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Primeiro Festival Cuca Monga devolve esta família a Alvalade

Capitão Fausto, Luís Severo, Rapaz Ego, Catarina Branco, Atalaia Airlines e B1SPHØ instalam-se na Vila Afifense a 1 de Outubro, um sábado e o Dia Mundial da Música.

Escrito por
Luís Filipe Rodrigues
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Alvalade chamava por eles em 2016. A mocidade tinha chegado ao fim – como cantava Tomás Wallenstein em “Alvalade Chama por Mim”, a encerrar o álbum Capitão Fausto Têm Os Dias Contados – e a banda tinha um belo estúdio e sala de ensaios no bairro, que funcionava também como quartel-general da editora Cuca Monga. Seis anos depois, já não estão lá o estúdio nem a sala de ensaios, os Capitão Fausto voltaram à casa de partida no Príncipe Real e os outros artistas do colectivo estão espalhados por Lisboa. Mas Alvalade continua a chamar eles. E a Cuca Monga responde ao apelo com um festival de um dia, que se realiza a 1 de Outubro, um sábado e o Dia Mundial da Música, na Vila Afifense. Os bilhetes valem 20€ e já se encontram à venda online.

“A ideia de fazer um festival Cuca Monga é quase tão velha quanto a própria editora”, recorda Tomás Wallenstein, vocalista dos Capitão Fausto e um dos fundadores. “Sempre nos encantou a ideia de criar um círculo que une as pessoas, fosse por levar a música até às suas casas, fosse por conseguir trazê-las a ouvir, juntas.” Por muitas razões, Alvalade era o sítio certo para reunir os diversos membros do colectivo e o público. “Foi no bairro de Alvalade que nasceu a Cuca Monga, no estúdio onde se formou e cresceu. Desde que esse espaço deixou de existir que os Capitão Fausto e a Cuca Monga procuram voltar ao bairro. É a Junta de Freguesia de Alvalade que nos traz a oportunidade, e juntos começamos o nosso caminho de regresso neste Primeiro Festival Cuca Monga em Alvalade.”

No topo do cartaz desta primeira edição encontramos os Capitão Fausto, claro. A banda de rock psicadélico que lançou as bases para a editora editou o último álbum de originais, A Invenção do Dia Claro, em 2019 e encontra-se a trabalhar no seu sucessor, mas nada garante que tenham coisas novas para mostrar em Outubro. O mesmo aplica-se ao nome que surge logo a seguir, Luís Severo, cantor e compositor de uma folk bem portuguesa que também não edita nada de novo desde 2019. Rapaz Ego, Catarina Branco, Atalaia Airlines e B1SPHØ completam o eclético alinhamento, que em comum tem, mais do que música, a filiação na Cuca Monga e as ligações entre os seus membros.

“Infelizmente não foi possível incluir o catálogo completo da editora, fosse por agenda, compatibilidade ou estratégia. Felizmente, este é o Primeiro Festival Cuca Monga”, sublinha Tomás Wallenstein. “Nos seguintes haverá oportunidade para mostrar a música que não será tocada nesta edição.” Música como a dos Ganso, outro dos grupos que fazem parte desta família há anos e “também se preparam para novo trabalho”. Ou a dos Salto, que “estão prestes a largar o disco. Sai nas próximas semanas”, adianta o cabecilha.

Uma frase proferida minutos antes continua a pairar no ar: “juntos começamos o nosso caminho de regresso [a Alvalade]”. Há planos para o colectivo voltar a instalar-se lá? Segundo o fundador, “a mira está posta” no bairro. “Foram circunstâncias de força maior que nos afastaram de lá, e felizmente tivemos alternativas para não travar por completo o nosso trabalho. Não nos enganemos, após sair de lá a produtividade não voltou a ser a mesma. O regresso ao bairro está cada vez mais perto, existem perspectivas realistas e assim que forem concretas voltaremos a falar nisso”, adianta Tomás Wallenstein. “Termino com uma auto-citação pirosa: Alvalade chama, nós sempre ouvimos.”

Vila Afifense (Alvalade). Sáb, 1 Out. 15.30. 20€.

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