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Oh Glória! Pizzas com nomes dos vizinhos do bairro, 48 horas de fermentação e preços acessíveis

A massa é napolitana, mas os nomes são bem portugueses. Celeste, Carmo, Artur ou Fausto preenchem o menu deste novo restaurante com opções a partir dos 7€.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Oh, Glória!
Rita Chantre | Oh, Glória!
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Quase se chamou Celeste, em homenagem à mulher que sempre esteve ao balcão da tasca que durante largas décadas ocupou este espaço perto da Praça Marquês de Pombal. Também podia ter sido Carmo, Graça ou Benedita, nomes de tantas outras figuras femininas importantes nesta história. Porém, na impossibilidade de escolher apenas uma, nasceu o Oh Glória!, uma pizzaria que tem como uma das principais preocupações servir as pessoas do bairro.

A equipa responsável por este novo restaurante é a mesma do Vegan Junkies, no prédio ao lado, uma hamburgueria vegana que foi conquistando clientes inesperados. “Tínhamos senhoras de 70 e tal anos a tomarem café num restaurante vegano, era muito engraçado. O nome Oh Glória! personifica a homenagem que lhes queremos fazer, mas também aquele momento glorioso em que uma pizza chega a casa”, explica Vinicius Alkmim à Time Out.

Ele já não é, na verdade, proprietário de nenhum dos espaços (tem outro trabalho que lhe ocupa muito tempo), mas ficou ligado aos dois projectos como consultor. No entanto, para que esta cronologia faça sentido, temos de recuar até 2019. Nesse ano, Vinicius e a sócia, Mariana Cordeiro, abriram a hamburgueria Vegan Junkies. Em 2021 seguiu-se o Plant Base, outro espaço vegano no Chiado, com pizzas e tacos. Foi aí que, certo dia, apareceu Santosh Lamichhane. Com escola de Ljubomir Stanisic e Vítor Adão, pareceu a pessoa certa para juntar à equipa, mas tinha outros planos. Abriu vários bares no Bairro Alto e um restaurante de sushi.

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Rita ChantreOh, Glória!

Três anos passaram até os timings se alinharem. Em 2024, os proprietários do Vegan Junkies queriam vender e Santosh chegou-se à frente. Por essa altura, Vinicius já estava a negociar um espaço no prédio ao lado que estava fechado há dois anos. “Era uma tasca mesmo à moda antiga, gerida pela dona Celeste que, aos quase 90 anos, já queria ir descansar. Nunca parou de pagar a renda, mas fechou as portas.”

Celeste continua a mandar no menu – apesar de ainda não ter vindo provar a pizza a que dá o nome. A tia Celeste (12€) tem tomate San Marzano, mozzarella fior di latte, barriga de porco fumada, sementes de sésamo e cebolinhos. É mais surpreendente da carta. A fazer-lhe companhia estão a vegana D.ª Catarina (10€), com cogumelos porcini, pleurotus e Paris, além de nozes e gremolata; a Sr. César (11€), com béchamel com infusão de porcini, queijo edam, cogumelos salteados, fiambre e queijo peccorino; e a Sr. Fernando (13€), que é picante mas suportável para os mais sensíveis. Tem tomate San Marzano, mozzarella fior di latte, salame picante, stracciatella, pickles de cebola e mel picante.

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A Sr. Fausto (14€) tem tomate San Marzano, mozzarella fior di latte, nduja, stracciatella e tomates amarelos semi-secos; a senhorita Francesca (12€) tem mozzarella fior di latte, gorgonzola, pêra roxa bêbeda e nozes. “Geralmente a pêra vem cortada em cima do gorgonzola, mas aqui fazemos um puré de pêra bêbeda”, explica Vinicius, que tem metade das origens em Itália e cuja filha se chama, precisamente, Francesca.

Do jornalismo nepalês para as cozinhas portuguesas

Santosh Lamichhane aterrou em Portugal há pouco mais de uma década, com 19 anos e sem fazer ideia do que a vida lhe reservava. No Nepal estudou jornalismo, mas chegado a Lisboa começou a trabalhar na copa do 100 Maneiras. “Depois, o Ljubomir [Stanisic] deu-me a oportunidade de aprender na cozinha. Até aí nunca tinha cozinhado”, conta.

Por isso, admite, não sabe cozinhar pratos nepaleses, nem sequer os de Gorkha, região onde cresceu. Abrir uma pizzaria nasceu da vontade de replicar a massa do Plant Base, que adorava. “Foi a primeira pizza realmente boa que comi cá.” A receita da massa é obra de Roberto Stracquadaini, o primeiro pizzaiolo do Plant Base que entretanto se mudou para o norte do país, onde tem pizzarias em Guimarães e no Porto.

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Rita ChantreOh, Glória!
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“A massa fica 48 horas a fermentar, tem 70% de hidratação. Se juntarmos isso a uma temperatura de 500 graus, a pizza cozinha depressa mas é muito leve”, explica Vinicius. O forno veio de Nápoles e é a peça central do restaurante inaugurado a 3 de Julho. As obras duraram mais de seis meses. Foi preciso refazer tudo, incluindo a parte eléctrica e a canalização, até porque o espaço estava fechado há dois anos e o tempo não ajudou a preservar nada, pelo contrário. O interior, onde cabem cerca de 30 clientes, é despretensioso e dominado por madeira clara, cujas ripas fazem a ligação com uma mezzanine. Cá fora, há espaço para 12 pessoas – e brevemente vai nascer uma segunda zona de esplanada com mais 12 lugares.

Nas entradas, o Sr. Artur (4,50€) é o típico pão de alho, aqui com grana padano, alho confit e gremolata; e a D.ª Carmo (6€) apresenta-se fresca em forma de salada de funcho e laranja, que junta ainda rúcula, amêndoas tostadas e hortelã. Nas sobremesas há duas opções: a D.ª Graça (6€) inspira-se num tiramisu mas, em vez de ser feito com café, leva maracujá. “Fazemos um chá de maracujá, onde passamos os biscoitos, fazemos o creme de mascarpone e em cima colocamos chocolate branco ralado com uma calda de maracujá”, descreve Vinicius. O Sr. Rocha (4,50€) dá nome a uma panna cota com queijo de cabra e puré de pêra bêbeda.

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Rita ChantreOh, Glória!
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Quando pensaram nos preços, Vinicius e Santosh quiseram algo que pudesse ser acessível a todos, sobretudo às pessoas que vivem na zona. “Se saio com a minha mulher e a minha filha para jantar, nunca pago menos de 60€, 70€, 80€. É impensável jantar fora com frequência assim e era o oposto que queríamos aqui”, diz Vinicius. Foi também por isso que criaram uma happy hour – não de bebidas, mas de pizzas –, todos os dias das 17.00 às 18.00. Nesse horário, a pizza do dia custa 5€. Tanto pode ser a D.ª Benedita (geralmente a 14€), com mozzarella pior di latte, edam, gorgonzola, grana padano e pecorino; como a D.ª Mariana (no menu a 7€), com tomate San Marzano, alho em lâminas, manjericão e azeite – a escolhida é anunciada diariamente no Instagram. “A ideia é que as pessoas possam descobrir assim a carta, para depois voltarem”, explica Vinicius.

Para acompanhar tudo isto há cocktails, como o Sr. Constantino (9,50€), com Jameson, Aperol e ginger beer; ou o Sr. Baltazar (8,50€), com Ballantine’s, limão, açúcar e clara de ovos. Sumos caseiros, kombucha, vinhos e cerveja preenchem o resto do menu.

Neste momento, saem do forno do Oh Glória! entre 100 e 150 pizzas por dia, mas Vinicius quer chegar às 200. As portas estão abertas de segunda-feira a domingo, tal como a vida neste bairro, que não tem dias de folga.

Rua Luciano Cordeiro, 26. Seg-Dom 12.00-23.00

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