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Krysten Ritter
©Sophie Giraud/AMCKrysten Ritter (Lucy) em Orphan Black: Echoes

O que nos torna humanos? ‘Orphan Black: Echoes’ vai imprimir pessoas (literalmente) para o descobrir

A nova série inclui ecos do passado (da ‘Orphan Black’ original), mas centra-se num futuro próximo, em que a clonagem é prato do dia. Estreia no SYFY a 8 de Janeiro.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
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Os dilemas éticos da clonagem humana foram o ponto central do enredo de Orphan Black, série de ficção científica emitida entre 2013 e 2017 (por cá passou pelo extinto canal MOV) que acompanhava Sarah Manning, uma vigarista que assumiu a identidade de uma mulher, após esta se suicidar, uma tarefa pouco complicada uma vez que eram sósias. Mas na verdade o mundo estava cheio de muitas “Sarahs”, fruto de um projecto de clonagem clandestino levado a cabo por um movimento chamado Neolution, sustentado por uma organização tecnológica, o Dyad Institute. Orphan Black foi um caso sério de sucesso, pelo enredo, mas sobretudo pela prestação de Tatiana Maslany, actriz que vestiu a pele das mais variadas clones. De momento Orphan Black não está disponível em Portugal. No entanto, embora haja ligações ao passado, isso parece não ser fundamental para a compreensão para a nova série deste universo, Orphan Black: Echoes. Com selo da AMC, estreia a 6 de Janeiro no canal SYFY.

A acção avança para o ano de 2050, num mundo ainda mais inundado de novas tecnologias, onde conhecemos a nova protagonista, Lucy, interpretada por Krysten Ritter (Jessica Jones). E logo nos primeiros momentos assistimos ao seu nascimento, numa máquina de impressão 4D de tecido humano que dá à luz uma mulher adulta sem memórias do passado. A seu lado, reencontramos Kira Manning (Keeley Hawes), a filha de Sarah na série original que agora é cientista e estará de alguma forma envolvida no novo procedimento de clonagem. E muito mais não podemos dizer, senão o que nos contou por videochamada a criadora de Orphan Black: Echoes, Anna Fishko, também produtora de séries como Fear The Walking Dead ou The Society.

Keeley Hawes
©Sophie Giraud/AMCKeeley Hawes, em Orphan Black: Echoes

“Obviamente [Orphan Black] tinha uma base de fãs muito leal. Não podíamos fazer uma continuação directa por várias razões. Tínhamos de encontrar uma forma de trazer algumas personagens da série antiga, recriar o sentido de diversão e deixá-la ser um pouco tonta às vezes”, diz Fishko. Para a criadora, a nova série tem um ritmo mais lento e misterioso do que a original e menos “história em cada episódio”, para dar primazia à dinâmica entre cada um dos personagens que têm “situações muito interessantes”. Um processo de criação que foi iniciado há cinco anos, ou seja, pouco tempo após a conclusão de Orphan Black. “Foi um longo processo, mas finalmente conseguimos. O maior desafio foi tentar equilibrar os desejos dos fãs da série original e perceber porque é que foi bem-sucedida. E pensar em como trazer isso para uma nova série que também permitisse a um novo público poder interessar-se pela história”, explica a criadora. Por outro lado, o grande salto temporal para a acção de Echoes (Orphan Black passava-se no presente de então) acontece não só para justificar a evolução tecnológica que permite, literalmente, imprimir pessoas, mas também para recuperar a personagem Kira e “fazer com que ela tivesse a idade de que precisava para ter vivido uma série de experiências e feito as coisas que fez e tudo o mais.”

Numa era em que o advento da Inteligência Artificial começa a ocupar mais espaço no debate social, existirá uma relevância acrescida nestas histórias que abordam as questões éticas que surgem entre o desenvolvimento tecnológico e a identidade pessoal? “Sim, e penso que coloca a questão: o que faz de nós quem somos? São as memórias que temos? É o corpo? É possível recriar alguém a partir do zero e fazer com que seja a mesma pessoa? E o que é que são as experiências que vivemos? Serão as relações que temos com outras pessoas? Com a Inteligência Artificial a tornar-se cada vez mais dominante e com toda a gente a pensar nisso, penso que estas questões são muito importantes e estão muito ligadas. A série original colocou esta importante questão sobre a natureza versus a educação. E eu queria pegar em alguns temas semelhantes, sobre identidade pessoal, mas expandir as questões que estávamos a colocar. Questões mais contemporâneas, penso eu, sobre o que torna humanos os seres humanos”, disserta Fishko.

Apesar de Fishko se estrear neste universo, a nova série conta com alguns nomes que estiveram envolvidos na série original, como o co-criador John Fawcett, uns dos produtores executivos, juntamente com David Fortier e Ivan Schneeberg, que assumiram o mesmo papel em Orphan Black. Com uma primeira temporada de dez episódios, Orphan Black: Echoes foi pensada para se prolongar por “muitas, muitas temporadas”. “Adoraríamos que continuasse por muito mais tempo, foi concebida para ser uma série contínua.”

SYFY. Estreia a 8 de Janeiro (T1)

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