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O Rossio na Betesga #13: um obnóxio nome

O Rossio na Betesga #13: um obnóxio nome
© Inês Félix

É forte candidato a mais estranho nome de rua de Lisboa.

Mas o apelido Azedo Gneco quase parece banal quando conhecemos o nome próprio: Eudóxio. Eudóxio César, mais concretamente. É uma conjugação de nomes auspiciosa, já que Eudóxio, de origem grega, significa “o de boa fama”, “o pensador”. E César é César.

Eudóxio César Azedo Gneco. Foi uma figura marcante do seu tempo. Autodidacta, trabalhou como operário na Casa da Moeda, onde se destacou como gravador tipográfico. Mas essa não foi a sua faceta mais importante. Gneco foi, ao lado de José Fontana, um dos grandes impulsionadores do Movimento Operário. Inicia a sua actividade política e sindical no Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, que tinha entre outros objectivos (por exemplo, fazer presépios…) o de difundir o ensino elementar e técnico. Durante a década de 1870 trocou correspondência com Karl Marx e Friedrich Engels. Com José Fontana e outros funda em 1875 o Partido Socialista Português (extinto em 1933 pela Ditadura Nacional). Distinguiu-se como conferencista, sendo um orador que conquistava multidões. Foi jornalista e director de jornais socialistas, e o responsável pela maioria da propaganda socialista do seu tempo. Combate o anarquismo, corrente em ascensão nas organizações laborais através do anarco-sindicalismo, que veio a ter o seu tempo áureo na I República. Próximo de figuras destacadas da monarquia, foi fortemente atacado pelos republicanos e, em 1908, descrente, afastou-se da política. Foi o período em que o apelido Azedo entrou em cena. Morreu em 1911 e a proposta do seu nome como topónimo lisboeta foi aprovada por unanimidade em 1926.

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