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Rossio na Betesga #3: Escadinhas da Porta do Carro

Por Helena Galvão Soares
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Sobre este nome um tanto ou quanto desconcertante (escadas e carros não costumam ser grandes amigos…), diz-nos o site Toponímia de Lisboa, da CML: “Estas escadinhas (…) têm no seu topo os armazéns do Hospital de São José junto aos quais parava o carro que vinha trazer os abastecimentos necessários e, [sic] assim ficou fixado na memória do local.”

Com esta explicação ficamos sem saber o porquê da “porta” no nome da rua. E a resposta está no próprio local: subindo as escadinhas, deparamo-nos, não com armazéns, mas sim com uma entrada do Hospital de São José com um imponente painel de azulejos. Uma porta e pêras, não passa lá muito despercebida.

© Inês Félix

Não será esta entrada a Porta do Carro? É. Na Gazeta de Lisboa, 271, de 1815, é referido um morador “na travessa das Escadinhas, junto à porta do carro do Hospital de S. José” e o site www.monumentos.gov.pt refere que “A decoração azulejar de todo o edifício [o Hospital de São José] constitui um importante repositório cerâmico, possuindo azulejos do séc. 17, policromos, na “Porta do carro” (…)”.

Painel de azulejos do século XVII no túnel da porta do carro
© Inês Félix

E o carro, afinal que carro é este? Era o carro que levava os mortos da morgue para o cemitério; até aos anos 20 a morgue ficava ali em frente, no local das actuais Urgências, diz-nos Célia Pilão, administradora hospitalar que se tem dedicado à investigação e salvaguarda do património dos antigos Hospitais Civis de Lisboa.

Fica então reposta a verdade: há escadinhas, há uma porta e há um carro, mas a história é diferente da adiantada pela Toponímia de Lisboa, e um pouco mais sombria.

+ O Rossio na Betesga #2: os entalados

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