no referendo sobre o Brexit, que deslindam o caminho para a exposição dividida entre si por um muro como aquele que separa o México dos Estados Unidos. É aí que está o “Teeter-Totter Wall”, ou “O Muro dos Baloiços”, o projecto dos arquitectos Ronald Rael e Virginia San Fratello que deu que falar em 2019, quando três balancés foram instalados na fronteira numa acção que pretendia apelar “ao equilíbrio delicado entre as duas nações”. No maat, pode conhecer não só esta obra, através do vídeo que a acompanha e que mostra a operação de montagem, como os momentos de brincadeira que originou. E, se quiser, também pode experimentar o baloiço. Em 2020, estes baloiços cor-de-rosa venceram o prémio Design do ano.  

No total, são nove as instalações que compõe X não É Um País Pequeno, com curadoria de Aric Chen com Martina Muzi. O título da exposição refere-se a um cartaz icónico de Henrique Galvão (“Portugal não é um país pequeno”), que em 1934 promovia a ideia de Portugal como uma nação “pluricontinental”, veiculada pelo Estado Novo, cujas possessões ultramarinas não eram colónias, mas sim partes integrantes do território soberano. 

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Gabriell Vieira

Por fim, Aquaria, com curadoria de Angela Rui, leva-nos por onze instalações. Um percurso que realça o modo como foram outrora concebidas as formas de compreensão do ambiente marinho e como devem hoje ser repensadas. Destaque para o filme realizado por Armin Linke, que teve acesso total aos bastidores do Oceanário de Lisboa, mostrando a vida daquele espaço de forma nunca antes vista. Linke examina a multidimensionalidade da arquitectura aquática, na qual as maravilhas da natureza são exibidas através de tecnologia escondida e bem orquestrada. 

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Gabriell Vieira

As três exposições ficam no maat até ao dia 6 de Setembro.

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