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Pudim abade de Priscos ou cassata siciliana? Esta gelataria rendeu-se aos doces tradicionais

Brera, a nova gelataria da Baixa, tem produção própria e vários sabores inspirados nas doçarias portuguesa e italiana.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Gelataria Brera
© Rita Chantre/ Time Out Lisboa | Gelataria Brera, na Rua Áurea
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Brera é um dos bairros mais conhecidos de Milão e é também a inspiração para a nova gelataria da Baixa, que toma emprestado o nome mas também a tradição do sorvete artesanal italiano. Com produção própria, o mais recente projecto da Plateform, um dos maiores grupos de restauração do país, traz para a Rua Áurea (ou Rua do Ouro, se preferir) uma selecção de mais de 25 sabores, incluindo pastel de nata, pudim abade de Priscos, tiramisù e cassata siciliana, um bolo tradicional com ricota e fruta cristalizada. “O processo envolve criar a própria sobremesa e depois transformá-la em gelado”, revela o mestre gelateiro Tiago Barata.

O espaço não é grande, mas também não precisa. A ideia é entrar e pedir um gelado ou uma caixa para levar. A montra de sabores está à vista num menu interactivo com luzes retro, que acendem e apagam mediante a disponibilidade de cada sabor. Há clássicos, claro – chocolate, morango e baunilha, a tríade sagrada –, mas o destaque vai para as “sobremesas desconstruídas”, desde o papo de anjo e as natas do céu, típicas da doçaria tradicional portuguesa, ao marron glacé, uma iguaria feita com castanha cozida e mergulhada em calda de açúcar, que se come tanto em França como em Itália.

Brera
© Rita Chantre/ Time Out Lisboa

O trunfo, desvenda o mestre gelateiro, são os ingredientes utilizados. “Nós damo-nos ao trabalho de produzir os nossos próprios palitos para o gelado de tiramisù ou de ir buscar o melhor pistáchio à Sicília e a melhor avelã a Piemonte. Desde muito cedo me apercebi de que realmente a matéria-prima faz toda a diferença. Por exemplo, no caso do cheesecake de morango, que é um bestseller, fazemos tudo, desde a base ao crumble e ao couli”, explica Tiago, que também destaca o facto de não usarem estabilizantes e espessantes “prejudiciais à saúde” e de adicionarem apenas o açúcar e a gordura estritamente necessários “para criar uma boa textura e uma boa cremosidade”.

“Com o advento das gelatarias artesanais, o cliente tornou-se mais exigente e basta prestar atenção ao balcão para ir ouvindo dizer ‘esse gelado é muito doce, fico cheio de sede depois, não me sabe bem’, portanto eu tendo a ter atenção a essa questão, até porque acredito num bom gelado artesanal sem uma quantidade excessiva de açúcares adicionados. É essa a minha filosofia”, garante o mestre gelateiro, que até tem um refractómetro para medir o teor de açúcar. No caso dos gelados de fruta, como o de framboesa e o de manga, quanto mais madura a matéria-prima, mais frutose, o que tem impacto na quantidade de açúcar que será preciso juntar. 

Brera
© Rita Chantre/Time Out Lisboa| Cone com gelado de manga e framboesa

Não é o seu sabor preferido, mas o mestre gelateiro está “muito satisfeito” com o gelado de pastel de nata – “demorei algum tempo a chegar lá”, confessa –, e o director de marketing e comunicação também. “Não queríamos abrir só mais uma gelataria, queríamos uma gelataria que trouxesse aquilo que nós gostamos, que são os clássicos artesanais, mas ao mesmo tempo que fosse contemporânea e até provocadora”, justifica Tiago Veiga, do grupo Plateform. “Além disso, também queremos trabalhar a sazonalidade, porque nos permite ter uma oferta diferenciada e estar sempre a trazer novidades. Hoje não temos, mas estamos a contar que a romã esteja para breve.”

Brera
© Rita Chantre/ Time Out LisboaCopo com gelado de cheesecake de morango e gelado de pastel de nata

Os preços começam nos 3,50€, para um copo ou cone com uma bola, e chega até aos 5,50€, sendo possível acompanhar com crepe (7,50€-9,50€). Há ainda caixas para levar para casa, com três tamanhos disponíveis – o mais pequeno, de meio litro, custa 14€. E, entre os toppings disponíveis, há dois que são oferta da casa: natas batidas ou chocolate quente (os restantes custam 1€ cada). Mas essa é apenas uma das cortesias da Brera, a outra está logo à porta: um banquinho. “Estamos numa zona de muita circulação, há sempre imensas pessoas a passear por aqui e foi feito precisamente para convidar a descansar”, conta Tiago Veiga. “Se quiserem entrar e comer um gelado, óptimo. Se não quiserem, também está tudo bem. O que queremos é proporcionar um momento de pausa e, eventualmente, fazer parte do programa de vir à Baixa.”

Rua Áurea, 258 (Baixa). Seg-Dom 11.00-22.00

As últimas de Comer & Beber na Time Out

Está a par das melhores gelatarias em Lisboa? Não fique para trás. A Swee abriu a sua primeira loja pop-up na Baixa com gelados esmagados (a versão doce dos smash burgers). Para uma refeição à séria, encontra sanduíches italianas na Vetrina, o novo espaço do Grupo Non Basta. Se preferir, o Avó Cooking Lab, que procura reintegrar no mercado de trabalho pessoas com 60 anos ou mais, leva-lhe o jantar a casa. Depois, pode ir beber um cocktail ao QG Atelier, onde o bartender também é terapeuta (sim, leu bem).

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