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Filme, Cinema, Documentário, The Legend of the Underground (2021)
©DRThe Legend of the Underground de Giselle Bailey e Nneka Onuorah

O Pride não é só em Junho

O documentário ‘The Legend of the Underground’, da HBO, acompanha a comunidade queer na Nigéria, um dos países mais perigosos do mundo para a população LGBT+.

Por
Clara Silva
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Passada a avalanche de arco-íris nas redes sociais, nunca é demais lembrar que o Pride se celebra o ano inteiro. Aliás, um post nas redes sociais que se tornou viral no final de Junho lembrava que o casamento entre pessoas do mesmo sexo só é legal em 29 países (15% do mundo) e que 69 países têm leis que criminalizam a homossexualidade. Um deles é a Nigéria, considerado um dos dez países do mundo mais perigosos para ser queer depois de uma lei anti-LGBT aprovada em 2014 – de acordo com um estudo citado pelo The New York Times também é um dos países mais homofóbicos do mundo –, que é agora o centro das atenções do novo documentário da HBO, The Legend of the Underground, disponível na plataforma desde a semana passada.

O filme, realizado por Nneka Onuorah e Giselle Bailey, centra-se na comunidade queer nigeriana e acompanha o caso mediático de 57 homens que foram presos em 2018 em Egbeda, um bairro em Lagos, por alegadamente participarem numa festa homossexual – a pena pode chegar aos 14 anos de prisão.

Um dos protagonistas do documentário é o jovem bailarino e agora influencer James Brown, um dos participantes, que se tornou uma celebridade aos 20 anos, com as suas declarações aos meios de comunicação social depois do raid policial à festa. Na altura, até 50 Cent partilhou o seu vídeo com um “LOL”. Mais pelos erros gramaticais que James Brown vai dando quando se tenta defender das acusações da polícia do que pelo conteúdo.

Outro dos protagonistas é o activista Micheal Ighodaro (agora co-fundador do Global Black Pride) que, depois de ter sido atacado violentamente na Nigéria pela sua orientação sexual, procurou asilo nos Estados Unidos. A sua vida mudou quando participou numa conferência sobre VIH e percebeu que podia fazer a diferença. No documentário, Micheal regressa a Lagos para reencontrar o seu melhor amigo e conhecer as histórias desta comunidade queer que continua a resistir às leis anti-LGBT e à brutalidade policial. Quer através de rádios clandestinas (com o podcast Queer City), quer através das redes sociais ou de peças de roupas gritantes (por exemplo, uma camisola onde se lê “Buysexual”).

Numa entrevista à Vogue, Micheal Ighodaro reforça a ideia de que o filme é muito mais do que as histórias individuais. “É sobre uma comunidade, sobre pessoas que passam dificuldades e que estão a lutar, mas que ao mesmo tempo encontram maneiras de se celebrarem”, disse o activista. “O filme não é só tristeza, estamos oprimidos, mas vamos muito além disso. Também somos pessoas que gostam de ir a festas e dançar, estar com os amigos.”

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