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Olhá bolinha quentinha! Nesta janela do Príncipe Real, as Berlinas são para o ano inteiro

Com fornadas de hora a hora, massa e recheios caseiros, a portuguesa Berlina quer transformar a bola de Berlim num novo pastel de nata. Fomos experimentar uma (ou duas...).

Vera Moura
Escrito por
Vera Moura
Directora Editorial, Time Out Portugal
Berlina
the124studio | Berlina
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“Chegou mesmo na hora certa!”, exclama o funcionário do lado de dentro da janela com toldo às riscas amarelas quando chegamos ao número 90 da Rua da Escola Politécnica. Acaba de sair mais uma fornada de bolas de Berlim, uma das seis do dia. Em poucos segundos, ele abre a pequena esfera dourada mergulhada em açúcar com uma faca, recheia-a generosa e satisfatoriamente com creme pasteleiro bem amarelo e estica a mão para o lado de fora do vidro, sobre a montra cheia de bolas, para a oferecer quentinha, embrulhada num guardanapo. 

Na pequenina Berlina, que abriu na segunda semana de Setembro (e vendeu logo 200 bolos no primeiro dia), além da clássica (3€), também se servem bolas sem creme (2.50€) ou com outros recheios caseiros, do chocolate (3.50€) à fresquíssima framboesa (4€) ou caramelo salgado (5€) – sempre colocados no momento e à frente dos clientes. Alguns curiosos passam e questionam: “Só há bolas de Berlim?” Sim. Só bolas de Berlim (e meia dúzia de bebidas para acompanhar).

Berlina
the124studioBerlina

A ideia foi dos sócios e amigos João Cândido da Silva, Francisco Castelo Branco e José Maria Cotta, todos com experiência na área da restauração. João, director comercial da Glovo, é de Viana do Castelo e tem as melhores memórias do Natário, famoso por servir as mais populares bolas de Berlim do Norte; Francisco e José, sócios da marca de frangos Chickinho, associam o bolo às praias de Porto Covo e do Algarve onde passam as férias de Verão. Aqui, querem não só replicar a inesquecível experiência de comer uma bola de Berlim acabada de fazer, como transformar este clássico da pastelaria portuguesa no novo pastel de nata, que há muito começou a ganhar moradas especializadas.  

“Podíamos discordar sobre onde se comia a melhor bola de Berlim, mas chegámos à conclusão que o mais diferenciador era comer uma bola acabada de fazer – como acontece no Natário e na praia. Se no pastel de nata faz diferença comer quentinho, aqui ainda mais”, diz João à Time Out. “E não havia nenhum lugar que se dedicasse só a isto, que tentasse elevar o produto, dando-lhe a máxima qualidade e dignidade.” Não havia, mas agora já há – e com planos de, depois do primeiro espaço bem afinado, expandir por Portugal fora. 

Berlina
the124studioA janela da Berlina no Príncipe Real

Sem mesas e cadeiras para ficar e apenas uma janela para servir e comer na hora (nada de entregas ao domicílio, para garantir que a experiência se mantém intacta), tudo foi pensado ao pormenor na Berlina: das riscas amarelas nas paredes e tecto a fazer lembrar um toldo de praia às fritadeiras especiais que cozinham os bolos exactamente dois minutos e meio de cada lado. Para chegar à receita final, foram precisos muitos meses. “A massa de brioche produzida à mão todos os dias é mais leve, parece que tem ar, e a bola é ligeiramente mais pequena do que o normal, mais delicada”, continua, insistindo que nada é industrializado. “Servimos o produto 100% clássico. Não quisemos inventar nada nem ir pelo trendy – só queremos fazer uma bola de Berlim bem feita.” 

Berlina
the124studioO caramelo salgado é um dos recheios caseiros da Berlina
Berlina
the124studioAs bedidas quentes vêm mostrar que as bolas da Berlina não são só para o Verão

Aos recheios fixos podem vir a juntar-se edições especiais e para acompanhar há bebidas quentes como expresso (1,50€), latte (4€), cappuccino (3.90€) ou café de especialidade da brasileira Batch Brew (3.50€). O Verão pode estar a chegar ao fim, mas no que depender da Berlina, há muitos dedos cheios de açúcar para lamber pelo Inverno adentro.  

Rua da Escola Politécnica, 90 (Príncipe Real). Todos os dias 11.00-20.00

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