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O Quebra-Nozes do outro lado do Tejo

Por Miguel Branco
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A CNB passa o rio com O Quebra-Nozes, bailado clássico para ver sábado e domingo no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.

Isto começa como qualquer manhã de Natal: crianças, de pijama, correm para a televisão. Só que o filme é outro. Sentam-se a ver O Quebra-Nozes, da Companhia Nacional de Bailado (CNB). Parecem deleitar-se. Depois, como se entrassem no ecrã, a luz muda e estamos num convívio natalício, com uma árvore de Natal gigante, convidados de todos os tipos.

Estamos, agora sim, em O Quebra-Nozes, que estreou em 2003 na Companhia Nacional de Bailado (CNB), com coreografia do então director artístico, Mehmet Balkan, e música de Tchaikovski interpretada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida por Pedro Neves. O bailado clássico de Natal, depois de passar no Teatro Camões, ruma agora ao Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, onde fica sábado e domingo.

O enredo segue Clara, uma menina que recebe o soldadinho quebra-nozes como presente e que, quando se vai deitar, sonha que ele se transformou em príncipe, e que juntos derrotam o Rei dos Ratos, um terrível vilão com um enorme exército, antes de partirem para a aventura, para a floresta, onde um mundo encantando se vai apresentando diante de si, tudo isto baseado no conto O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos, do autor alemão E. T. A. Hoffmann. Mas afinal, porque é que ainda faz sentido fazê-lo? “O Quebra-Nozes é uma história universal, toda a gente a reconhece, é bastante acessível e depois tem a magia dentro da cena da realidade. É um episódio que se passa num momento de convívio, no Natal, e depois há um clique em que da realidade passamos para o sonho. E ficamos naquela viagem durante bastante tempo, até regressarmos à sala, pensar no quente das luzes, no frio que está lá fora, nós estamos aqui mas ainda assim podemos viajar. E creio que aqui em família ver este bailado pode ser bastante especial, a magia do bailado clássico acrescenta essa nota de fantasia”, explica Sofia Campos, directora artística da CNB.

E nesta época, então, faz ainda mais sentido. E relaciona- -se com um trabalho que Sofia Campos tem tentado pôr em prática desde que se sentou nesta cadeira, em Setembro de 2018, que quer esta instituição tão importante para a cultura portuguesa mais aberta: “O Natal é sempre uma época do ano que facilita a vinda a um espectáculo em família, tem esta dimensão. Um bailado que possa reunir esta dimensão familiar e, por outro lado, escolar, que nos possa facilitar estas valências a que a companhia deve responder, é uma mais-valia. Isso leva- -nos à questão das carreiras dos espectáculos, quantas vezes é que podemos fazer um bailado, a quanto público é que podemos responder nesta época, é um trabalho de relação com o público, de aproximação, que acreditamos que esteja a funcionar”, analisa.

Realce-se ainda esta parceria com a Companhia de Teatro de Almada, que faz com que, não só durante o Natal, mas em várias estações do ano, a CNB passe por esta cidade, com um público “atento e seguidor”, como classifica Sofia Campos. Colaboração que é para manter. E que, neste caso, é quase como ir celebrar o Natal com a família com quem não se passou a consoada. Boas festas. 

Teatro Municipal Joaquim Benite. Sáb 21.00. Dom 16.00. 25€. 

Coreografia Mehmet Balkan 
Interpretação Bailarinos da CNB e alunos da Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional
Música Tchaikovski
Interpretação musical Orquestra Sinfónica Portuguesa
Direcção musical Pedro Neves

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