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Orange is The New Black: é o fim da série mais vista de sempre na Netflix

Por
Claudia Lima Carvalho
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E provavelmente a mais importante. À sétima temporada, Orange Is The New Black chega ao fim com 13 episódios que prometem ser duros.

Foi há tanto tempo que fica difícil lembrar-nos o que era a televisão em 2013 quando a palavra streaming ainda precisava de uma explicação colada. Os canais tradicionais dominavam, os grandes nomes de Hollywood ficavam-se quase só pelo cinema e a diversidade (ou falta dela) praticamente não se discutia. House of Cards tinha chegado à Netflix há cinco meses quando Orange Is The New Black se estreou. As duas maiores apostas do serviço de streaming e que viriam a mudar o jogo das audiências e do entretenimento para sempre. Parece dramático, mas não é exagero.

É por isso que é impossível falar do fim de Orange Is The New Black sem relembrar o contexto em que apareceu. Lá está, o movimento #MeToo ainda não se fazia ouvir, mas já este elenco era maioritariamente feminino e o mais heterogéneo possível. A história de Piper Kerman (na série Piper Chapman, interpretada por Taylor Schilling), presa por ter participado num esquema de tráfico de droga internacional, serviu apenas como ponto de partida para a vida das muitas mulheres que vivem em prisões nos Estados Unidos, ainda muito segregadas.

“A Piper é o nosso cavalo de Tróia”, disse várias vezes Jenji Kohan, que já antes nos tinha dado a série Erva. Em sete temporadas, nunca se inibiu de pôr o dedo na ferida, de falar do que habitualmente não é falado: a vida de uma transsexual negra na prisão ou de uma doente mental, de detidas com idade para serem avós, de mães solteiras ou imigrantes que procuraram nos Estados Unidos uma vida melhor mas que acabaram atraiçoadas por qualquer incidente. Em Orange Is The New Black fala-se sobre liberdade religiosa, sexo, drogas, poder e capitalismo. Tanto dá para rir como para chorar, não sendo de estranhar que se tenha tornado na primeira série a ser nomeada para os Emmys tanto nas categorias de Comédia como de Drama.

Nos novos e últimos episódios, Piper procura adaptar-se a uma vida fora da cadeia, enquanto a namorada Alex (Laura Prepon) tem ainda três de anos de pena para cumprir. Em Litchfield estão ainda Taystee (Danielle Brooks), que perdeu a alegria depois de sentença que a condenou injustamente, Pennsatucky (Taryn Manning) e Suzanne Warren (Uzo Aduba), que decide roubar todos os pudins da prisão como forma de recompensa por tudo o que ali já passou, Cindy (Adrienne C. Moore), cuja relação de amizade nunca esteve tão tremida, ou Red (Kate Mulgrew), ainda abalada por ter passado tanto tempo na solitária. E uma vez mais, é o sistema prisional nos Estados Unidos que é posto em causa, sendo que os novos episódios piscam ainda o olho aos centros de detenção de imigrantes e ao processo kafkiano a que as detidas são sujeitas para fugir à deportação (olá, Trump). Pelo sim pelo não, o melhor é manter os lenços de papel por perto.

Netflix. Sex (estreia T6).

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