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O Rossio na Betesga #21: a Travessa da Légua da Póvoa

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Sobre a história desta rua basicamente só se sabe que será posterior a 1759, já que data desse ano o plano do Marquês de Pombal de instalar nesta zona fora de portas a Real Fábrica de Louça do Rato e o Real Colégio das Manufacturas – para produção de sedas, pentes de marfim, relógios, cutelarias e variadíssimos outros produtos.

Sem surpresa, as ruas deste bairro têm nomes como Amoreiras, Travessa da Fábrica das Sedas, Travessa da Fábrica dos Pentes, Calçada da Fábrica da Louça (actual Bento da Rocha Cabral). E, depois, há a Travessa da Légua da Póvoa – uma carta fora do baralho.

A escolha do nome como topónimo é em si bizarra, já que esta légua só terá servido para designar a distância que lhe deu nome, entre Laúndos e a Póvoa do Varzim, localidades que distam 7,5 km uma da outra. Por ser uma légua demasiado grande, foi considerada uma medida duvidosa e exagerada, e daí a expressão que lhe sobreviveu: “do tamanho da légua da Póvoa”.

Note-se, no entanto, que não era estranho haver léguas maiores e mais pequenas. Havia várias léguas, entre elas, a comum portuguesa, a do Ribatejo, a espanhola, léguas de 18, 20 e 25 ao grau, etc., todas com medidas diferentes – seria como termos hoje diferentes medidas de quilómetro: um km de 1040 m, outro de 1250 m… Imagine-se o que seria desenhar um mapa, com medidas recolhidas em diferentes fontes.

Sobre o tema de quanto mediam as antigas medidas (polegadas, braças, varas, côvados, toesas, jardas...) antes da Convenção do Metro, leia-se o bem-humorado artigo online “Do pé real à légua da Póvoa”. Considerando os diferentes tamanhos que cada medida teve, o autor termina o seu texto com um elogio irónico à solidez conceptual da légua da Póvoa: “A Légua da Póvoa, noção de distância muito antiga, (…) de definição indeterminada, mantém a sua posição e valor ao longo de anos, continuando perfeitamente indefinida.”

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