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Os heróis disfuncionais de "The Umbrella Academy"

Por
Luis Filipe Rodrigues
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The Umbrella Academy, inspirada nos comics de Gerard Way e Gabriel Bá, é a mais recente série de super-heróis da Netflix. Estreia-se na sexta-feira.

Criada pelo músico e argumentista americano Gerard Way (ex-My Chemical Romance), e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá, The Umbrella Academy é uma das mais imaginativas séries de banda desenhada deste século. Não foi por isso de estranhar que os direitos para a adaptação fossem comprados pela Universal. Nem que, apesar de ter sido escrito o guião para um filme, uma história tão estranha ficasse durante anos na gaveta. E muito menos que a Netflix, sedenta por novos conteúdos, ressuscitasse o projecto.

É provável que a opinião das pessoas sobre a série dependa da sua relação com o original. Quem nunca leu os livros é bem capaz de gostar – pelo menos as primeiras críticas apontam nesse sentido – mas quem leu os originais – como é aqui o caso – vai achar que esta versão de The Umbrella Academy fica muito aquém da visão de Gerard Way e Gabriel Bá. É uma desilusão.

As diferenças face ao original são tantas que a palavra “adaptação” é capaz de ser demasiado generosa. A série criada por Steve Blackman não tem a liberdade nem o verniz psicadélico do original; é demasiado cinzenta e linear. O argumento também tenta ser mais realista. Ou pelo menos tão realista como pode ser a história de uma família de super-heróis criados por um milionário extraterrestre, uma mulher-robô e um macaco que fala.

O primeiro episódio começa em 1989 – mais uma diferença em relação à BD da Dark Horse – no momento em que 43 mulheres dão à luz. Os bebés têm a particularidade de terem nascido ao mesmo tempo, em várias partes do mundo, e de as mães não apresentarem sinais de gravidez antes do parto. Sir Reginald Hargreeves (Colm Feore), um excêntrico milionário, adopta sete dessas crianças, seis das quais aparentemente têm super-poderes, e treina-as para serem uma equipa de super-heróis.

O grosso da narrativa, no entanto, desenvolve-se no presente. Os irmãos separaram-se e levam vidas diferentes: um tornou-se astronauta (Tom Hopper), o segundo um vigilante (David Castañeda), a terceira é actriz (Emmy Raver-Lampman), o quarto passa os dias drogado (Robert Sheehan) e outra é violinista (Ellen Page), um sexto irmão morreu (Ethan Hwang) e o outro desapareceu (Aidan Gallagher). Estão todos a tentar, sem sucesso, lidar com os traumas e as consequências de uma infância abusiva e fora do comum, quando são forçados a reencontrar-se devido à morte do pai adoptivo.

The Umbrella Academy brilha, e aproxima-se daquilo que torna os livros tão especiais, quando se centra nas relações disfuncionais entre os membros desta família. Quando tenta ser uma série de super-heróis, porém, é apenas banal. A escrita de Way, nos livros, é excêntrica e bombástica, mas os argumentistas da versão do Netflix preferem ser mais comedidos. Falta-lhes coragem.

É um problema comum a muitas adaptações de comics e histórias de super-heróis, e dificilmente isso vai mudar. Afinal, quando um comic vende pouco, as empresas arriscam-se a perder apenas os poucos milhares de dólares que custou pagar aos trabalhadores e à gráfica. Se um filme ou uma série falham, porém, os prejuízos são de milhões de dólares. Os estúdios preferem não arriscar.

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