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O Rossio na Betesga #5: o brasão sem cara metade

Por Helena Galvão Soares
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Sobre a porta principal do Convento da Encarnação, na colina de Santana, encontra-se esta pedra de armas com um escudo um tanto insólito: tem uma metade em branco.

A outra metade (a que vemos à direita, mas que em heráldica é chamada a metade esquerda e é a feminina) tem as armas de Portugal. Por cima de tudo está uma coroa, o que indica que é o brasão de uma mulher da família real.

Trata-se de facto da pedra de armas da Infanta D. Maria de Portugal (1521-1577), a filha mais nova de D. Manuel. Foi ela que em testamento dispôs que se criasse este convento de religiosas. Este e diversos outros pelo país, onde era senhora de grande número de cidades, vilas e terras. Para que se tenha uma ideia da sua riqueza, foi também ela que financiou a Igreja de Santa Engrácia (actual Panteão Nacional). Diz o portal www.arqnet.pt que “a infanta D. Maria, pelas amplíssimas heranças que lhe deixaram seu pai e sua mãe, foi a princesa mais rica que, abaixo das rainhas, houve no seu tempo na Europa. (…) No seu paço particular criou uma verdadeira universidade de senhoras ilustres em todo o género de ciências e artes.”

A esta mulher culta e riquíssima evidentemente não faltaram pretendentes entre os mais importantes príncipes da Europa. Só que, casando-se a Infanta, levaria com ela não só o dote como todos os seus imensos bens, que assim sairiam da família, um negócio que nada interessava à Casa Real. Todos os pretendentes foram recusados, um após outro. A Infanta dedicou-se a Deus e morreu solteira. A metade do escudo que haveria de levar o brasão do seu marido ficou para sempre em branco.

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