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"Parasitas", um filme estrangeiro, faz história ao conquistar os Óscares

Parasitas (2019)
©DR Parasitas de Joon-ho Bong

O filme sul-coreano fez história na cerimónia dos Óscares, mas a entrega dos prémios não se livrou das habituais polémicas que acusam a Academia de falta de diversidade.

A cerimónia dos 92.º Óscares revelou-se uma noite histórica para o filme sul-coreano Parasitas. O thriller de Bong Joon-ho foi considerado o Melhor Filme – a primeira vez que uma longa-metragem não falada em inglês venceu a estatueta e a segunda que um vencedor da Palma de Ouro em Cannes recebeu o Óscar mais cobiçado, em Los Angeles – e arrecadou outros três troféus, incluindo o de Melhor Realizador e de Melhor Filme Estrangeiro.

Parasitas, o grande vencedor da noite ao contrário do que era esperado, é um retrato desconcertante da classe trabalhadora e do fosso que a separa de um estrato mais abastado. As votações da noite passada mostraram, aliás, que Hollywood pode ter começado a olhar para o futuro e a ultrapassar a sua dependência de premiar histórias de brancos, contadas por realizadores brancos, escreve o New York Times esta segunda-feira.

No rescaldo da noite, quem abrandou o ritmo foi a Netflix. A plataforma de streaming entrou no Dolby Theater em Los Angeles com 24 nomeações, mas venceu apenas em duas categorias. American Factory, de Steven Bognar, venceu o Melhor Documentário, com o registo do confronto entre um empresário chinês que compra uma fábrica no Ohio e a reacção dos operários americanos a essas mudanças. Laura Dern, com o seu papel de advogada obstinada em Marriage Story, venceu o prémio de Melhor Actriz Secundária.

O favorito à corrida, o drama de guerra de Sam Mendes, 1917, venceu apenas três Óscares, incluindo o de Melhor Fotografia para Roger Deakins. O filme que, até ao momento já facturou 287 milhões de dólares (262 milhões de euros) em todo o mundo, foi um dos grandes derrotados da noite, a par com O Irlandês, de Martin Scorcese. O filme do gigante do streaming, que recebeu dez nomeações, saiu da cerimónia de bolsos vazios.

Brad Pitt, que venceu a estatueta de Melhor Actor Secundário com Era Uma Vez… Em Hollywood, emocionou-se ao falar dos filhos e agradeceu a Leonardo DiCaprio e a Quentin Tarantino. Joaquin Phoenix, como era expectável, foi considerado o Melhor Actor Principal, pela sua prestação em Joker, de Todd Philiphs. Foi o primeiro Óscar do actor, que já havia sido nomeado em 2013 com O Mentor, em 2006 com Walk The Line e em 2001 com O Gladiador. No seu discurso, o actor falou sobre os direitos dos animais, mas também sobre ele próprio, reconhecendo o quão difícil pode ser lidar com ele e agradecendo a todos os que lhe deram uma segunda oportunidade. Acabou a relembrar o seu irmão River Phoenix, que morreu em 1993.

Renée Zellweger foi a Melhor Actriz, pelo seu papel notável enquanto Judy Garland, em Judy, depois de um hiato de seis anos afastada de Hollywood. Os protestos #OscarsSoWhite em 2015 e 2016 forçaram Hollywood a examinar a sua exclusão de minorias. Nesses dois anos, a Academia não nomeou qualquer actor não branco, levando a que fossem feitas promessas para duplicar a filiação de membros considerados minoritários. Apesar dos esforços, escreve o jornal Público, esta edição foi marcada por acusações de falta de diversidade étnica e de género. Este ano, só Cynthia Erivo (Harriet) não era branca entre os actores nomeados e não houve realizadores nomeadas para longas metragens de ficção.

A lista completa dos vencedores pode ser consultada aqui

+Os nomeados para os Óscares

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